Respeitem Lula!

"A classe pobre é pobre. A classe média é média. A classe alta é mídia". Murílio Leal Antes que algum apressado diga que o título deste texto é plágio do artigo escrito por Ricardo Noblat (...)

A farsa do "Choque de Gestão" de Aécio "Never"

“Veja” abaixo a farsa que foi o famoso “Choque de Gestão” na administração do ex-governador Aécio “Never" (...)

A MAIS TRADICIONAL E IMPORTANTE FACULDADE DE DIREITO DO BRASIL HOMENAGEIA O MINISTRO LEWANDWSKI

"O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski recebeu um “voto de solidariedade” da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) pela “dedicação, independência e imparcialidade” em sua atuação na corte. (...)

NOVA CLASSE "C"

Tendo em vista a importância do tema, reproduzimos post do sitio "Conversa Afiada" que reproduz trecho da entrevista que Renato Meirelles deu a Kennedy Alencar na RedeTV, que trata da impressionante expansão da classe média brasileira. (...)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

“ISTO É” COISA DE JAGUNÇO E NÃO DE JORNALISMO...!

Por: Odilon de Mattos Filho
Desde o início do século XIX, a palavra imprensa foi descoberta como um grande potencial econômico e ideológico, invertendo o seu papel de meios de comunicação da cultura popular para se tornar uma empresa “abertamente organizada por empresários da indústria do lazer, fortemente estruturada em função de certo público-massa e, necessariamente, distinta das experiências da alta cultura1” (Eclea Bosi).

E realmente a psicóloga e escritora Eclea Bosi tem razão. A imprensa se tornou um grande negócio e a política um dos maiores caixas para o lucro fácil dessas empresas. 

Sabemos que os editoriais têm como objetivos trazer a opinião do jornal ou da revista sobre determinada matéria. No Brasil, além dos editoriais, os jornalistas da grande mídia trabalham como caixas de ressonâncias do “pensamento único” de seus patrões, ou seja, até as reportagens possuem teores opinativos dos donos dos jornalões.

Como se sabe, no Brasil os “Barões da mídia” se comportam como as elites cheirosas, ou seja, instigam o ódio, o preconceito, a intolerância e são, declaradamente, contrários aos programas de inclusão social, como por exemplo, as cotas raciais, Bolsa Família, o ProUni, ENEM, etc. Esse comportamento da mídia nacional é de fácil explicação: os donos dos meios de comunicação, digo, dominação, não querem a ascensão social das camadas mais pobres, pois, isso significa menor controle e dominação da classe pobre.

Na última semana e corroborando esse mau comportamento da mídia hegemônica, vazou nas redes sociais um comentário racista de um dos mais bem pagos e conhecido jornalista da Rede Globo, William Waack. Antes de iniciar uma entrevista com um convidado nos EUA o jornalista global, sem perceber que os microfones estavam ligados reclamou de um barulho de buzina e disse a seguinte e abjeta frase: “Tá buzinando por que, seu merda do caralho? Não vou nem falar, que eu sei quem é. Sabe quem é, né? Preto, né!? Isso é coisa de preto, com certeza...2”.

Não deu outra: esse comentário racista e sujo foi parar nas redes sociais e teve uma gigantesca repercussão negativa, tanto, que Rede Globo, com receio de que tal despautério respingasse na sua imagem, agiu com rapidez e afastou William Waack de seus programas. 

Esse repugnante comentário, por ironia do destino,  joga por terra a “tese” defendida no livro “Não somos racistas” escrito pelo Diretor de Jornalismo da Rede Globo Ali Kamel que tenta vender a ideia de que o brasileiro não é racista.

A propósito, sobre essa fala de William Waack o Relações Públicas Alex Hercog, escreveu:”...Há uma cortina de fumaça no Brasil que busca desprezar o racismo estrutural que compõe a sociedade e as instituições brasileiras, e que vende a ideia de que o racismo só é manifestado a partir de ofensas e xingamentos...O discurso midiático racista é o mesmo que nos ensina que trabalhadores e trabalhadoras são baderneiros, quando fazem manifestações e atrapalham o trânsito. E que o sem-terra é um invasor ou que o problema do tráfico de drogas se concentra nas favelas...E é compreensível esse discurso. Basta analisar quem está por trás dos âncoras e das reportagens,quem são os donos da mídia e quem os financia. Não espere que a Globo, ao tratar dos altos índices de homicídio, chegue ao problema das drogas e, ao chegar, se depare com as fazendas do agronegócio por onde os helicópteros carregados de cocaína pousam e decolam...Esse fato é omitido, afinal de contas, são os barões do agronegócio que enchem os bolsos dos magnatas globais e não as milhares de família, em sua maioria negras, que sequer têm um pedaço de terra..3”.

Passados poucos dias desse vergonhoso e criminoso fato, eis que surge mais um Global destilando seu ódio, sua intolerância e, em tese, cometendo, também, outro delito, desta feita o de incitação à prática de crime (Art. 286 do CP). O provável crime fora praticado pelo, também, jornalista, Mario Vitor Rodrigues da revista IstoÈ. A matéria assinada por ele trás o seguinte e sórdido título: “Lula deve morrer”. Lendo a matéria nota-se, por óbvio, que o jornalista diz morte de Lula em sentido figurado, porém, sabemos que nesse momento de intolerância que o Brasil vive e a impiedosa caçada ao presidente Lula, esse título é como atear gasolina na fogueira, ou seja, pode despertar a ira dos apoiadores de Lula e por outro lado, fomentar, ainda mais, o ódio daqueles que, realmente, torcem e querem a morte do presidente Lula. 

