Respeitem Lula!

"A classe pobre é pobre. A classe média é média. A classe alta é mídia". Murílio Leal Antes que algum apressado diga que o título deste texto é plágio do artigo escrito por Ricardo Noblat (...)

A farsa do "Choque de Gestão" de Aécio "Never"

“Veja” abaixo a farsa que foi o famoso “Choque de Gestão” na administração do ex-governador Aécio “Never" (...)

A MAIS TRADICIONAL E IMPORTANTE FACULDADE DE DIREITO DO BRASIL HOMENAGEIA O MINISTRO LEWANDWSKI

"O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski recebeu um “voto de solidariedade” da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) pela “dedicação, independência e imparcialidade” em sua atuação na corte. (...)

NOVA CLASSE "C"

Tendo em vista a importância do tema, reproduzimos post do sitio "Conversa Afiada" que reproduz trecho da entrevista que Renato Meirelles deu a Kennedy Alencar na RedeTV, que trata da impressionante expansão da classe média brasileira. (...)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

quarta-feira, 19 de abril de 2017

PRECISA DESENHAR...?

DEMOCRACIA, DEMOCRACIA E MAIS DEMOCRACIA...!

Transcrevemos do site Conversa Afiada mais um preciso, corajoso e brilhante texto do respeitado Procurador Federal, Eugênio José Guimarães Aragão


Como tratar a delação de Emílio Odebrecht: ousando mais democracia

Ich nahm die Wahrheit mal aufs Korn
Und auch die Lügenfinten.
Die Lüge macht sich gut von vorn,
Die Wahrheit mehr von hinten.


Traduzindo: -Certa feita mirei na verdade
e também nos dribles da mentira.
A mentira fica bem de frente;
a verdade, melhor de costas (Wilhelm Busch)


O "depoimento" de Emílio Odebrecht é nauseabundo. Merece as aspas, pois mais parece um monólogo em conversa de botequim. A narrativa vem recheada de suposições e visões pessoais, particulares, miúdas. Confirma os estereótipos sobre a política nacional como negócio imundo.

Inevitável é a comparação com a ira ensaiada do discurso de Roberto Jefferson da tribuna da Câmara, que abriu o escândalo do chamado "mensalão". A diferença está no estilo. Enquanto o burguesão Odebrecht se dá ao luxo de olhar com desprezo arrogante para a inhaca em que seu grupo se meteu, o canastrão Roberto Jefferson deblatera com oratória digna advogado de num júri de arrabalde. Já a semelhança está na atitude e no objetivo político. Ambos não estão "arrependidos", de suas confissões. Querem criar uma comoção social para desviar a atenção da gravidade dos seus malfeitos. Para tanto, fazem bom uso do poder midiático que os atores parlamentares ou judiciais – igualmente "atores", no sentido próprio do termo – lhes proporcionam no teatro farsesco.

É tudo farinha do mesmo saco. Jefferson e Odebrecht são delinquentes que se gabam da sua "coragem". Querem passar de gatunos a heróis, às custas da estabilidade política e econômica do país e com a preciosa ajuda da mídia comercial. Esta perdoa a gatunagem ao gatuno delator do inimigo político. Festeja-o como se mocinho fosse, permitindo-lhe posar e esbanjar deboche e cinismo na cara da platéia idiotizada.

Ao mesmo tempo, há uma diferença significativa entre o político e o empresário. Jefferson nada produz. Só subtrai. Já Emílio Odebrecht foi e é o pilar de um dos maiores grupos empresariais do país, Esse grupo tem que ser reconhecido como verdadeiro patrimônio social, gerador de empregos, pagador de tributos, criador de tecnologia e ponta-de-lança da indústria brasileira no mundo globalizado. Um ator desse peso na economia nacional e internacional não escapa de ser também um operador político. A simples magnitude dos recursos por ele movimentados faz com que suas atividades se entrelacem inevitavelmente com interesses do Estado, da Política.

Isso não justifica a inhaca supostamente revelada, apenas a explica. De resto, à diferença de Jefferson, as operações de Odebrecht não tinham viés partidário, mas iam ao encontro das pretensões de todos os políticos, da esquerda à direita. Praticamente ninguém escapou. Quando a infração à norma vira regra, é preciso avaliar se não há algo de errado com ela, porque nesse contexto a infração se sobrepõe à norma, ao aparentemente correto, talvez não tão correto assim.

Para começar, seja qual for a atitude do observador político, de dar ou não crédito ao deboche cínico de Odebrecht, tal atitude deverá ser uniforme diante dos malfeitos de gregos e troianos. Não dá para considerar, de antemão, 100% verdadeiras as afirmações sobre uns e 100% erradas as sobre outros, conforme a simpatia política. As circunstâncias e personalidades envolvidas sugerem ser mais fácil achar que a turba em volta de Temer esteja enterrada até o pescoço na lama do que acreditar no locupletamento pessoal de Lula. Quem conhece a turba, sabe do que seus são capazes. Quem armou um golpe contra a democracia e dele se beneficiou tem menos credibilidade do que quem honrou a soberania popular, fortaleceu no seu mandato os órgãos da persecução penal, dinamizou a economia brasileira e praticou uma política externa "ativa e altiva" e deu ao Brasil uma visibilidade internacional que ele nunca antes tivera.

