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Mídia & Política - Odilon de Mattos Filho

A IMPUNIDADE POR DEBAIXO DA TOGA

Há pouco tempo escrevemos nesse democrático Jornal um texto com o seguinte título: A pseuda-castidade que encobria o Judiciário...

DO “CAOSAÉREO” AO “CAOSAQUÁTICO”

SABEMOS QUE A “MÍDIA NATIVA”, COMO CAIXA DE RESSONÂNCIA E PARCEIRA DAS ELITES, NÃO ACEITA OS GOVERNOS TRABALHISTAS E DE ESQUERDAS. E OS MANDATOS DE LULA E DE DILMA ROUSSEFF, COMPROVAM ESSA ASSERTIVA...

A VERGONHA DO ANO: A AUTOCENSURA IMPOSTA PELA MÍDIA

Já se tornou redundante às inúmeras criticas que fazemos neste espaço, sobre o comportamento vil, partidário e golpista da grande mídia nacional...

A CORRUPÇÃO FINANCEIRA, MORAL E ÉTICA

Já ocupamos este espaço para escrever sobre os escândalos de corrupção no Brasil...

ROCINHA E SATIAGRAHA: O QUE TEM EM COMUM?

Assistimos nesses últimos dias mais uma bem sucedida operação das Policias Civil...

A PENA DE MORTE IMPOSTA ...

Estamos assistindo nesses últimos anos uma covarde guerra contra vários países do Oriente Médio.

FORÇA COMPANHEIRO LULA...

Sabemos que as campanhas eleitorais são pautadas por variados embates...

QUEM SERÁ QUE CAIU DO GALHO?

Segundo a precisa definição do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, "discriminar é..

sábado, 5 de maio de 2012

AS ÁGUAS DO “CACHOEIRA” INUNDARAM AS REDAÇÕES DA GRANDE MÍDIA


 “Temo menos os governos, que podemos controlar e substituir, do que os poderes privados  [ grande mídia] que exercem sua “influência” no interior das sociedades modernas”. (Karl Mannheim)



No dia 2 de maio foi realizada a primeira reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para apurar os crimes da quadrilha de “Calinhos Cachoeira”. Essa CPMI é fruto das investigações realizadas pela Polícia Federal (PF), com as Operações “Vegas” e “Monte Carlo”.

Essas Operações diferentemente das outras, trás um novo componente que até então é pouco conhecido dos brasileiros, e isso, obviamente, em decorrência da deliberada omissão da imprensa que tenta esconder o seu próprio envolvimento com essa gangue.

O Relatório da Polícia Federal (PF), repercutido pelo sítio “Roteiro de Cinema”, comprova o pernicioso envolvimento da mídia com esse bando. Segundo consta do relatório do Delegado responsável pelas investigações, “Carlinhos Cachoeira, além de utilizar parte da imprensa de Anapólis, de forma direta, demonstra pelos áudios interceptados, conseguir emplacar reportagens de seu interesse em outros órgãos da mídia. Destaca-se sua ligação com dois importantes jornalistas, Renato Alves, repórter do jornal Correio Braziliense e Policarpo Júnior, Editor Chefe da Revista Veja em Brasília”...

Fica claro no inquérito da PF, que a ligação da grande imprensa, especialmente da revista “Veja” com a quadrilha de Carlinhos Chachoeira, longe de ser um jornalismo investigativo, é uma verdadeira sociedade cujos interesses estão voltados para os campos financeiro, político e até ideológicos. Um exemplo emblemático dessa afirmação e do envolvimento da “Veja” com Carlinhos Cachoeira, e que agora se comprova, é com relação à matéria veiculada pela revista, com o título “O Poderoso Chefão”, na qual o jornalista tenta acusar o ex-ministro José Dirceu de articular contra o governo de Dilma. Essa matéria tinha como objetivo rachar o PT e desestabilizar o Governo.

Em um dos trechos do Relatório da PF, o Delegado, relata que o sargento Jairo Martins de Souza, vulgo Índio, um dos comparsas da quadrilha “teria obtido filmagem do circuito interno de segurança do Hotel Naoum e repassado a Policarpo que a utilizaria para reforçar uma reportagem envolvendo o Ex-Ministro José Dirceu. A liberação da filmagem foi dada por Cachoeira...”.