Como não poderia ser diferente, a matéria ganhou grande repercussão e revolta nas  redes sociais. Temeroso, Mário Vitor que não tem culhões para arcar com as consequências de seus atos, acovardou-se diante do eco negativo de sua matéria e como um cordeiro, uma vítima hipócrita, apagou suas contas nas redes sociais e foi correndo à Delegacia Civil solicitar proteção policial. 

Aliás, comentando essa provocação do  canalha Mário Vitor, o seu colega Paulo Moreira Leite escreveu: “...Após lançar o fantasma de um crime no ar, o passo seguinte é assumir a posição de vítima e alegar que tem sofrido ameaças. O terceiro lance é convencer as autoridades policiais começar a busca de "suspeitos". O quarto é enrolar-se na bandeira da liberdade de imprensa e denunciar "petralhas autoritários que apoiam Lula". E assim por diante, na infinita história das operações sujas contra a luta dos trabalhadores..4.” 

Neste mesmo sentido o sociólogo Marcelo Zero “golpeia” Mário Vitor:”... De fato, o artigo, um somatório mal-ajambrado de clichês antipetistas, choca pela estupidez manifesta e pelo ódio desavergonhado. Mas não surpreende. O golpe abriu a porteira para uma direita tão obtusa quanto violenta. Há muito que o Brasil foi tomado por uma horda de insanos protofascistas...O artigo do bocó da revista sustentada por generosas verbas governamentais é apenas mais uma da série infindável de violentas manifestações antidemocráticas. Assim, não se trata de ponto fora da curva. O que esta definitivamente "fora da curva" em uma sociedade democrática é o espaço e o poder que se dá a essas figuras intelectualmente nulas e moralmente abjetas..5.”.

Diante de todo esse lamaçal midiático podemos chegar à conclusão de que a grande mídia brasileira, longe da prática de um jornalismo independente, plural, responsável e investigativo, não passa de meras empresas que vivem em compadrio com as elites oligárquicas do país e tendo nos seus  jornalistas, com raras exceções, meros e desprezíveis jagunços a serviço de seus patrões, os barões da mídia.























2 Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/muito-alem-do-cidadao-waack-o-racismo-estrutural-na-midia-brasileira
3 Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/muito-alem-do-cidadao-waack-o-racismo-estrutural-na-midia-brasileira
4 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/327093/Provoca%C3%A7%C3%A3o-'Lula-deve-morrer'-tem-roteiro-cl%C3%A1ssico.htm
5 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/327205/O-%C3%B3dio-deve-morrer.htm

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O PRECONCEITO RACIAL É MANIFESTO NO BRASIL!

Republicamos do site DCM esse belo depoimento sobre a triste realidade do preconceito racial no Brasil. 

Ele foi aprovado numa seleção porque o outro candidato era negro. E relembra essa história

Era setembro de 1996. Eu tinha 21 anos, era recém-casado e tinha um filho recém-nascido. Estava sem emprego e sem dinheiro. Cursava o último ano da graduação de História na USP. Tinha pouca experiência profissional e havia mandado meu currículo para um sem número de escolas da capital e da grande São Paulo. Em outubro, recebi um telefonema para o início de um processo seletivo em um dos mais tradicionais colégios de São Paulo.

Às 15:00 de uma terça-feira eu e outras dezenas de candidatos fomos confinados em uma enorme sala de aula. Sentei-me no fundo da sala, como sempre havia feito quando era aluno. Uma senhora de avental azul entrou na sala com um pacote de provas. O processo seletivo se iniciou com uma simples prova de conhecimentos da área de História. Fui alertado, pela mesma senhora, que qualquer erro faria o candidato ser eliminado. Com a ajuda de alguns candidatos as provas foram distribuídas e recebemos todos o tempo de uma hora e meia para responder vinte questões dissertativas de vestibular.

Uma semana e meia depois dessa avaliação fui comunicado de que havia sido aprovado para a próxima fase do processo seletivo. Agora deveria ser submetido a testes psicológicos. Nesse momento me municiei de um enorme sentimento de desprezo por essa escola e esse sistema seletivo. Talvez isso tenha sido um mecanismo de auto-defesa, não sei… A verdade é que fui para esses testes com enorme confiança e dois dias depois fui informado que havia sido aprovado também nesse processo.

A escola estava agora entre dois candidatos – assim fui informado por telefone – e seria entrevistado pela direção da escola e o coordenador da área. Minha entrevista foi marcada para as 16:00h. Fui de metrô até a Vila Mariana e cheguei bem adiantado, por volta das 15:30h (algo típico de São Paulo, pois o caos no transporte público nos faz ser sempre prevenidos e, por isso, por vezes chega-se muito adiantado ou muito atrasado a um compromisso, mas quase nunca pontualmente).

Quando cheguei, fui informado pela secretária que a entrevista com o outro candidato ainda não havia acabado. Isso significa que me encontraria pessoalmente com o meu “concorrente”. Confesso que estava nervoso. Eu precisava muito daquele emprego… Ele seria um divisor de águas para minha carreira. Tentava, entretanto, me consolar – caso não fosse aprovado – com o fato de já ter ido longe demais para alguém que nem mesmo era formado em História. Entretanto, isso ainda não havia me acalmado…

Eram 15:50h quando o outro candidato acabou a entrevista e abriu a porta da direção. Eu o conhecia de vista. Era também da USP. Diferentemente de mim, ele já era formado em História. Mais que isso, tinha mestrado e doutorado. Era um aluno da pós-graduação de um dos melhores professores daquela Faculdade, o professor Elias Thomé Salibas. Eu já havia assistido algumas palestras desse meu “concorrente” na própria universidade.

Ele era inteligente, falava muito bem e era muito bem apresentável. Quando ele me viu, abriu um sorriso e perguntou: “Ei! Você não é um bicho da Hsitória?” estendi minhas mãos, o cumprimentei e cordialmente respondi, “Sou… Você é aluno do Elias, não é…?” Ele confirmou, nos despedimos e ele partiu.