Mas isso não faz a delação de Odebrecht parecer mais ou menos crível. Sua mácula está no método da sua extração ou extorsão, já que seu autor não parece minimamente arrependido para fazê-la de livre e espontânea vontade. Emílio Odebrecht delatou por temer não só a violência processual contra si e seu filho, mas também o desmoronamento do seu império empresarial. Por isso, tomou uma decisão estratégica que implica entrega tática de informações selecionadas e com endereço conhecido. Isso nada tem a ver com a verdade toda que se quer colocada a nu.

Para o Ministério Público, esse defeito – estético apenas, não processual – parece irrelevante. Tornou pública a delação, assumindo dolosamente o risco da turbulência política que causaria. Mais importante e igualmente dolosa foi a intenção de salvar a própria pele. Tamanha foi a escala de informações, que estas não poderiam ficar em segredo por muito tempo. Pior ainda teria sido o vazamento seletivo, a sepultar de vez a credibilidade da instituição. Importou agora fingir a isenção que o Ministério Público não mostrara antes. Tal atitude revela mais desespero do que um esforço de transparência.

Na operação "Lava Jato", a violência processual e o desrespeito aos direitos fundamentais dos investigados e dos acusados são rotina, a começar pela presunção de inocência, esfolada com a exibição pública de presos e conduzidos. Escutas e outras provas sensíveis tem sido escancaradas à curiosidade coletiva, para destruir reputações perante a sociedade. Tudo foi feito num timing para causar o máximo de impacto político. Juiz e procuradores anunciaram sem qualquer pejo que o apoio da opinião pública era fundamental para o sucesso de sua missão, como se estivessem à cata de uma legitimidade que só o voto pode dar. Paralelamente lançaram anteprojeto corporativo de lei, disfarçado de iniciativa popular, para alavancar seus poderes.

Questionados sobre os abusos cometidos, reagiram e reagem sempre com histeria e histrionismo, acusando os críticos de querer inviabilizar seu "combate à corrupção". Nesse clima de conflagração, a delação, menos do que um prêmio, é uma proteção mínima contra a continuidade do linchamento público. Quem a faz não tem convicção de nada, a não ser da necessidade de se preservar.

Vê-se, pois, uma atuação sobretudo politiqueira do Ministério Público, parte de um projeto de poder corporativo, com uso de instrumentos institucionais. Seu objetivo é o fortalecimento de uma burocracia estatal em detrimento de atores políticos de todos os matizes ideológicos. O resultado é um ataque vil à democracia, reduzida a patinho feio, supostamente deformado pela "corrupção". Querer trocar a soberania popular expressa no voto universal por práticas autoritárias de agentes concursados de uma elite administrativa não é um bom negócio para o país.

É importante que a sociedade tenha clareza sobre o que está acontecendo no Brasil, para não se deixar enganar pela balbúrdia decorrente do trato midiático de indícios processuais de pouco valor. Sempre é bom lembrar que no Estado de Direito é melhor absolver um culpado pela imprestabilidade da prova do que condenar um inocente: In dubio pro reo.

O verdadeiro desafio para a democracia brasileira, neste momento, não está no noticiário da delação de Emilio Odebrecht, mas na forma como lidaremos com a própria delação. Os inimigos da democracia são os que, tendo se omitido diante do golpe, destroem de forma irresponsável o país, vendendo moralismo barato em troca de reconhecimento público.

Diante de corruptos não cabe ser tolerante, mas depois de produzida a prova prestável e rejeitada a prova imprestável, sem qualquer parti pris e sem qualquer esforço de fortalecimento corporativo. É fundamental, também, distinguir entre o que é genuíno desvio de recursos públicos e locupletamento ilícito do que é admitido e tolerado na prática dos embates eleitorais. A criminalização da política não revigora o regime democrático, antes o debilita. Se tais práticas são agora percebidas como inaceitáveis, deverão ser mudadas daqui para frente, por meio de ampla reforma política, que conte com a participação da sociedade e seja feita por quem tenha condições políticas de fazê-la.

Não esqueçamos, porém, que essa reforma é tão importante como a reforma do Estado, que restitua os poderes em seu leito normal, impeça o uso de atribuições funcionais para o reforço de pretensões corporativas e devolva a credibilidade e autoridade às instituições. Só assim sairemos da crise em que nos encontramos, limpando a mancha do golpe e – para citar o famoso lema de Willy Brandt na campanha eleitoral de 1969, da qual ele saiu como chefe de governo da República Federal da Alemanha – “ousando mais democracia”.

Se quisermos combater
-o obscurantismo e o analfabetismo político,

-a privatização e o desmonte do Estado brasileiro,

-a entrega das nossas riquezas a uma autoproclamada elite predatória e a interesses estrangeiros,

-a destruição do mercado interno e das nossas empresas,
-a corrupção,

-a reabilitação da escravidão,

-o ódio,

-a demonização dos que já ousaram mais democracia e interpretaram a democracia não em termos meramente formais, retóricos – na acepção neoliberal de liberdade, que é apenas a liberdade de poucos, dos mais fortes e mais espertos, e exclui os mais fracos –, mas ampliaram-na na direção da longínqua igualdade e da ainda mais longínqua fraternidade...

se quisermos, em resumo,impedir o alastramento da guerra civil, que já está em curso e termina na barbárie, a palavra de ordem será

OUSAR MAIS DEMOCRACIA!

Eugênio José Guilherme de Aragão 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

quarta-feira, 5 de abril de 2017

JULGAMENTO DE TEMER SERÁ NO “DIA DE SÃO NUNCA”

Em artigo escrito neste espaço cometamos o quanto as instituições do Brasil estão fracas, comprometidas e completamente aparelhadas pelo poder político e a beira da vala do esgoto institucional.