Outro exemplo desse conluio é citado em outro trecho do Relatório da PF. Segundo o Delegado, “Cachoeira utiliza de seu contato com Policarpo para passar informações à revista Veja e criar matérias de seus interesses políticos. Exemplo disso é a reportagem veiculada na página da Vejaonline.com.br, em 02/07/2011, denunciando irregularidades envolvendo o DNIT, que teria sido “estopim” da queda da cúpula do Ministério dos Transportes...Os dados iniciais que deram subsídios à investigação da Veja, que resultou na série de reportagens, teriam sido repassados a Policarpo pessoalmente por Cláudio Abreu, após intermediação feita por Carlinhos. O interesse de Cláudio Abreu deveu-se ao fato de que a DELTA estaria sendo prejudicada nos possíveis negócios escusos envolvendo o DNIT em obras de engenharia..”

O Poder da mídia, após se associar com essa quadrilha foi tamanha, que até o STF, como bem assinala o jornalista Luis Nassif, “se curvou ao terrorismo da revista [Veja], denunciando uma suposta república do grampo – quando, pelos relatórios da PF, fica-se sabendo que o verdadeiro porão do grampo estava na própria ligação da revista com contraventores. O ápice desse terrorismo foi a provável armação da revista com Demóstenes, em torno do famoso “grampo sem áudio” – a armação da conversa gravada entre Demóstenes e o Ministro Gilmar Mendes (ambos amigos próximos) que ajudou a soterrar a Operação Satiagraha.
                                              
Diante desses poucos fatos aqui demonstrados, nos parece que não há dúvida da promíscua relação da grande mídia, especialmente, da revista “Veja” com o bando de “Cachoeira”. Assim, cabe agora aos Parlamentares da CPMI a histórica chance de desnudar as perversas ações dessa quadrilha que, comprovadamente, assaltou os cofres públicos do País e quase levou o Brasil a uma profunda crise institucional. Por outro lado, cabe a nós brasileiros ficarmos atentos, pois está havendo, por parte da própria mídia, uma orquestrada ação corporativa para livrar a revista “Veja” das denúncias e ao mesmo tempo, esconder dos brasileiros as entranhas desse mar de lama, ou melhor, dessa cachoeira de lama que tomou conta também, das redações da grande mídia brasileira. Com a palavra os Parlamentares da CPMI e o Poder Judiciário!

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Código Florestal - WWF-Brasil e SOS Florestas

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não deixe de ver esse histórico vídeo: Protógenes quer CPI da Veja e a da Privataria | Conversa Afiada

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terça-feira, 17 de abril de 2012

SALVAR A PRÓPRIA PELE: ESSA É A PAUTA DA GRANDE MÍDIA


 "...Se há crimes contra Administração Pública, tem de ir para cadeia quem os cometeu" (Senado Demóstenes Torres)

  Nessas últimas semanas o povo brasileiro tem acompanhado o grande escândalo político envolvendo o Senador Demóstenes Torres, “Carlinhos Cachoeira” e sua quadrilha especializada em assaltar os cofres públicos.

 Não resta dúvida de que esse esquema e o da “Privataria Tucana” lideram o ranking dos dois maiores episódios de corrupção da história do Brasil. Porém, parece que setores conservadores da sociedade, fingem não reconhecer tal primazia. A “mídia nativa”, por exemplo, tenta dar contornos diferentes para os dois casos, e os motivos são óbvios: primeiro pelo fato de haver fortes indícios da participação da própria imprensa no caso “Carlinhos Cachoeira”, como por exemplo, o envolvimento da revista “Veja”. E segundo, o gritante medo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) revelar a intima relação da mídia com outros cabulosos casos que aconteceram nesses últimos dez anos, tanto que a própria revista “Veja”, acuada e temerosa, partiu para o ataque e publicou uma matéria detonando o Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT/RS) e se posicionando contrária à instalação da CPMI para apurar o caso do “Carlinhos Cachoeira/Demóstenes”.        
        