Nesse momento me senti absolutamente aliviado… Mais que isso me senti feliz… Pois tinha agora a certeza de que havia conseguido aquele emprego… Por maiores que fossem as qualidades profissionais de meu “oponente” sobre as minhas qualidades, por mais esmagadora que fosse a superioridade de seu currículo em relação ao meu, eu sabia que eu tinha conseguido finalmente aquele emprego.

Tudo por uma simples razão: meu “concorrente” tinha uma pequena diferença em relação a mim, ele era negro. E eu sabia que aquela escola – frequentada pela mais alta elite paulistana, reacionária e branca – nunca empregaria um negro como professor, principalmente porque eu, o outro candidato, era branco e de olhos verdes.

Saí da entrevista com os diários de classe, uma jornada de 32 horas aulas semanais e um excelente salário. Ao longo da “entrevista” todas as minhas desvantagens se tornaram vantagens. Eu era jovem e inexperiente, assim – segundo a diretora e a coordenadora – poderia me tornar um professor do jeito que a escola queria.

Na verdade, fui contratado porque eu era branco e de olhos verdes e o outro candidato era negro e de olhos negros. Não nego os meus méritos pessoais de ter chegado até aquele momento. Estudava (e estudo) muito, tive esperteza e fui eloquente.

Mas aquele candidato era muito superior a mim em todos os aspectos profissionais que poderíamos aplicar. Seu único “problema” era ser negro. Fosse eu o doutor e ele o jovem promissor, meu “concorrente” não teria nem mesmo passado pelos testes psicológicos. Ele apenas foi tão longe porque apesar de ser negro, tinha um currículo excelente e era uma pessoa formidável.

Após lecionar nessa escola minha vida seguiu adiante… Mudei de cidade… Abri um cursinho na sala da minha casa que iniciou-se com apenas dezesseis alunos… Hoje sou um empresário e a escola tem mais de setecentos alunos… Seria muito fácil eu contar uma linda história de mim mesmo de “empreendedorismo” e “genialidade”… Mas a verdade é que tudo isso só foi possível devido ao esforço coletivo de todos os professores e funcionários que trabalharam e trabalham comigo.

Por acaso tive alguns méritos pessoais? Possivelmente sim… Em outros casos, alguns decisivos, tenho certeza que fui julgado pela minha aparência.

Tudo nos leva, enfim, a um final de tarde na cidade de Bauru. Estava frio e começava a garoar. Dirigia pela rua Araújo Leite em direção à minha residência. Na minha frente havia um carro BMW. Era possível ver com clareza que o condutor era branco de cabelos castanhos, sua esposa era loira e seu filho (loirinho) estava no banco traseiro apoiando seus braços entre os bancos dianteiros, certamente conversando com os pais.


O carro acelerou e ultrapassou uma carroça conduzida por um casal com seu filho fazendo o mesmo gesto do garoto da BMW, só que na carroça todos eram negros… estavam no relento e desagasalhados. Enquanto a BMW assumia a frente da carroça acompanhei atentamente a cena se fechando e se encaixando… Tudo perfeitamente… Como um contínuo processo que explicava a trágica essência desse país, dessa sociedade e de minha e de outras milhares de vidas… Vi tudo através de meus olhos verdes…

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O ATIVISMO POLÍTICO/IDEOLÓGICO DO PODER JUDICIÁRIO

Por: Odilon de Mattos Filho
Por mais uma vez, o Poder Judiciário brasileiro foi manchete dos jornais com duas decisões que podem custar muito caro à nossa já combalida democracia. Desta feita as ações têm como objeto a liberdade de manifestação.

Nestas duas decisões os homens de togas pretas mostraram, uma vez mais, o ativismo político e não judiciário que tomou conta desse Poder desde o julgamento da Ação Penal 470, conhecida como “mensalão”.

A primeira decisão e para assombro daqueles que presam pela democracia, veio com a liminar concedida pela juíza Ida Inês Del Cid suspendendo o show que Caetano Veloso realizaria na “Ocupação Povo Sem Medo” do Acampamento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) em São Bernardo do Campo. Na decisão a nobre magistrada alega falta de segurança para realização do evento. Uma balela, pois, o MTST já realizou várias assembleias com este mesmo povo e nunca se registrou nenhum problema com violência ou tumulto.

Evidente que tal decisão gerou inúmeras críticas e manifestações de repúdio, como de Caetano Veloso: ”É a primeira vez que sou impedido de cantar no período democrático1”.

Já o Coordenador do MTST, Guilherme Boulos se posicionou dizendo: “Hoje aqui em São Bernardo do Campo mais uma vez a Constituição brasileira foi rasgada. É um absurdo, é censura, é ilegal. Para muita gente dentro do Judiciário o preconceito vale mais do que a lei. Se eles queriam nos provocar para uma ação violenta não conseguiram. Isso nos dá energia, nos dá ânimo2”.