Passados, apenas, quatro dias do nosso artigo eis que surge mais uma prova da calamidade que se encontram nossas instituições. Desta feita o escândalo envolve mais um órgão do Poder Judiciário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que se valendo das delações premiadas da lava-jato, tenta agora, completar o jogo sujo do golpe tornando a presidenta Dilma inelegível para os próximos oito anos e bancando o governo ilegítimo de Temer.

No centro do furação deste golpe está a Operação lava-jato que foi perdendo o seu rumo e o seu controle a partir dos vazamentos das delações e da pressão popular que começou a enxergar o viés politico da força-tarefa e passou a cobrar o aprofundamento das investigações. Com essa pressão e os arbitrários vazamentos começaram aparecer os verdadeiros malfeitores do erário público, como, por exemplo, Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Aloísio Nunes, Moreira Franco, Gedel Vieira e o próprio presidente golpista, Michel Temer, dentre tantos outros.

Diante das delações premiadas e dos fortes indícios de irregularidade nas contas eleitorais da chapa Dilma/Temer o TSE se viu no dever de reabrir o processo e aprofundar as investigações sobre as doações de campanha e o uso de Caixa II pela referida coligação.

Frente a esse fato e da real possibilidade da cassação do mandato de Temer, o Planalto iniciou uma grande articulação política/jurídica na tentativa de proteger o presidente golpista, para tanto, as tratativas chegaram, inclusive, ao Ministro Gilmar Mendes que descaradamente encontrava-se, quase que rotineiramente, com Temer e seus aliados. Esse fato foi tão aviltante que mereceu a seguinte manchete da revista Época: “Gilmar Mendes, o Conselheiro do Planalto1” .

Reforçando essa ligação umbilical a BBC Brasil apontou que “Gilmar Mendes e Temer, tiveram nada menos que oito encontros privados desde maio passado2”.

Nesse mesmo sentido, a jornalista Tereza Cruvinel nos lembra, também,  que “..foi Gilmar que forneceu o argumento central da defesa de Temer, quando o julgamento começou a entrar na agenda pública. Em entrevista, afirmou que a jurisprudência do tribunal sustenta a indivisibilidade da chapa, responsabilizando seus dois integrantes por eventuais irregularidades. Mas citou uma exceção: o caso do ex-governador de Roraima Ottomar Pinto, que morreu durante o julgamento de ação pela cassação da chapa que o elegeu governador. O tribunal o condenou mas isentou o vice de responsabilidade e garantiu seu mandato. A defesa de Temer agora se agarra justamente ao caso de Ottomar Pinto para pedir a cisão da chapa, alegando que Dilma e Temer tinham estruturas financeiras separadas...3” 

Aqui temos um típico caso de suspeição prevista no artigo 254 do CPP e do artigo 135 do CPC que se aplica ao Ministro Gilmar Mendes. Uma pela declarada amizade de mais de 30 anos com Temer e outra pela sua, também, declarada ojeriza ao PT, fato que, certamente, será arguido pelos advogados da presidenta Dilma. 

E foi dentro de toda essa articulação política/jurídica que o Planalto apressou-se e elaborou algumas estratégias. Uma delas, como aconselhado pelo Gilmar Mendes, é separar as contas de Temer das de Dilma e se não der certo a ordem é obstruir e procrastinar o julgamento. A procrastinação tem algumas variantes. A primeira é trabalhar para que algum ministro peça vista do processo, a outra é conjuntural, pois, há dois ministros com mandatos que terminam nos meses de abril e maio com isso caberá ao governo às indicações dos substitutos, aliás, um já foi escolhido é o advogado Admar Gonzaga. Certamente, essas escolhas não serão republicanas e tampouco atenderão o princípio da meritocracia, afinal, Temer está com a corda no pescoço e esses dois nomes poderão ser decisivos para as suas pretensões na votação ou nos pedidos de vistas que, regimentalmente, não tem prazo determinado para que o ministro devolva os autos.  

E foi nessa linha da procrastinação que iniciou o julgamento no TSE no dia 04/04/2017, e logo na primeira hora montou-se um escandaloso teatro.

O ex-ministro Guido Mantega é citado várias vezes pelo delator como articulador das doações, no entanto, e por incrível que pareça, o Ministro/Relator Herman Benjamin não acatou o pedido da defesa para ouvi-lo como testemunha. No entanto, no dia do julgamento, estranhamente, o Relator entendeu prudente ouvir o ex-ministro e outras testemunhas, porém, no nosso modesto entendimento, fez um jogo de cena perante seus pares, ao afirmar:"...nós não podemos transformar este processo em um universo sem fim...Nós temos que evitar a procrastinação. Aqui neste processo não é para ouvir Adão e Eva e possivelmente a serpente 4".

A propósito, sobre essas postergações o jornalista Fernando Brito com a sua costumeira acuidade pontificou: “...A atitude do relator Herman Benjamin de sugerir a complementação do prazo de alegações finais e a oitiva de testemunhas que ele próprio negara, quando pedidas pela defesa (no que foi, aliás, acompanhado pelo Ministério Público) mostra não um arrependimento, mas um temor e uma conveniência...O temor de que o processo esteja cheio de nulidades. E a conveniência de que Michel Temer pode contar com tudo o que delongue a cassação de seu mandato....O efeito prático é o de que reabre-se a instrução criminal, na fase de prova, o que “estica” por tempo indeterminado o processo...Por mais que digam o contrário, é inevitável que, após as oitivas e eventuais fatos novos, se peça para apresentar provas...5”. 