Mas malgrado esse desatino da “Veja”, o restante da grande mídia está também em pavorosa e tentando salvar suas peles, e isso vem ocorrendo em conluio com o Senador Demóstenes Torres. Valendo-se dos vazamentos das informações repassadas pelo próprio Senador, que agora tem acesso aos autos do processo, a imprensa tenta se proteger tirando de foco a imagem de Demóstenes e de sua quadrinha. Um grande exemplo dessa tática são as últimas matérias veiculadas pelo “Jornal Nacional”, que insistentemente aposta no suposto envolvimento do Governador de Brasília Agnelo Queiroz (PT) e do Deputado Federal, Protógenes Queiros (PCdoB/SP), nesse episódio. Outra artimanha midiática, é a tentativa de pressionar o STF para julgar, o mais rápido possível, o caso do “mensalão”. Essa manobra tem o seguinte objetivo: apostar na condenação de José Dirceu, o que o levaria para o mesmo patamar de depravação moral de Demóstenes Torres, ou na pior das hipóteses, desviar a atenção do povo e ganhar fôlego para uma nova pauta.

Aliás, analisando essas estratégias o sociólogo, Marcos Coimbra, com a costumeira precisão escreveu na revista Carta Capital: “...É preciso embaralhar as culpas do Demóstenes oposicionista com aquelas de políticos governistas. E era óbvio com quais: os acusados pelo “mensalão”. Eles e Demóstenes tinham de ser igualados. Se esse diversionismo fosse bem sucedido, o escândalo terminaria por ser positivo: aumentaria as pressões para que o STF julgasse logo o caso... A oposição partidária avalia que a volta do assunto às manchetes é uma oportunidade para adquirir novo fôlego. O mesmo vale para os veículos da mídia conservadora, que acreditam que assim poderão fazer seu acerto de contas com o “lulopetismo”.

 

Nesse mesmo sentido, vale destacar também, parte da Nota distribuída pelo Presidente da Câmara, Marcos Maia (PT/RS) que de maneira firme rebate a matéria da “Veja” e levanta algumas dúvidas em relação à postura da revista nesse caso. Diz o Presidente: “...por que a revista “Veja” é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a “Veja” ataca esta CPMI? Por que a “Veja”, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa?
  
Frente a todo esse mar de lama, temos o dever de cobrar do Poder Judiciário e da CPMI maior celeridade na conclusão desse caso e uma dura e exemplar punição para os culpados. A regra é não poupar ninguém, e aqui estão incluídos políticos governistas, de oposição e a própria “mídia nativa” que vive se escondendo por debaixo da capa da liberdade de imprensa para cometer seus delitos, desvios de conduta e seu jornalismo “esgoto”. Chegamos num ponto que não tem mais volta, e como bem afirma o próprio Senador Demóstenes Torres, “...a resposta não pode ser arquivamento sumário, esquecimento, desmoralização...Se há crimes contra a Administração Pública, tem de ir para a cadeia quem os cometeu. Repito: basta! Basta! O Brasil não merece esse espetáculo. Basta!”. Realmente o “pecado do pregador é muito mais grave do que o pecado do pecador”.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Novo encerramento do Jornal Nacional

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terça-feira, 10 de abril de 2012

CAÍRAM AS MÁSCARAS DOS PALADINOS DA MORALIDADE



Que a retórica de Demóstenes tenha força e se cumpra. Odilon de Mattos Filho


Nessas últimas semanas, graças às investigações da Polícia Federal (PF) com a Operação “Monte Carlo”, o brasileiro tomou conhecimento de um dos maiores escândalos da política brasileira, envolvendo o “empresário” Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como “Carlinhos Cachoeira”, e sua quadrilha formada por políticos, empresários, arapongas e parte da imprensa brasileira.

