terça-feira, 7 de julho de 2015

POLÍCIA FEDERAL “DOA A QUEM DOER”

Muitos brasileiros têm consciência da importância da Polícia Federal (PF) no combate à corrupção, do crime organizado, do tráfico de drogas e armas e do seu papel estratégico na segurança do país.

Malgrado opiniões contrárias, não há como negar que após os governos Trabalhistas de Lula e Dilma a PF ganhou muito mais independência e autonomia para exercer suas funções, como, também, passou por reestruturações no seu quadro de funcionários e na sua infraestrutura, fatores que contribuíram, sobremaneira, para o aperfeiçoamento da instituição. E os dados corroboram tal afirmativa! No governo FHC a Polícia Federal realizou apenas 48 Operações, enquanto, no governo Lula foram realizadas 1.273. Com relação ao número de funcionários houve um ganho expressivo. No governo Lula o número de funcionários aumentou em 58%, já no governo FHC o crescimento foi de apenas 27%. Houve também evolução considerável dos investimentos . Em 2002, um ano antes de Lula assumir, o orçamento da PF era de R$ 1,8 bilhão, em 2012 saltou para R$ 4,5 bilhões.

Mas se houve melhorias na estrutura da PF, o mesmo não se pode afirmar, mesmo a despeito da cobertura midiática, com relação à postura republicana que a PF deveria ter. Com a Operação Lava-jato essa afirmativa salta aos olhos. É gritante a politização e até a partidarização dessa Operação. E isso já fora comprovado na matéria assinada pela jornalista Júlia Duailibi, do “Estadão” em 13/11/2014, quando ela afirma que “durante a eleição, perfis de policiais que investigam o escândalo na Petrobrás chamam Lula de ‘anta’ e replicam conteúdo crítico a Dilma”

Outro fato que chama atenção e coloca em suspeita parte da PF e todo esse Processo da Lava-jato são os vazamentos seletivos das delações premiadas. Até hoje não se sabe como são vazados esses depoimentos para imprensa. Segundo o Ministro da Justiça já foi instaurada uma sindicância para apurar, mas até o momento nenhum resultado foi apontado.

Nesses últimos dias mais dois fatos, gravíssimos, envolvendo a PF vieram à tona. O primeiro foram os depoimentos de um agente e um delegado da PF à CPI da Petrobras, noticiando a existência de escutas ambientais ilegais da Polícia Federal, para monitorar presos da operação Lava Jato, na sede da PF, em Curitiba. E o segundo foi à repercussão da entrevista do Diretor-geral da PF Dr. Leandro Daille ao “Estadão” sobre esse caso. 

Segundo o Dr. Leandro "os equipamentos [se referindo às escutas ilegais nas selas dos presos] podem ser auditados para saber quem usou, quando usou, no que usou"...afirmando ainda: “...não vislumbro nada nesse suposto fato que possa levar à nulidade da Lava-jato”...Continuando o Diretor-geral afirma que a PF investiga “fatos, não pessoas. Aonde os fatos vão chegar é consequência da investigação, doa a quem doer”.

Nessa entrevista duas afirmações chama atenção: ao dizer “suposto fato” estaria o ínclito Diretor-geral desmentindo os depoimentos do Delegado e do agente da PF à CPI da Petrobras? Estaria relativizando esse gravíssimo episódio? Será que o Dr. Leandro lembra que por muito menos, afundaram a Castelo de Areia e a Satiagraha e por menos ainda, um grampo sem áudio jamais comprovado defenestrou o ex-diretor-geral da PF Dr. Paulo Lacerda?

Mesmo pouco repercutido pela mídia, não temos dúvidas da gravidade desse caso da escuta nas celas da “Guantánamo de Curitiba, tanto, que vários juristas se manifestaram, como por exemplo, o reconhecido constitucionalista, Luiz Moreira, Doutor em Direito, que afirmou: “...Provas obtidas de forma ilegal tornam nulos depoimentos e eventuais acordos de delação delas decorrentes. Essa, aliás, é uma regra por todos conhecida e diversas vezes reiterada pelo STF. Se, como sugere o depoimento dos policiais federais, essa ilegalidade foi cometida, a Operação Lava Jato terá um fim lamentável. É isso que cabe ao diretor geral da Polícia Federal esclarecer, “doa a quem doer”. 

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