E a última e esdruxula decisão do judiciário veio da Corte Suprema e partiu da presidente Carmem Lúcia denominada pelo jornalista Kiko Nogueira como “uma emanação de Marina Silva3”. “Carminha”  concedeu liminar aos obscurantistas da Associação “Escola Sem Partido” que pediu para que os organizadores do ENEM não “zerassem” redações dos alunos que vilipendiassem os direitos humanos, ou seja, os futuros universitários e profissionais do Brasil podem, dentre outras barbáries, destilarem o seu ódio, preconceito, intolerância e defenderem a tortura,  execução sumária ou qualquer forma de “justiça primitiva” sem “temer” qualquer admoestação, afinal, segundo a ministra do STF a liberdade de expressão não tem limites.
Vale lembrar, que essa “Associação Escola Sem Partido” é uma entidade conservadora e ideologicamente de direita, apoiada pelas bancadas evangélica e católica da Câmara dos Deputados. A ONG nasceu em 2004, mas, ganhou visibilidade durante as manifestações a favor do impeachment da presidenta Dilma. A propósito, uma das porta-vozes dessa Associação é Bia Kicis ex-sócia dos “Revoltados On Line”, grupo que liderou o golpe contra a democracia e que sucumbiu junto com o golpista Temer.
Aliás, sobre essa Associação o senador Roberto Requião espinafrou dizendo que "essa tolice de escola sem partido é coisa do macarthismo norte-americano e idiotas estão copiando esta asneira aqui no Brasil3
Sem dúvida de que essa decisão de relativizar os Direitos Humanos foi desastrosa e extremamente temerosa, pois, alimenta e encoraja esses movimentos neofascistas e esses bárbaros a recrudescer esse estado de ódio, de preconceito e de intolerância que, lamentavelmente, toma do Brasil colocando a nossa democracia em cheque e levando o ser humano a práticas de barbáries só vistas em tempos de Exceção.

A ministra Carmem Lúcia, como bem afirma Kiko Nogueira, “trouxe  para a sala o bode do fascismo como se fosse um gatinho com um blablablá pedestre..4”.

Nesse mesmo sentido o jornalista Fernando Brito com muita propriedade e coragem escreveu: “...Os nossos juízes acham que redação é uma mera “técnica”, dissociada do que contem. Como devem achar que Direito é uma técnica, dissociada do que produz para a sociedade e para o indivíduo...E, como é só uma técnica, não há nenhuma  importância em que alguém expresse por ela ódio, desumanidade, racismo, sadismo, nazismo...E, se pode na redação do Enem, por que não poderia no Facebook, no Instagram, no Twitter?...E por que não pode na rua, no metrô, no ônibus?...O Doutor Menguele bem que poderia dizer que o que fazia era “um procedimento técnico” na Medicina..5”.

Agora, diante dessa decisão, só nos resta aguardar que o pleno do STF casse a liminar concedida pela “judiciosa” ministra e preserve as regras anteriores para os futuros Enens, afinal, como bem nos ensinou o filósofo Karl Popper em seu famoso paradoxo da tolerância, “nós devemos declarar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante...A sociedade tem um direito razoável de auto-preservação”. 



























1 Fonte: https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/caetano-e-a-primeira-vez-que-sou-impedido-de-cantar-no-periodo-democratico-diz-em-ocupacao-do-mtst.ghtml
2 Fonte: https://jornalistaslivres.org/2017/10/e-a-primeira-vez-que-sou-impedido-de-cantar-no-periodo-democratico-diz-caetano/
3 Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/tolerando-a-intolerancia-carmen-lucia-e-uma-versao-piorada-de-marina-silva-por-kiko-nogueira/ 
3 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/325758/STF-relativiza-direitos-humanos-no-Enem.htm
4 Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/tolerando-a-intolerancia-carmen-lucia-e-uma-versao-piorada-de-marina-silva-por-kiko-nogueira/
5 Fonte: http://www.tijolaco.com.br/blog/escreva-que-quer-torturar-assassinar-solte-os-monstros-stf-liberou-geral-o-enem/

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

DEPOIS DIZEM QUE O BRASILEIRO NÃO É RACISTA...!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A DITADURA DO SISTEMA JUDICIAL BRASILEIRO