Dentre os investigados pela PF destacamos o ex-paladino da moralidade, Demóstenes Torres, Senador do DEM/GO, e um dos nomes mais cotados para ser o vice-Presidente na chapa de Aécio Neves em 2014. Aliás, foi o próprio “playboy mineiro”, que discursando defendeu e enalteceu a figura do Senador Demóstenes. Disse Aécio: “...para nós que o conhecemos e o conhecemos em profundidade talvez soasse desnecessária sua presença hoje na tribuna do Senado Federal para tratar dessa questão[Carlinhos Cachoeira]...A serenidade que V. Exª demonstra, acompanhada da clareza de seu pronunciamento e da firmeza com que se coloca perante seus Pares só confirmam o caráter de V. Exª. Um homem digno, que sempre agiu dessa forma em todos os cargos públicos que ocupou. E digo mais, é um dos mais preparados e destemidos homens públicos deste País e, por isso mesmo, dos mais respeitados....Com respeito e enorme admiração”.

Não temos dúvidas de que essa Operação da PF alimentada agora pela bombástica entrevista do ex-Prefeito de Anápolis, Ernani de Paula, e de outros fatos que estão surgindo, serão nitroglicerina na CPI que se avizinha. E se tudo vier à tona, certamente, parte da recente história da política brasileira mudará, e o desfecho será trágico para essa acuada oposição e para a desacreditada imprensa brasileira.

Uma das denúncias do ex-prefeito de Anápolis revela que foi “Carlinhos Cachoeira” que preparou as gravações dos casos do Diretor dos Correios, Mauricio Marinho e de Waldomiro Diniz. Com relação a esse último, a fita foi gravada em 2002, quando Waldomiro era dirigente do Governo do Rio de Janeiro, porém, somente em 2004, depois que Waldomiro foi assessor de José Dirceu, que a gravação foi divulgada como se fosse atual. Essa jogada culminou na queda de José Dirceu e deflagrou o factoide denominado “mensalão”. De acordo com o ex-prefeito, essas gravações foram realizadas para que Demóstenes Torres se vingasse de José Dirceu, que teria vetado o seu nome para a Secretaria Nacional de Justiça, o que se daria com a sua saída do PFL para PMDB.

Somada a essa entrevista do ex-prefeito, e robustecendo ainda mais as acusações da participação da revista “Veja” nesse mar de lama, o judicioso jornalista, Luis Nassif postou em seu em seu blog que as gravações feitas pela Operação Monte Carlo “mostram sinais incontestes de associação criminosa da revista [Veja] com o “Cachoeira”. Seriam mais de 200 telefonemas trocados entre Cachoeira e o diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Júnior, nos quais o jornalista informa sobre as matérias publicadas e recebe informações e elogios. Segundo Nassif, “há indícios de que Cachoeira foi sócio da revista na maioria dos escândalos dos últimos anos”.  
                                            
Diante de tudo isso, fica nítido que essa operação da PF, além de seus fins específicos, desnuda parte das inúmeras facetas da nossa política. Uma delas é a existência de uma verdadeira fábrica de produzir factoides, corrupção e escândalos; outra é o lamentável fato da “mídia nativa” ser o principal distribuidor desses produtos. E finalmente, o lado positivo, é a importância de se ter uma Polícia Federal autônoma, independente, republicana, e prontamente preparada para combater esse e outros crimes.  

Assim, e frente a esse escabroso escândalo, vale finalizar esse texto com as precisas palavras do próprio  Senador Demóstenes Torres, que da Tribuna do Senado, costumeiramente, bradava alto e bom som: “...Temos problemas não só de vícios. Temos a prática de delitos aqui dentro. Se há crimes contra a Administração Pública, tem de ir para a cadeia quem os cometeu...Para que existe o Congresso Nacional? Somos um bando de fouchés, figuras menores; figuras que vêm aqui com o único objetivo do enriquecimento pessoal e não para defender os interesses da sociedade; Cada qual pague pelo seu erro, cada qual pague pelo crime cometido, cada qual pague pela improbidade...A resposta não pode ser arquivamento sumário, esquecimento, desmoralização. Repito: basta! Basta! O Brasil não merece esse espetáculo. Basta!”.

Ante esse cinismo do Senador, só nos resta recordar o Poeta, Gregório de Matos: Neste mundo é mais rico o que mais rapa; quem mais limpo se faz, tem mais carepa; com sua língua ao nobre o vil decepa; o velhaco maior sempre tem capa.”

