Respeitem Lula!

"A classe pobre é pobre. A classe média é média. A classe alta é mídia". Murílio Leal Antes que algum apressado diga que o título deste texto é plágio do artigo escrito por Ricardo Noblat (...)

A farsa do "Choque de Gestão" de Aécio "Never"

“Veja” abaixo a farsa que foi o famoso “Choque de Gestão” na administração do ex-governador Aécio “Never" (...)

A MAIS TRADICIONAL E IMPORTANTE FACULDADE DE DIREITO DO BRASIL HOMENAGEIA O MINISTRO LEWANDWSKI

"O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski recebeu um “voto de solidariedade” da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) pela “dedicação, independência e imparcialidade” em sua atuação na corte. (...)

NOVA CLASSE "C"

Tendo em vista a importância do tema, reproduzimos post do sitio "Conversa Afiada" que reproduz trecho da entrevista que Renato Meirelles deu a Kennedy Alencar na RedeTV, que trata da impressionante expansão da classe média brasileira. (...)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

GOLPES NO BRASIL: SAI A TOGA, ENTRA A FARDA!

Sabemos que nos anos sessenta a informação chegava à sociedade, basicamente, pela imprensa escrita e falada, além do que, o mundo vivia a guerra fria e estava dividido entre duas potências ideologicamente distintas: de um lado a União Soviética e de outro os Estados Unidos, esse último com uma fortíssima influência na América Latina, em especial, no Brasil.

Nos dias atuais as semelhanças políticas que antecederam o golpe nos anos ssessenta são bastantes  visíveis, como por exemplo, os discursos contra a corrupção, o papel da “mídia nativa” sempre aliada aos interesses da pequena burguesia nacional e internacional e a tentativa dos EUA de dominarem a América Latina.

Porém, hoje, diferentemente de outrora, imaginávamos ser impossível tratar a sociedade como massa de manobra, pois, com o advento das redes sociais, o amadurecimento intelectual e politico do povo brasileiro e o poder muito maior de informação, essa manipulação não seria mais factível, correto? Ledo engano!    

A sociedade brasileira, em plena era tecnológica, foi manipulada e assistiu o golpe de Estado contra uma presidenta eleita pelo povo e sabidamente honesta. O discurso como no passado foi a corrupção. A diferença entre os dois momentos está nos protagonistas dos golpes, antes os atores trajavam fardas e hoje vestem togas. O golpe atual teve inicio com os Ministros do STF no julgamento da Ação Penal 470 e seu desfecho com a ilegal e inconstitucional escuta e divulgação da interceptação telefônica entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, tudo com autorização do Juiz Sérgio Moro da "República de Curitiba".   

Mas tudo indica que após o fracasso e o desastre do golpe político/midiático/jurídico, os fanáticos e senis protagonistas de outrora estão querendo retornar ao Poder por vias escusas, ou seja, depois de pouco mais de um ano do primeiro golpe estamos muito perto de um segundo, desta feita volta à cena as fardas de tristes e cruéis lembranças.

Caiu como uma bomba a palestra do General Antônio Hamilton Mourão em uma Loja de Maçonaria (tinha que ser, né!) onde ele defendeu uma intervenção ou melhor, um golpe militar no Brasil. Ameaçou o caudilho: “[...] ou as instituições solucionam o problema político retirando da vida pública os elementos envolvido em todos os ilícitos ou então nós teremos que impor uma solução" Os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, temos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil. Ela trará problemas. Pode ter certeza!1 ".
  
Vale lembrar, que foi esse mesmo General que em 2015, “foi removido do Comando Militar do Sul após fazer homenagem póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável pelo DOI-CODI entre 1970 e 1974 e reconhecido pela Justiça brasileira como torturador2”.

Evidente que considerávamos enterrado esse delírio de golpe militar no Brasil, mas diante dessa declaração tudo pode acontecer. A propósito, esperávamos que diante dessa transgressão e flagrante atentado à Constituição Federal, o general Mourão fosse de pronto, punido e repreendido oficialmente pelo seu superior o General Eduardo Villas Boas, mas ao contrário, o comandante do Exército disse que o general não será punido e defendeu o direito do colega de farda de se expressar. Um absurdo! E se isso não bastasse o General Villa Boas, praticamente, endossou as palavras do seu colega com seguinte recado transgressor: “..se houver o caos o Exército deve intervir3”. Aqui reside o perigo, quem definirá o que é o “caos”, os generais ?