Transcrevemos abaixo o preciso e corajoso texto do ex-representante da Interpol, Armando Rodrigues Coelho Neto, postado no site GGN https://jornalggn.com.br
Capitão Nascimento, Sergio Moro, Bretas e o sargento da Paraíba
 “Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”, disse certa feita Luís Fernando Veríssimo. Se pudesse tentar ir além, eu diria que às vezes, o nome do jornalista que comete o crime de imprensa também. Do mesmo modo, o fato pode ser verdadeiro, embora descontextualizado ou a serviço de golpes de estado. Exemplo: Farsa Jato. Digo isso a propósito de me isentar de alguma responsabilidade sobre o que escrevo. Incrédulo, se eu fosse mais honesto começaria todas as falas com expressões do tipo reza a lenda que...
Fui, com prejuízo, avalista de um aluguel para uma pessoa conhecida, proprietária de uma “lan house” e sorveteria no centro de São Paulo. Eu, que não sou capaz de gerenciar um carrinho de pipoca, seria o proprietário oculto, o que levou a Polícia Federal a bisbilhotar minha riqueza. Tempos depois, eu lá estava, quando baixou a tropa de choque da assassina PM paulista, liderada por um truculento graduado militar, visivelmente inspirado no capitão Nascimento, que parecia fazer sucesso naquela época. Decepcionados com sorvetes, colheres de plástico e casquinhas de waffles, resolveram revistar bolsas e bolsos...
Claro que a truculência foi parar na “serena e imparcial” corregedoria da PM para não dar em nada e ainda ter que ouvir um “aonde o senhor quer chegar com isso?”. A tropa recebeu uma denúncia, deveria fazer o quê? Pergunta que muito a gosto deve ter inspirado um representante da Guarda Metropolitana paulista, que em vídeo declarou que a abordagem de pobre não pode ser igual a de rico e essa é a orientação que dá a seus subordinados. Pode ter inspirado o delegado da Civil que foi procurar droga na casa do filho do ex-presidente Lula e acabou levando computadores e documentos. Portanto, Sérgio Moro já pode até ter mais um papel sem assinatura contra o seu desafeto figadal.
Eis um conjunto inspirador que pode ter servido de mote para o ridículo filme (não vi e não gostei) a “Lei é para todos”, menos para Aécio Neves - bandido de estimação da maioria absoluta da Polícia Federal. Foi nessa onda de inspiração, que durante uma audiência, em Curitiba, os oficiantes da Farsa Jato interpretaram como possível ameaça algumas falas do ex-presidente Lula. O que o senhor quis dizer quando disse isso e aquilo no discurso no lugar tal e tal, perguntou Moro. Em clima de interpretações legais rasteiras, o Ministério Público Federal, para construir a imagem de bandido na figura de Lula, interpretou ações penais legítimas (jus sperniandi) como atos intimidatórios e ameaça.
Voltemos aos jornais e suas datas. Durante uma audiência com o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o juiz Marcelo Bretas sentiu cheiro de ameaça numa fala do réu, que falou de uma suposta loja de bijuterias da mulher do juiz, num contexto em que se falava de joias.  “É no mínimo suspeito e inusitado o acusado, que não só responde a este processo como a outros, venha aqui trazer em juízo informações sobre a rotina da família do magistrado”. Por que jornais? Porque se é verdade o que veicularam, não houve ameaça e mais uma vez impetrou a hermenêutica subjetiva e não me venham dizer que estou defendendo bandido.
Eis que o corporativismo entrou em cena, a associação dos magistrados emitiu nota contra qualquer ameaça a juízes (quem é a favor?). Os mais rígidos observadores do Direito Penal são categóricos no sentido de que, sequer veladamente, o fato configuraria ameaça. Se Cabral precisa ser transferido por razões outras, o juiz da causa escolheu mal o momento. Se o juiz tinha alguma informação de ameaça pessoal, lógico que pegou na palavra no primeiro indício, glamourizando assim, via Rede Globo de Televisão, a audiência com o inimigo público do Rio de Janeiro. 
Esse surto inspirador do subjetivismo do Poder Judiciário causou perplexidade até ao golpismo dos Mesquitas. Em editorial, o jornal O Estado de S. Paulo tratou a postura de Bretas como um exagero - “entrevero menor... inspirado por suscetibilidades pessoais”. Diz ainda que “mesmo excluindo a hipótese mais extrema”, o regime rigoroso da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (MS), “onde se encontram grandes traficantes e líderes de organizações criminosas, prisão federal não se coaduna com o comportamento de Cabral”. Em síntese, alguns olhos parecem se abrir para os descaminhos do judiciário. Inspirado em quem?
Pois bem. Li recentemente que uma estudante do Curso de Letras da Universidade Estadual da Paraíba (Guarabira) escreveu no mural daquela instituição de ensino a seguinte frase: “Seja marginal, seja herói”. A frase é de Hélio Oiticica, fruto de uma série de trabalhos da década de 60/70, que ficaram conhecidos como marginalia. O autor morou na Mangueira, onde viviam também marginais. Ele descobriu um olhar artístico fora do conceito elitizado de cultura. Do plástico ao escrito, havia marcas da violência, crítica e contraponto aos conceitos de então. Chegou-se a falar em arte e cultura na idade da pedrada...
Um policial militar do 4° Batalhão local não gostou da frase e apagou. Ao se deparar com a estudante tentando reescrever, deu voz de prisão por apologia ao crime e dano ao patrimônio público. Ao interceder em favor da jovem, o diretor do Centro de Humanidades também foi enquadrado. A reportagem de 27/10 não fala a patente do policial, mas pela pujança judicante é de se concluir ter sido um sargento...
Ironias à parte, a onda de autoritarismo e de militância subjetivista vem se intensificando. Faz parte da síndrome de ativismo político-judicial, de forma que cada um, em sua esfera de “poder”, quer mostrar seu engajamento com a gelatinosa síndrome “sejumoriana”. O mais grave é que a ela está se somando a cada dia à burrice, à mesma ignorância que imperou entre os adoradores de pato, das panelas silenciosas e que hoje protestam contra museus...

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

"A RAIVA É FILHA DO MEDO E MÃE DA COVARDIA...”

Por: Odilon de Mattos Filho

No dia 08.05.2002, o mestre Dalmo Dallari profetizou: “Se essa indicação [se referindo a Gilmar Mendes para ministro do STF]  vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional1”. 

Hoje, para aqueles que achavam exagero e uma posição ideologizada do Professor Dalmo Dallari, pelo fato da indicação de Gilmar Mendes ter sido feita por FHC, fica muito claro que a profecia do respeitado professor é uma dura realidade que se pode constatar pelo próprio comportamento, ou melhor, mau comportamento, do ministro, dentro e fora da Corte.

A própria vida pessoal de Gilmar Mendes é muito questionável. O jornalista Paulo Nogueira citando reportagem do jornalista Leandro Fortes da revista “Carta Capital” corrobora essa afirmativa. Segundo a matéria, “Gilmar Mendes é dono do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Trata-se uma escola de cursinhos de direito cujo prédio foi construído com dinheiro do Banco do Brasil sobre um terreno, localizado em área nobre de Brasília, praticamente doado (80% de desconto) a Mendes pelo ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz...O IDP, à época da matéria, fechara 2,4 milhões em contratos sem licitação com órgãos federais, tribunais e entidades da magistratura, volume de dinheiro que havia sido sensivelmente turbinado depois da ida de Mendes para o STF, por indicação do ex-presidente FHC... O corpo docente do IDP era formado, basicamente, por ministros de Estado e de tribunais superiores, desembargadores e advogados com interesses diretos em processos no Supremo...Isso, por si só, já era passível de uma investigação jornalística decente, o que, aliás, foi feito pela Carta Capital quando toda a imprensa restante, ou se calava, ou fazia as vontades do ministro em questão2.