Diante de mais essas abjetas e inescrupulosas jogadas de uma Corte Superior fica, cada vez mais patetente, a afirmativa de que nossas instituições, realmente, encontram-se em estado de decomposição e como tal nos força, no caso em tela, a concordar com o jornalista global, Merval Pereira que disse “que esse julgamento fica para o Dia de São Nunca6”. 


















































1 Fonte: http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/01/gilmar-mendes-o-conselheiro-do-planalto.html
2 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/288550/Quem-leva-a-s%C3%A9rio-um-julgamento-de-Temer-presidido-por-Gilmar.htm
3 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/288550/Quem-leva-a-s%C3%A9rio-um-julgamento-de-Temer-presidido-por-Gilmar.htm
4 Fonte: http://oglobo.globo.com/brasil/processo-nao-para-ouvir-adao-eva-a-serpente-diz-relator-do-tse-21158643
5 Fonte: http://www.tijolaco.com.br/blog/julgamento-no-tse-volta-estaca-zero-e-o-proprio-relator-ajudou/
6 Fonte: http://www.tijolaco.com.br/blog/julgamento-no-tse-volta-estaca-zero-e-o-proprio-relator-ajudou/


sexta-feira, 31 de março de 2017

O PT ESTÁ VIVO E PRONTO PARA AS BATALHAS ....!

Preparando para o VI Congresso do PT, o incansável militante Gilson Lyrio e os demais companheiros do gabinete do Vereador Betão (PT/JF) começaram uma espinhosa peregrinação pela região de Juiz de Fora buscando apoio dos Diretórios e Comissões Provisórias do PT para  a unificação, reconstrução e fortalecimento do Partido frente ao bombardeio político/jurídico/midiático que o Partido vem sofrendo nos últimos anos. No dia 30 de março o encontro foi na cidade de Arantina, na residência do companheiro Hélcio, onde se discutiu a conjuntura política, econômica e social do país, a crise que o PT vive e a realização da mais importante eleição (PED) interna do Partido. Este blogueiro apoia a chapa "Defender e Reconstruir o PT" nº 410 para a eleição estadual. A Chapa possui cinco pontos centrais: "Fora Temer e nenhum Direito a menos", "Chega de Conciliação", “Não participar de governo com golpistas", "Constituinte pelas reformas populares" e "Fim do PED". 







quarta-feira, 29 de março de 2017

JUSTICEIROS DA LAVA-JATO, DAS TELINHAS PARA OS TELÕES


Uma das premissas da democracia é ter instituições em pleno funcionamento, sólidas, fortes, autônomas e independentes. No Brasil está claro que essa premissa está abalada, pois, o que observamos hoje são instituições fracas, comprometidas e completamente aparelhadas pelo poder político e a beira da vala do esgoto institucional.

A Operação Lava-jato, por exemplo, deveria ser a prova cabal do funcionamento autônimo e independente dessas instituições, no entanto, o que observamos é que essa operação se transformou em contraprova contra essas instituições, pois, é gritante como o Poder Judiciário, o MPF e a PF estão aparelhados ideológica e partidariamente. A força tarefa responsável por essa operação já nos ofereceu inúmeros exemplos de ações seletivas, arbitrárias e ilegais e tudo sem nenhuma oposição de órgãos ou tribunais superiores. Agem como se fossem meros justiceiros e alegam, ainda, que tudo está sendo feito em nome do "bem maior", uma expressão muito usada nas câmaras de tortura do DOI-CODI, conforme lembrou o Deputado Wadih Damous.

A última notícia envolvendo a força tarefa e suas arbitrariedades e seletividade implica diretamente o comando da PF e está deixando a comunidade jurídica pátria perplexa e enojada pela violência, ilegalidade e sordidez do fato.

Foi veiculado pela revista “Veja” que está sendo rodado um filme brasileiro intitulado “Polícia Federal – A Lei È para Todos”. Este filme está orçado em R$ 15 milhões, mas até agora, estranhamente, não se sabe quem são os investidores e patrocinadores da película. O filme propõe retratar toda trajetória da Operação Lava-jato mas, “coincidentemente”, o seu “gran finale” mostra a condução coercitiva, ou melhor, o sequestro do presidente Lula para depor na sede da PF no aeroporto de Congonhas. O curioso desse enredo é o fato do roteirista ter deixado de fora, com exceção do PT, os demais partidos, parlamentares e os grandes empresários envolvidos na operação lava-jato.

Passou-se a veicular na imprensa que o filme recebeu da PF um vasto material como vídeo e áudio mostrando a condução coercitiva do presidente Lula, inclusive, imagens do prédio e do interior de seu apartamento e da carceragem da PF em Curitiba. Além desse material, o jornal “Folha de São Paulo” (on line 13/02/2017) noticiou que “arma, uniforme, carro, helicóptero e avião foram cedidos pela PF[1]” para as gravações.

O mais grave dessa esculhambação é com relação ao vídeo com as imagens da condução coercitiva do presidente Lula. O Juiz Sérgio Moro deixou claro no mandado a seguinte ordem: “NÃO (juiz grafou em letras maiúsculas) deve ser utilizada algema e NÃO deve, em hipótese alguma, ser filmado ou, tanto quanto possível, permitida a filmagem do deslocamento do ex-presidente para a colheita do depoimento2”. Diante disso não pairam dúvidas de que os agentes da PF cometeram abuso de autoridade, infringiram a lei e descumpriram ordem judicial, delitos passíveis de severa punição administrativa e judicial.