Essas duas manifestações de clara conspiração contra o poder civil demonstram, de forma inequívoca, conforme assinalou o jornalista Paulo Henrique Amorim o “grau de desmoralização da política, dos políticos e das instituições, como MPF que deveria intervir, admoestar e interpelar esses dois generais que infligem o Regulamento Interno, a Constituição e desestabilizam as instituições da república...No fundo os generais Mourão e Villas Boas  revelam que sempre foram a favor do golpe contra a presidenta Dilma, só não sabiam a tragédia que esse golpe ia dar, e agora, põe as manguinhas de fora e tentam se eximir daquele desejo oculto, mas, agora revelado, eles queriam tirar os trabalhistas do Poder...!4” 

Mesmo diante desse claro ataque à democracia foram poucas as vozes a se rebelar contra esse disparate. Não assistimos nenhuma manifestação pública e tampouco vimos a esquerda brasileira se rebelar de maneira organizada e veemente contra esse ataque à democracia brasileira.

Nesse sentido foi emblemática e decepcionante as declarações de um das principais intelectuais da esquerda brasileira, o Professor Luiz Alberto Moniz Bandeira que defendeu a “intervenção (golpe) militar”. Alega o professor que “não mais existe Estado de Direito nem democracia no Brasil. Acabou a Constituição! Falar em Constituição, agora, é que é uma grande ilusão. A intervenção militar pode ocorrer. Como se desdobrará é difícil imaginar. O ideal seria que fosse como a do general Henrique Teixeira Lott em 1955. Mas não creio, em face do Congresso que aí está. O importante é impedir que o patrimônio nacional - Eletrobrás, Eletronuclear, Petrobrás e pré-sal, bancos estatais - seja dilapidado, entregue aos gringos:é evitar que o desenvolvimento do Brasil, com a inclusão, não seja interrompido; é impedir a entrega aos gringos de uma parte da Amazônia maior que a Dinamarca...5”.

Essa declaração do Professor Moniz Bandeira, malgrado, alguns pontos verdadeiros, serve de munição aos neofascistas tupiniquins, demonstrando, também, o estado letárgico e confuso que acomete grande parte do povo brasileiro, após o golpe de 2015, corroborando assim, nossa afirmação de que o povo e a nossa democracia, ainda, estão imaturos, mesmo depois de cinquenta e três anos do golpe militar e do enorme volume de informações que hoje estão à disposição da sociedade. 

A propósito o Historiador Walter Pomar em fraternos e civilizados diálogos com o Professor Moniz Bandeira, diz que “não acredita que uma intervenção militar seja instrumento capaz e adequado para impedir aquilo tudo [referindo a defesa de nossas riquezas]...Há muito tempo não temos uma corrente nacionalista e democrática nas forças armadas. O nacionalismo da cúpula militar é patrioteiro, totalmente compatível com o neoliberalismo e com a submissão aos EUA. Além disso, a lógica ali continua sendo a de usar as armas contra a subversão interna...Por isso é que insisto, sua posição é um erro imenso, pois contribui para confundir as pessoas acerca do significado, do sentido, dos beneficiários e dos prejudicados de uma eventual intervenção militar..6

Aliás, data máxima vênia, sob o ponto de vista político não há menor chance das forças progressistas do país concordar com o Professor Moniz Bandeira e sob os aspectos jurídicos, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF já se manifestou sobre o tema afirmando que "não há no ordenamento jurídico brasileiro hipótese de intervenção militar autônoma – seja em situação externa ou interna, e independentemente de sua gravidade...Nem mesmo em situações de exceção constitucional, como o Estado de Sítio ou o Estado de Defesa, as Forças Armadas podem assumir um papel fora de seus limites constitucionais 7"


Dessa maneira, a única saída para o Brasil nesse momento não são intervenções e/ou golpes e sim fortalecer a democracia, para tanto, é imperioso o afastamento do golpista e corrupto Michel Temer e a convocação de eleições diretas em todos os níveis e de uma Assembleia Constituinte Exclusiva, do contrário, corremos um sério e iminente risco de um novo golpe, onde a toga sai de cena para dá lugar à farda!  





1 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/09/1919322-general-do-exercito-ameaca-impor-solucao-para-crise-politica-no-pais.shtml
3 Fonte: /www.youtube.com/watch?v=aFWO_TqmtN8
4 Fonte: https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=ahJddnv7vOA
5 Fonte: http://valterpomar.blogspot.com.br/
6 Fonte: http://valterpomar.blogspot.com.br/
7-Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/constituicao-nao-preve-intervencao-militar-crime-inafiancavel-diz-pfdc

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

EXCELÊNCIA SOMOS TODOS NÓS!

A “mídia nativa” depois do estardalhaço promovido antes do primeiro “duelo” entre Lula e o Juiz Sérgio Moro desta feita foi mais discreta ao noticiar esse segundo “desafio”, talvez não quisesse correr o risco, novamente, de apostar todas as fichas no homem de toga e perder como aconteceu no primeiro repto.

Na verdade, mesmo com a insistência da imprensa comercial não podemos admitir que essa ou qualquer outra audiência judicial se transforme numa luta. Qualquer Juiz até mesmo o douto Sérgio Moro deveria ficar distante deste debate e apenas julgar os autos pelas provas produzidas pelas partes. Mas, na verdade não é isso o que vem ocorrendo! O que estamos assistindo é um magistrado que se veste de Juiz, em outros momentos age como Procurador e em outras situações como policial investigador. Isso mostra a que ponto chegou o processo dessa operação lava-jato, especialmente, aqueles contra o presidente Lula.