Não achamos exagero algum acrescentar na profecia do professor Dallari que Gilmar Mendes, além, do perigo que sempre representou, contaminou, também, negativamente o Judiciário, tornando-se um dos responsáveis pela degradação que assola o STF desde o julgamento da Ação Penal 470, onde a Corte apequenou-se, acovardou-se e deixou de ser Suprema ao julgar de acordo com a opinião publicada.

O ministro Gilmar Mendes tenta passar a imagem de homem transparente, positivo e cortês, mas a realidade é outra! Malgrado o seu vasto conhecimento jurídico, trata-se de um magistrado que tem lado, que adora falar fora dos autos, é sedento pelos holofotes da mídia e  invariavelmente constrange seus pares se comportando de maneira desleal, raivosa, grosseira, intransigente e mal educada. As favas o decoro que o cargo exige, diria o “nobre” ministro!

É sabido que fatos graves para a carreira de um magistrado marcam a vida do ministro Gilmar Mendes, especialmente, com as suas intervenções políticas/partidárias e no seu dever de ofício. 

Foi amplamente divulgado, que por duas vezes o ministro foi pego em conversas constrangedoras com Aécio Neves. Na primeira, Aécio pede a sua intervenção junto ao senador Flexa Ribeiro sobre a votação do projeto de lei que trata do abuso de autoridade, depois, durante a votação do afastamento de Aécio Neves a PF gravou quarenta e seis ligações criptografadas entre o senador/réu e o ministro Gilmar Mendes, aliás, Gilmar Mendes é relator em quatro processos contra Aécio Neves, o que, claramente, o coloca em suspeição.

Aliás, vários outros fatos questionáveis da vida funcional de Gilmar Mendes testemunha contra ele, como por exemplo, os casos dos polêmicos “habeas corpus” em favor do banqueiro Daniel Dantas, do médico Roger Abdelmassih e em favor do “rei do ônibus”, Jacob Barata, do Rio de Janeiro, para ficarmos nesses poucos casos.

Recentemente mais polêmica! Logo depois da vergonhosa Portaria escravagista do Ministério do Trabalho, Gilmar Mendes não perdeu tempo e saiu em defesa do governo, contrariando o mundo e constrangendo o STF. Disse o minmistro: “Eu, por exemplo, acho que me submeto a um trabalho exaustivo, mas com prazer. Eu não acho que faço trabalho escravo. Eu já brinquei até no plenário do Supremo que, dependendo do critério e do fiscal, talvez ali na garagem do Supremo ou do TSE, alguém pudesse identificar, 'Ah, condição de trabalho escravo!'. É preciso que haja condições objetivas e que esse tema não seja ideologizado3

Neste contexto é público, também, que Gilmar Mendes com a sua costumeira prepotência e sarcasmo, sempre desperta a ira de seus colegas que volta e meia retiram debaixo dos tapetes da Corte certas verdades sobre o ministro Gilmar Mendes, como foi o caso do julgamento da Ação Penal 470, quando o ministro Joaquim Barbosa respondendo Gilmar Mendes, disse: “...Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite....Vossa Excelência me respeite, Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia a rua, ministro Gilmar. Saia a rua, faz o que eu faço....Vossa excelência não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso!4

Semana passada, o ministro Gilmar Mendes volta às manchetes dos jornais por conta de mais uma discussão com seus pares, desta feita com o ministro Roberto Barroso que trouxe à tona o mau caratismo de Gilmar Mendes, afirmando:"...Vossa Excelência normalmente não trabalha com a verdade...Vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é estado de direito, é estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário...Não transfira a parceria que Vossa Excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco...Vossa Excelência devia ouvir a última música do Chico Buarque: a “raiva é filha do medo e mãe da covardia5”.

E é exatamente por conta dessa postura tirânica, imperial, partidarizada que o ministro Gilmar Mendes acumula inúmeros desafetos, inclusive, a sua própria carreira de ministro do STF está na berlinda por conta de vários pedidos de impeachment. O último pedido é da lavra do ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles em conjunto com constitucionalista Marcelo Neves, professor da UnB. Alegam os autores que Gilmar Mendes não poderia participar de julgamentos dos quais uma das partes, segundo o próprio ministro, é seu velho amigo; exerce atividade política/partidária, age de forma incompatível com a honra, a dignidade e o decoro do cargo, dentre outras acusações que sustentam o pedido de impeachment.

O primeiro pedido foi indeferido monocraticamente, pelo presidente do senado à época, Renan Calheiros, decisão que está sendo questionada junto ao STF e que, provavelmente, será mantida. Mas, não temos dúvidas de que todos os pedidos que porventura forem protocolados no Senado Federal, serão protamente indeferidos, pois, Gilmar Mendes possui, como bem afirmou o ministro Barroso, uma relação de compadrio com a maioria dos parlamentares do Congresso Nacional, além do que, Gilmar Mendes é declaradamente um “tucano” e como tal é inimputável!





























1 Fonte: Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/poder/61842/Dalmo-Dallari-sobre-Gilmar-Mendes-%E2%80%9CEu-n%C3%A3o-avisei%E2%80%9D.htm
2 Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-carreira-pouco-edificante-de-gilmar-mendes-em-perguntas-e-respostas-por-paulo-nogueira/
3 Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,meu-trabalho-e-exaustivo-mas-nao-e-escravo-diz-gilmar-mendes,70002052511
4 Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/07/relembre-frases-de-joaquim-barbosa-no-supremo-tribunal-federal.html 
5 Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/07/relembre-frases-de-joaquim-barbosa-no-supremo-tribunal-federal.html

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

MENSALÃO DO TEMER

Por: Odilon de Mattos Filho

Os brasileiros, certamente, se lembram da fatídica Ação penal 470, fruto de uma denúncia do deputado Roberto Jefferson que acusou o governo Lula de oferecer “mesadas” aos deputados para aprovar matérias de interesse do governo. Esse escândalo ficou conhecido como o “mensalão Petista”. 