Outro caso ignóbil, ilegal e arbitrário foi o fato da PF possibilitar que os atores fizessem um “tour” pela carceragem da PF de Curitiba, onde se encontram vários presos envolvidos na operação lava-jato. Há, ainda, a suspeita, segundo o Deputado Waldih Damous (PT/RJ), de que os artistas fizeram uma espécie de "laboratório" junto ao Juiz Moro e com os Procuradores da força tarefa.

Aliás, com relação à visita a carceragem da PF o ator Ary Fontoura que faz o papel do presidente Lula confirmou tal participação: “...Vim [a sede da PF em Curitiba] assistir às gravações que a PF fez da condução coercitiva do Lula3”.

Por sua vez, o produtor do filme Tomislav Blazic afirma ao jornal Folha de São Paulo que havia feito “acordo sem precedentes com a Polícia Federal4”, realmente, não há precedente de tamanho arbítrio.

Logo após a divulgação destes fatos houve inúmeras reações, não contra o filme que está amparado pela prerrogativa constitucional da livre manifestação, mas contra a ilegal participação e a colaboração da Polícia Federal com os produtores cinematográficos.

O advogado Martim de Almeida Sampaio, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB reagiu energicamente dizendo que a autorização para a visita dos artistas à carceragem foi “...um espetáculo de horror...Aquelas pessoas estão presas, muitas sem julgamento, e são submetidas à atração pública como animais no zoológico. A Constituição proíbe essas violações ao direito de imagem..5

O advogado Ivo Velloso assim se manifestou: “...Não acredito que uma violação tamanha à dignidade humana tenha sido autorizada por um órgão cuja finalidade é justamente proteger essas pessoas...6

Já os advogados de Lula questionam na Justiça esse sórdido episódio afirmando que se não bastasse outros abusos “...a escalada dos ataques à pessoa de Lula atinge agora limite inimaginável com a produção cinematográfica de “Policia Federal - A lei é para todos"...a quem interessa financiar um filme que elege, seletivamente, como principal símbolo da atuação da PF no combate à corrupção a ilegal condução coercitiva de Lula, ignorando outros tantos fatos e pessoas que compõem a história da referida operação? A quem interessa macular a imagem do ex-presidente, justamente quando simulações de institutos de pesquisa o colocam em posição de destaque na disputa presidencial de 2018 ?7

Por sua vez, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), amparado na Lei de Acesso à Informação (LAI) requereu à PF no dia 22/02/2017 uma série de questionamentos de possíveis ilegalidades nesta relação entre a PF e a equipe de filmagem. No pedido o deputado requer entre outras informações as seguintes: “em qual legislação a PF está amparada para permitir, entre outros, o compartilhamento de informação com produções cinematográficas; o acesso de arquivos sigilosos para atores e atrizes; o empréstimo de locações, veículos, helicópteros, armas e uniformes para a realização de obras de ficção; e a permissão para a autorização de visitas da equipe do filme às celas dos detidos pela Operação Lava Jato. É papel da PF colaborar com produções cinematográficas..?8

Mas passados mais 30 dias do silencio do diretor-geral da PF o deputado vai encaminhar o caso para o MPF, pois, a referida lei prevê em seu artigo 32 que retardar deliberadamente ou recusar fornecer as informações constitui conduta ilícita e pode caracterizar improbidade administrativa do servidor responsável pelas informações.

Realmente, estamos diante de uma esculhambação, e esse gravíssimo caso envolvendo agentes públicos que depois das telinhas ganharam os telões comprova que, decididamente, os comandantes da Operação lava-jato perderam o pudor e cometem, sistematicamente, arbitrariedades e ilegalidades sem nenhuma cerimônia. E para ajudar a combater esses excessos esperamos que o projeto de lei que trata do abuso de autoridade, seja, rapidamente aprovado pelo Congresso Nacional.

Assim e diante de toda essa baderna institucional, só nos resta aguardar que a MPF e a Justiça (do que restam dessas instituições) investigue e pune, severamente, os responsáveis por esse espúrio e, em tese, criminoso caso de pareceria entre a PF e os financiadores ocultos do referido filme. Caso contrário, o sistema judiciário será apontado pela sociedade como coautores desse sórdido episódio cinematográfico. Será que "ainda há juízes em Berlim..?








[1] Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1869593-defesa-de-lula-quer-apurar-ajuda-dada-pela-policia-federal-a-filme.shtml
2 Fonte: http://www.cadernodematerias.com/2017/03/lula-aciona-moro-contra-filme-sobre.html
3 Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/brasil/sordidez-diretor-da-pf-esconde-video-da-cama-de-d-marisa
4 Fonte: jrnalggn.com.br/noticia/moro-da-as-palavras-o-sentido-que-quer-o-direito-atraves-do-espelho-por-lenio-luiz-streck
5 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1869593-defesa-de-lula-quer-apurar-ajuda-dada-pela-policia-federal-a-filme.shtml
6 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1869593-defesa-de-lula-quer-apurar-ajuda-dada-pela-policia-federal-a-filme.shtml
7 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1869593-defesa-de-lula-quer-apurar-ajuda-dada-pela-policia-federal-a-filme.shtml
8 Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/brasil/sordidez-diretor-da-pf-esconde-video-da-cama-de-d-marisa

terça-feira, 28 de março de 2017

NÃO AO ESTADO MÍNIMO, GREVE GERAL E ELEIÇÕES DIRETAS JÁ!