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domingo, 18 de março de 2012

A CRISE POLÍTICA: PERIGO OU OPORTUNIDADE?



"A crise representa purificação e oportunidade de crescimento." (Leonardo Boff) 



Etimologicamente a palavra “crise” é um substantivo derivado do latim “crisis”, que significa momento de decisão ou de mudança súbita. Mas a definição que melhor se enquadra no contexto é aquela que nos é ensinada pelos chineses, que afirmam que essa palavra possui dois ideogramas: um representa perigo e o outro simboliza oportunidade. Feito essa breve observação, vamos aos fatos.

Estamos assistindo nos noticiários dessas últimas semanas, que o Governo passa por uma grande crise com a sua base aliada, especialmente, com PMDB.

Todos nós sabemos da grandeza do PMDB e de sua rica e importante história. Contudo, não é menos verdade, que após a morte de Ulisses Guimarães, o Partido perdeu o seu norte, e nitidamente se prescinde de uma grande liderança nacional, tanto, que o vem sendo comandado por forças regionais ou por “caciques” que militam na política única e exclusivamente, por meio do fisiologismo, mesmo com a forte oposição de importantes quadros do PMDB.

As forças conservadoras do país, capitaneadas pela “mídia nativa”, sabem que o governo está navegando em águas calmas, portanto, rumando para as vitórias nas eleições municipais, e por conseqüência, no pleito de 2014. A única possibilidade de frear esse avanço político seria uma oposição forte, porém, essa se encontra inerte, sem rumo e sem proposta. Assim, resta se valer do fogo amigo, desde que o mesmo seja alimentado até se criar uma crise institucional. E exatamente o que essas forças estão tentando fazer, mesmo sabendo que tal crise pertence ao PMDB, e não ao governo.

Diferentemente do que vem sendo propalado pelos analistas de plantões, que afirmam que a Presidenta Dilma não tem jogo de cintura para comandar essas crises políticas, o que está ocorrendo no Brasil é uma nova e bem vinda modalidade de se fazer política. Inversamente do modelo da “Era FHC”, onde a premissa foi o velho jogo do “toma lá dá cá”, com a Presidenta, o que observamos de fato, é um novo padrão de política, e a grande prova dessa mudança, foram às exonerações de vários Ministros, inclusive, do PT, e tudo isso incomoda aqueles que sempre se locupletaram com as benesses governamentais.

Aliás, analisando esses dois modelos, o mestre Mauro Santayana, escreveu:  “...A maior dificuldade da política reside na busca do equilíbrio entre a ética e a prática do poder. Fernando Henrique, apoiando-se em Max Weber, aludiu a uma ética da responsabilidade, que absolveria os homens públicos. Talvez com isso, o então presidente estaria justificando as manobras de seu competente auxiliar nesses assuntos, o ex-militante de esquerda Sérgio Motta, encarregado de lubrificar as relações com o Parlamento. Em suma, ao considerar necessária, em sua avaliação e em sua conveniência pessoal, as emendas que lhe permitiram a prazerosa reeleição e a  venda dos bens do povo aos empreendedores privados, o presidente se valia da ética weberiana da responsabilidade. Como depois se constatou, não se tratava exatamente da ética, mas de sua contrafação”.
                             
A propósito, nesse mesmo sentido o Presidente Lula falando sobre essa mudança na prática de governar, disse ao Senador Eduardo Braga: “O momento é de transformação. O País vive uma nova realidade econômica e social, por isso é fundamental a renovação e a instituição de novos métodos e práticas políticas.”

Frente a tudo isso, fica claro que a Presidenta Dilma está valendo-se dos seculares ensinamentos chineses, ou seja, reconhece que a crise do PMDB constitui um perigo, mas também, uma oportunidade para inaugurar um novo modelo de fazer política, trocando o retrógrado presidencialismo de coalizão com os conhecidos apadrinhamentos espúrios, por uma nova prática governativa, onde a ética, a eficiência e a probidade constituem, verdadeiramente, os pilares da administração pública. 

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