Nessa mesma época apareceu o “mensalão tucano” fruto de um escândalo de financiamento de campanha com utilização de recursos públicos e doações ilegais para a reeleição do tucano e ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo. Vários empresários e políticos, como o ex-governador Azeredo foram denunciados por crime de peculato e lavagem de dinheiro.

Esses dois processos, como não poderia ser diferente, tiveram caminhos e resultados totalmente diversos: o “mensalão Petista” tramitou no STF, mesmo com réus que não gozavam de foro privilegiado por prerrogativa de função e vários foram condenados e outros, depois de ter suas reputações achincalhadas pela “mídia nativa”, foram absolvidos. Já o processo do “mensalão tucano” teve um resultado totalmente diferente. Eduardo Azeredo principal denunciado, era deputado federal à época e depois de sua denúncia, estrategicamente, renunciou ao cargo de deputado, com isso perdeu o “foro privilegiado” e o seu processo foi encaminhado para o TJ/MG, onde se encontra dormindo em berço esplendido aguardando a prescrição. Aliás, aqui começa a imputabilidade dos tucanos que perdura até nos dias de hoje.

Fizemos esse retrospecto por algumas razões: primeiro, para corroborar o nosso argumento de que o golpe teve inicio com o “mensalão Petista”, segundo, para ratificar a premissa da parcialidade do Sistema Judiciário brasileiro, terceiro, porque é importante salientarmos que na política os fatos pretéritos são valiosos para analisarmos o presente e em muitos casos projetar o futuro, e por derradeiro, para confrontar os fatos acima citados com os atuais acontecimentos políticos. 

São públicas as graves denúncias contra Michel Temer e vários ministros de estado, todos acusados pelo PGR de envolvimento e participação direta em escândalos de corrupção. A denúncia acusa Michel Temer como líder de um esquema de recebimento de propina do qual participavam vários ex-deputados peemedebistas. Os valores movimentados passaram da casa de R$ 1,0 bilhão de reais. Os recursos teriam sido desviados de operações com a Petrobras, Caixa Econômica Federal, Furnas, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. Oferecidas essas denúncias, o Congresso Nacional, conforme prescreve a CF/88, as apreciaram e depois as rejeitaram, livrando Michel Temer de perder o seu mandato. 

Até aqui toda a tramitação dos dois processos seguiram, rigorosamente, a legislação vigente e os comandos constitucionais. Porém, o resultado político é um dos maiores escândalos da história da república, pois, o modus operandi para se chegar ao resultado do arquivamento das duas denúncias está marcado por falcatruas, aliciamentos e corrupção, aliás, isso foi amplamente divulgado pela imprensa que demonstrou o incansável esforço do governo para cooptar, comprar e subornar os deputados para votar contra as denúncias. A propósito, segundo os jornais, os gastos com a compra de votos ultrapassaram a importância de R$ 32 bilhões de reais, sem contar o loteamento de cargos públicos e outros sórdidos afagos como, por exemplo, o agrado à bancada ruralista com a regulamentação da escravidão. 

E é exatamente este arquivamento das duas denúncias que nos levam a fazer a retrospectiva acima citada, pois, os dois acontecimentos guardam total similaridade e nos instiga para os seguintes questionamentos: se a denúncia do “mensalão Petista” foi amparada na suposta compra de votos de deputados para aprovar matérias de interesse do governo Lula, por que a “judiciosa” Procuradora-geral da República não instaurou, até o momento, nenhum procedimento investigatório para apurar essa clara e inequívoca compra de votos, por duas vezes, por parte de um presidente já denunciado por vários crimes? Qual a diferença entre o "mensalão Petista" e o "mensalão peemedebista"? Será que o Ministério é publico mesmo ou é privado? Será que Michel Temer e seu bando, são, também, assim como os tucanos, inimputáveis? 

Outras perguntas já estão pipocando mundo afora, como, por exemplo, a do jornal inglês "The Guardian" que pergunta: "Acusado de corrupção e com popularidade beirando a zero, por que o presidente do Brasil ainda está no cargo"? E o próprio repórter que assina a matéria responde: “o mercado não liga pra corrupção. Temer tem orçamento suficiente para subornar o congresso e os protestos anticorrupção foram basicamente contra a Dilma e não contra a corrupção1”. 

O fato concreto é que se houve o “mensalão Petista" há, também, o “mensalão peemedebista" comandado por Temer, porém, com uma diferença substancial, esse último está comprovado e é infinitamente mais grave e danoso, pois, tem como objetivo central a destruição do Brasil como Nação independente e soberana! Com a palavra a nobre Procuradora-geral da República..!











1Fonte:https://www.theguardian.com/world/2017/oct/17/accused-of-graft-popularity-near-zero-so-why-is-brazils-president-still-in-office?CMP=share_btn_fb

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DESTRUINDO, COM HUMOR, A DIREITA PRECONCEITUOSA

terça-feira, 24 de outubro de 2017

AS FAVAS A REPUTAÇÃO DO RÉU!

Por Odilon de Mattos Filho
[Eles] “têm poder político e econômico que pode ser utilizado indevidamente para gerar impunidade, independentemente da culpa. Então, é necessário contrabalançar esse poderio, não só com a ação firme da Justiça, mas com o apoio da opinião pública. Daí a importância da publicidade e da transparência desses processos, da liberdade de expressão e de imprensa, isso não para manipular a opinião pública, mas para obter o apoio necessário através da demonstração da correção da ação da Justiça1”.