Até mesmo ermitões ou monges enclausurados têm consciência dos objetivos do golpe político/jurídico/midiático ocorrido no Brasil em 2016. Esse atentado à democracia, que tem a participação do Poder Judiciário, da “mídia nativa”, do sistema financeiro nacional e internacional e de boa parte do empresariado, busca a qualquer custo, desmontar o Estado Social e criar as condições necessárias para implantar o Estado Mínimo com a destruição das conquistas sociais, dos direitos da classe trabalhadora, da entrega de nossas riquezas ao capital internacional e por fim a negação completa à nossa soberania.

Aliás, não podemos nos esquecer de que além destes agentes, participaram do golpe instituições de Estado e da iniciativa privada dos EUA e isso não se trata de uma mera teoria da conspiração, mas sim, uma constatação que é denunciada pela rede britânica BBC que noticiou que o Citibank é conselheiro informal do governo brasileiro na privatização de empresas e reservas naturais do país. Segundo a BBC, “...apostando no programa de privatizações do governo brasileiro, que pretende transferir áreas de mineração e exploração de petróleo e gás, usinas e empresas de energia, portos, ferrovias e outros, o banco americano patrocinará um encontro entre seus principais clientes e ministros brasileiros em Nova York no mês que vem. Não será a primeira vez. Em setembro do ano passado, dias depois do lançamento do pacote, o banco apresentou bilionários a Temer e aos ministros Henrique Meirelles e Moreira Franco, que foram pessoalmente ao encontro de negócios em um hotel em Manhattan... Não há nenhum contrato ou vínculo formal de cooperação entre o banco e o governo Temer. Mas a máxima dos investidores de Wall Street permanece intacta: “Não existe almoço grátis” nos Estados Unidos...É claro que estamos aqui tentando proteger os interesses do banco...1”

E os primeiros passos para essa atrocidade contra o povo brasileiro já foram dados. Nossa grande empresa Petrobras caminha para a privatização; nosso passaporte para o futuro o pré-sal já foi entregue às empresas internacionais; acabaram com a exigência do conteúdo nacional que preservava os empregos nas plataformas; nossas férteis terras poderão ser adquiridas por estrangeiros; a saúde e a educação caminham a passos largos para a privatização e as gigantescas empresas brasileiras bem como os grandes projetos que fortaleceriam a nossa soberania foram, sumariamente, destruídas. Resultado preliminar: desemprego chegando a 21% da população em idade produtiva no Brasil, ou seja, são 23 milhões de cidadãos desempregados.

Os próximos passos são os ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora por meio das reformas, ou melhor, da destruição da previdência social e o estupro à maior lei de amparo aos trabalhadores que é a CLT.

Com relação à Previdência Social, mesmo não acreditando nessa hipótese, ainda há alguma chance de se reverter no Senado, pois, os movimentos sociais, os Partidos de esquerdas e a classe trabalhadora já deram claros sinais de que vão as últimas consequências para barrar a privatização da previdência e o desmonte do Estado.

Já o fim da CLT, sejamos francos, os golpistas foram muito espertos! Michel Temer em conluio com os Deputados despertaram de um sono profundo o PL nº 4.330 que trata da terceirização e que já fora aprovado no Senado em 1988 (FHC). Esse Projeto foi colocado em votação na Câmara dos Deputados em regime de urgência e aprovado na calada da noite do dia 22/03/2017. Porém, essa votação foi, liminarmente, suspensa pelo STF. Mas diante da importância da matéria como um dos pilares do golpe, entendemos que as forças do capital tentaram de tudo para aprová-la e por outro lado as forças do trabalho não medirão esforços para deter a aprovação desse projeto. Será um cabo de guerra entre o capital e o trabalho!

Este projeto, diferentemente, do que muitos pensam, não trata apenas da possiblidade de uma empresa terceirizar as atividades-meio e as atividades- fim, o nefasto projeto causa a precarização das condições de trabalho como a redução salarial, abolição da equiparação salarial, enfraquecimento dos sindicatos, benefícios concedidos em acordos e convenções coletivas de trabalho que não alcançarão os terceirizados; maior dificuldade de reinserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho; prejuízo à saúde e segurança do trabalhador e ampliação de 90 para 180 dias o contrato temporário, impedindo que o trabalhador preste, novamente, o mesmo tipo de serviço à empresa antes de decorridos três meses.

A propósito, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), assim se manifestou: ”...A proposta, induvidosamente, acarretará para milhões de trabalhadores no Brasil o rebaixamento de salários e de suas condições de trabalho, instituindo como regra a precarização nas relações laborais...Não se pode deixar de lembrar a elevada taxa de rotatividade que acomete os profissionais terceirizados, que trabalham em média 3 horas a mais que os empregados diretos, além de ficarem em média 2,7 anos no emprego intermediado, enquanto os contratados permanentes ficam em seus postos de trabalho, em média, por 5,8 anos...O já elevado número de acidentes de trabalho no Brasil (de dez acidentes, oito acontecem com empregados terceirizados) tende a ser agravado ainda mais, gerando prejuízos para esses trabalhadores, para a Sistema Único de Saúde e para Previdência Social que, além do mais, tende a sofrer impactos negativos até mesmo nos recolhimentos mensais, fruto de um projeto completamente incoerente e que só gera proveito para o poder econômico... Por essas razões, a Anamatra lamenta a aprovação do PL nº 4302/98, na certeza de que não se trata de matéria de interesse da população, convicta ainda de que a medida contribuirá apenas para o empobrecimento do país e de seus trabalhadores..2.”


Outra crueldade é que os prejuízos causados aos trabalhadores por esse projeto são transformados em lucros fáceis para os empresários, não foi por menos que o projeto foi aprovado a toque de caixa e sem debate com os trabalhadores.


Aliás, nesse sentido a Professora e Doutora Paula Marcelino, da USP em entrevista ao jornalista Luiz Nassif, disse: “...A lógica [da terceirização] é o lucro. Só se extrai lucro do trabalho vivo, não se extrai mais valia de máquina, de trabalho morto. A partir do momento que você passa a pagar a metade do salário para o trabalhador terceirizado, as empresas estão visando seus lucros. Em alguns casos, na verdade a empresa externaliza os conflitos com a força de trabalho e diminuindo o salário. Logo, esse conflito que passa a ser administrado por outra empresa, e não por ela. Então tem várias vantagens para uma empresa terceirizar os seus serviços...3”.

Frente a tudo isso e muito mais que nos aguarda com este governo golpista, entreguista e elitista, só nos resta sair às ruas e gritar forte e decididamente: não ao Estado mínimo, greve geral, constituinte exclusiva e eleições diretas já! 

















1 Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39413043
2 Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/286524/Ju%C3%ADzes-trabalhistas-Brasil-virou-selva.htm
3 Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/sociologa-diz-que-trabalhador-terceirizado-ganha-50-menos-que-%E2%80%9Cestaveis%E2%80%9D

quarta-feira, 22 de março de 2017

NOSSA SOLIDARIEDADE AO BLOGUEIRO EDUARDO GUIMARÃES

Postamos neste espaço, há pouco tempo atrás, artigo intitulado Eu sou a lei. No texto procuramos mostrar a perene e primitiva ação persecutória ao presidente Lula e os constantes e flagrantes atentados à Constituição Federal praticados pelo Poder Judiciário, pelo MPF, pela PF, em especial pelo paladino da moral (que recebe acima do teto) Sérgio Moro, chamado pelo deputado federal Wadih Damous (PT/RJ) de o "fora da lei".

Saltam aos olhos os objetivos da Operação lava-jato! Se antes esperávamos uma operação para combater a corrupção no país, hoje, fica clara a seletividade e partidarização dessa operação que tem objetivos bem maiores, tais como: liquidar as empresas brasileiras, entregar nossas riquezas ao capital privado dos EUA, criminalizar o PT, a esquerda e os movimentos sociais e liquidar com o capital moral e político do presidente Lula.

Aliás, neste sentido o mestre Emir Sader escreveu: “...Moro se viu alçado, por um conjunto de circunstâncias, internas e externas, a participante de um projeto de instauração de um Estado de exceção no Brasil. Escolhido pelos EUA para ser o regente das acusações que desarticulariam o governo do PT e, com ele, o potencial produtivo do país. Está cumprindo rigorosamente esse roteiro[1]”.

Citamos no artigo anterior uma série de arbitrariedades cometidas pelo juiz Sérgio Moro, inclusive, contra Lula, fatos que mereceram severas críticas da comunidade jurídica pátria e internacional e que levaram os advogados do presidente Lula a representar contra este magistrado junto Corte de Direitos Humanos da ONU denunciando que no lugar do devido processo legal o que está em curso na justiça brasileira é a prática do Lawfare contra Lula, ou seja, o uso indevido dos recursos jurídicos para fins de perseguição política. 

Mas pelo andar da carruagem, não há limites para o juiz Sérgio Moro. Realmente, ele é a lei!

No dia 21/03/2017, por mais uma vez, o nobre magistrado da Província de Curitiba mostrou todo seu poder. As 6 horas a PF munida de um mandado judicial expedido por Moro, apreendeu computadores, celulares, HD’s, pendrives, etc na casa do blogueiro Eduardo Guimarães e o conduziu coercitivamente para prestar depoimento. Segundo informações Moro quer confirmar quem vazou, à época, para o blogueiro a condução coercitiva de Lula.

Neste lamentável e violento episódio policialesco há arbitrariedades que já se tornaram comuns nesse regime de exceção e que estão colando em cheque a credibilidade do Poder Judiciário, da PF e do MPF. Uma delas é o sistemático descumprimento do artigo 260 do CPP que prevê que a condução coercitiva só se justifica quando o investigado ou denunciado nega cumprir intimação para depor. Este dispositivo legal por duas vezes, no mínimo, foi violentado, como aconteceu na condução do presidente Lula e agora com blogueiro Eduardo Guimarães.

No caso do blogueiro Eduardo, além, dessa ilegalidade houve, também, um flagrante atentado à CF/88, notadamente ao inciso IV do Artigo 5º que prevê a livre manifestação do pensamento, ao inciso XIV do mesmo artigo que assegura a todos o acesso à informação resguardado o sigilo da fonte e ao artigo 220 que garante a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo sem qualquer restrição. 

Moro para justificar tais arbitrariedades contra Eduardo Guimarães alega que o mesmo não é jornalista, por essa razão, não está protegido pela prerrogativa Constitucional. Porém, o “judicioso” magistrado se esqueceu que o STF decidiu em 2009 que o diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão, portanto, todos que militam com a informação ao público estão protegidos por essas prerrogativas constitucionais.