Você sabe quem fez essa declaração? Parece inacreditável, mas foi um magistrado, precisamente, o juiz Sérgio Moro em entrevista concedida ao jornal “Estado de São Paulo”. Aqui fica claro que o “judicioso” magistrado entende que se deve dá publicidade aos processos penais, especialmente, aqueles que envolvem malversação do erário público, independentemente, da culpabilidade do réu, ou seja, o réu deve ser execrado e exposto a opinião pública, se no final do processo for inocentando, paciência, ou melhor, dane-se a sua reputação, o seu estado psicológico ou o dano moral sofrido. É, exatamente, assim que pensa o nobre e midiático magistrado.

Mas na verdade todo esse pensamento e modus operandi faz parte de uma operação muito bem planejada, onde a farda deu lugar à toga com servidores do campo conservador comprometidos com os interesses das elites, do poder econômico nacional e internacional e com propósitos vingativos, partidarizados e ideologizados e tudo sob o falso moralismo de combate à corrupção, muito semelhante a vários líderes moralistas de outrora que acabaram se sucumbindo junto com a história. 

A propósito, sobre esses falsos moralistas o brilhante ministro Ricardo Lewandowski nos ensina: “...o moralismo representa uma espécie de patologia da moral...No campo do direito, os moralistas expandem ou restringem esse conceito conforme lhes convém, interpretando as regras jurídicas segundo sua visão particular de mundo. Sobrevalorizam a "letra" da lei, necessariamente voltada ao passado, em detrimento do "espírito" da lei, que abriga interesses perenes... A crônica da humanidade é pródiga em desvelar o trágico fim de moralistas que empolgaram o poder e exercitaram aquilo que consideravam direito a seu talante. Basta lembrar a funesta saga do monge Girolamo Savonarola (1452-1498), o qual, com pregações apocalípticas, extinguiu o virtuoso capítulo do Renascimento florentino. Acabou seus dias ardendo numa fogueira....2

E é sabido que essa onda de moralismo teve inicio com o ministro Joaquim Barbosa, aliás, o próprio “juiz de piso” Sérgio Moro, disse que essa limpeza teve inicio com o mensalão e que a “Lava Jato se insere em um ciclo iniciado de maneira mais incisiva pela Ação Penal 470 no sentido de pôr um fim à impunidade dos crimes praticados pelos poderosos3”. 

E realmente assiste razão ao Juiz Moro, só se esqueceu de afirmar que foi no mensalão que iniciou essa persecução penal contra, o Lulopetismo, onde se abusou, como agora, das anomalias jurídicas, do descumprimento da Constituição Federal, da legislação penal, dos direitos e garantias do cidadão, da negação do devido processo legal, enfim, o Estado de Direito Democrático foi e está sendo mandado às favas. O emblemático voto da ministra Rosa Weber, ou melhor, do assistente da ministra, juiz Sergio Moro, no fatídico mensalão atesta essa posição do Sistema Judiciário: “Não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura assim me permite4”.

Aliás, sobre o Sistema Judiciário o ex-presidente da OAB, Marcelo Lavenère fez uma precisa e corajosa análise: "...Lamentavelmente o Poder Judiciário no Brasil ainda reflete as origens de um Brasil patrimonialista e submetido às oligarquias locais...Por essa ligação do [Sistema Judiciário] esse complexo de repressão tem, historicamente, uma dependência e reverência às estruturas e as elites políticas e econômicas...O Poder Judiciário no Brasil tem demonstrado uma extrema permeabilidade à opinião publicada e à opinião majoritária imposta pelo setor dominante..5” 

De resto, podemos concluir que depois da Ação Penal 470, após, o silêncio obsequioso do STF com a reconhecida ilegalidade e inconstitucionalidade do impeachment da presidenta Dilma e com o caminho trilhado pela Operação Lava-jato, sintetizada na lamentável entrevista do juiz Sérgio Moro, é no mínimo plausível, afirmarmos que o Sistema Judiciário brasileiro, apequenou-se e acovardou-se, não sendo exagero algum aplicar para as recentes decisões do Judiciário do Brasil a célebre frase do Juiz, Robert Jackson da Corte Suprema dos EUA:“...certos julgamentos não passam de uma cerimônia legal para averbar um veredito já ditado pela imprensa e pela opinião pública que ela gerou6”.






1 Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/a-vergonha-esta-do-lado-de-quem-se-opoe-a-lava-jato/
2 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/10/1929566-moral-moralismo-e-direito.shtml
3 Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/a-vergonha-esta-do-lado-de-quem-se-opoe-a-lava-jato/
4 Fonte: http://www.apn.org.br/w3/index.php/opiniao/7134-voce-acreditaria-num-juiz-que-julga-dessa-forma-nao-tenho-provas-mas-vou-condena-lo
5 Fonte: http://www.mst.org.br/2016/06/28/criminalizam-se-os-movimentos-populares-por-forca-da-ligacao-do-poder-judiciario-na-sua-base-com-as-estruturas-das-elites-economicas.html
6-Fonte: http://ggnnoticias.com.br/noticia/barbosa-ganha-tempo-para-convencer-celso-de-mello-a-mudar-de-posicao

terça-feira, 17 de outubro de 2017

OBAMA TÁ CERTO..! LULA: "ESSE É O CARA..!"

Reproduzimos abaixo o preciso e brilhante texto de um jovem chamado Gustavo Conde. O texto foi recebido pelo grande jornalista Fernando Brito que o acrescentou em seu artigo transcrito no seu sitio “Tijolaço”. http://www.tijolaco.com.br/blog/elite-persegue-lula-mas-o-sentido-de-lula-persegue-elite-por-gustavo-conde/

"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Lula vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica. Nem Che Guevara, nem Fidel Castro, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.

E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de “inteligência” nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.

Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado fascista da história.

Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação democrática de Lula no mundo, nem todos os prêmios que Lula de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.

Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da democracia e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 40 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco.

Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Lula é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, rouca, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão espiritual e humana".