Este fato foi de tamanha violência que jornalistas, sabidamente, do campo da direita reacionária reagiram com veemência. Reinado Azevedo da revista "Veja", por exemplo, assim se manifestou: “Se a razão da condução foi o tal vazamento, trata-se de algo inaceitável. E não falo só por ele, mas também por mim e por todo mundo. Se aceito que se cometa uma arbitrariedade contra quem não gosto, ponho, é inevitável, uma corda no meu próprio pescoço..[2]

Já Ricardo Noblat do "O Globo", outro jornalista do campo reacionário disse em seu Twitter que Moro “deve melhores explicações a respeito”. Afirmando ainda que jornalista que publica informações vindas de vazamento não comete crime. “Ninguém mais do que a PF vaza informações que lhe interessam”. E finalizou respondendo um seguidor que o questionou por Guimarães não ser jornalista profissional: “Nada na lei proíbe um blogueiro de ser político e não jornalista..3”.

Para a ONG ‘Repórteres sem Fronteiras’ com sede em Paris “..a condução coercitiva desse jornalista já é por si só um abuso, já que ele não havia sido convocado para depor nem se negado a fazê-lo. É um recurso abrupto para forçar o depoimento. Está claro que houve tentativa de quebra do sigilo da fonte, agravada pela condução coercitiva. Isso é “uma clara violação do direito de sigilo da fonte do jornalista, o que é preocupante...4”.

Neste mesmo sentido, Procuradores e Promotores de Justiça, com atitude corajosa e fieis às suas atribuições constitucionais, notadamente, a de fiscal da lei, com firmeza reagiram: “...O Coletivo por um Ministério Público Transformador externa sua preocupação com possível violação do direito à liberdade de expressão, em sua vertente do direito de comunicar informação, por decisão judicial questionável que determinou a condução coercitiva de autor de blog jornalístico para prestar declarações sobre a identidade de fonte, bem como que determinou a busca e apreensão de objetos e quebra de sigilo de dados que podem levar à descoberta da identidade de fonte jornalística. A ingerência, em tese indevida, é uma afronta à liberdade de expressão e à própria garantia de uma sociedade democrática... 5

Realmente não há limites para o verdugo da Província de Curitiba! E pelo que nos parece não há nada que possa detê-lo nessa sanha policialesca em busca do grande troféu chamado Luiz Inácio Lula da Silva.

A propósito o brilhante sociólogo Emir Sader escreveu: “...Ele [Sérgio Moro] se comporta como uma criança amuada que, contrariada, age para testar os limites do que é suportável que ele faça. Como se estivesse treinando para tentar dar o bote sobre o Lula – sua vítima maior.... Moro testa os limites do regime de exceção, para saber se pode contribuir para transformá-lo em Estado de exceção, mediante um segundo golpe...6”.

Mas o mais surpreendente desse caso foi o fato do Juiz Sérgio Moro voltar atrás em sua decisão e reconhecer o seu erro. Certamente isso só ocorreu depois da avalanche de críticas de jornalistas e juristas nacionais e internacionais. O que não pode agora é mais esse ato de arbitrariedade passar impunimente, já basta a gritante inconstitucionalidade do grampo no telefone da presidenta Dilma que serviu de munição à sua queda e que impediu que o presidente Lula assumisse a Casa Civil. Chega! A suspeição desse magistrado para julgar o presidente Lula é imperiosa, caso contrário, essa operação estará fadada a cair diretamente na vala de esgoto do Poder Judiciário.

Realmente tudo isso é muito abjeto e mostra a que ponto chegou essa Operação Lava-jato e todo o sistema Judiciário do Brasil! A nós blogueiros "sujos" resta, nesse episódio, prestar nossa solidariedade ao companheiro Eduardo Guimarães e demonstrar o nosso veemente repúdio a mais esse ato de ilegalidade, inconstitucionalidade e arbitrariedade cometido pelo Juiz Sérgio Moro contra o Estado Democrático de Direito.




[1] Fonte: http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/286201/Moro-testa-os-limites-do-regime-de-exce%C3%A7%C3%A3o.htm
[2] Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/conducao-forcada-de-blogueiro-petista-constituicao-e-o-que-penso/
3 Fonte: http://www.revistaforum.com.br/2017/03/21/ate-jornalistas-de-direita-criticam-moro-por-conducao-coercitiva-de-eduardo-guimaraes/
4 Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/286360/Rep%C3%B3rteres-sem-Fronteiras-Moro-atentou-contra-a-liberdade-de-express%C3%A3o.htm
5 Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/brasil/moro-procuradores-defendem-os-blogueiros-sujos
6 Fonte: http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/286201/Moro-testa-os-limites-do-regime-de-exce%C3%A7%C3%A3o.htm

quinta-feira, 16 de março de 2017

MUITO MASSA O VÍDEO..! E O POEMA DE VINÍCIOS É O HINO DA CLASSE TRABALHADORA...!


Depois das fantásticas manifestações populares do dia 15 de Março contra os projetos do governo golpistas que pretende retirar dos trabalhadores direitos e conquistas, segue um magnifico vídeo ilustrando o belo poema intitulado “Operário em construção” do brilhante e saudoso Vinícius de Moraes. Que este poema fortaleça, ainda mais, o sentimento de unidade da classe trabalhadora contra as barbáries patrocinadas pelos golpistas/fascistas..Um fraterno abraço aos trabalhadores de todo mundo...!
O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
Rio de Janeiro , 1959
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: 
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 
E Jesus, respondendo, disse-lhe: 
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas 
Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 
 De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 
Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 
E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução.

Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.