Mais uma vez, deixamos bem claro que somos firmemente favorável a toda investigação e punição de qualquer pessoa que cometeu algum crime, especialmente, contra o erário público, mas não podemos, jamais, deixar de denunciar a falta do devido processo legal, imposição constitucional que, claramente,  está passando ao largo dos processos envolvendo o presidente Lula.

Não paira dúvida de que a operação Lava-jato, malgrado ter clareado o submundo da corrupção da República, se transformou, também, em mais uma inescrupulosa fase do golpe político/jurídico/midiático que apeou uma presidenta eleita pelo voto popular e que se converteu, ainda, em uma poderosa arma política/ideológica para criminalizar o PT e impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja candidato em 2018. Os fatos abaixo narrados demonstram tal assertiva!

A última denuncia contra Lula é emblemática para se comprovar a persecução penal contra o ex-presidente. Os procuradores denunciaram o presidente Lula por ter reeditado uma Medida Provisória, aprovada por unanimidade do Congresso Nacional, que dava isenção às montadoras de veículos que se instalassem no Nordeste. Detalhe: essa MP foi criada pelo presidente FHC, Lula apenas a reeditou, mas mesmo assim, o MPF não quis ouvir FHC, o pai da criança, ou melhor, da MP, provavelmente, essa decisão decorre do princípio consagrado pelo Juiz Sérgio Moro de que todos os casos envolvendo tucanos: “não vem ao caso!” 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo Juiz Sérgio Moro  por ter recebido da empresa OAS um apartamento Tríplex na cidade litorânea do Guarujá/SP. A sentença do magistrado foi amparada, basicamente, em três pontos: na sua convicção, no depoimento de dois réus, que ao contrário das testemunhas não prestam compromisso de dizer a verdade e pela nova espécie de propriedade criada pela República de Curitiba, a "propriedade oculta" que agora passa a compor as espécies de propriedades estabelecidas no Código Civil, a saber: a Propriedade plena, Propriedade restrita ou limitada, Propriedade definitiva e Propriedade resolúvel.
O Juiz Sérgio Moro simplesmente ignorou os depoimentos das 73 testemunhas de defesa e acusação que inocentaram o presidente Lula e de forma rasteira desconheceu o fato do apartamento está registrado em nome da OAS a qual deu todo o prédio, inclusive, o tal tríplex, em garantia à Caixa Econômica Federal, que é quem possui, desde 2010, os direitos econômicos e financeiros sobre o apartamento, ou seja, legalmente, o imóvel não é de propriedade do presidente Lula.

Nessa ultima audiência ou round como querem a mídia e as elites cheirosas, assistimos, novamente, os procuradores e o próprio Juiz Sérgio Moro totalmente indecisos e se valendo apenas dos contraditórios e lamentáveis  depoimentos do réu Palocci para inquerir o presidente Lula na mesma linha da ação do Tríplex, ou seja, sem qualquer prova!

Nessa nova denúncia os procuradores acusam Lula de ganhar, sem levar da empresa Odebrecht um apartamento vizinho ao seu em São Bernardo do Campo e também, um terreno para construção do Instituto Lula que não foi construído e que já foi vendido pela empresa. Aliás, assim como o tal Tríplex, essas duas propriedades estão registradas em nome de terceiros e não de Lula, mas isso não importa, pois, para o Juiz Moro o presidente Lula é considerado, mesmo sem provas, “proprietário oculto” de tais imóveis, as favas o que diz o Direito de Propriedade no Código Civil. 

A propósito, vale para esses processos contra o presidente Lula a assertiva do Juiz Robert Jackson, da Corte Suprema dos EUA que disse: “...certos julgamentos não passam de uma cerimônia legal para averbar um veredito já ditado pela imprensa e pela opinião pública que ela gerou”. Resumindo, Lula vai ser condenado em todos os processos que responde!

Mas voltando à última audiência, que mais uma vez, ficou marcada pela utilização do Lawfare contra Lula, destaca-se outro componente que chamou atenção de jornalistas e de operadores do Direito: a peculiar segurança e coragem de Lula e a inerente soberba e arrogância do sistema judicial brasileiro.

Em certo momento do julgamento o presidente Lula perguntou ao Juiz Sérgio Moro: “Vou chegar em casa amanhã e vou almoçar com oito netos, e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?" Em reposta Moro sem palavras e atônito disse apenas, “sim”!

Depois dessa “saia justa”, Lula deu uma aula de cidadania e política ao Juiz Sérgio Moro. O magistrado disse ao presidente Lula: ".. senhor presidente, não é momento de campanha, não é momento de discursos". E de pronto, Lula respondeu: Por falar em discurso “um conselho: o senhor usa a palavra "denegrir" contra o advogado da Espanha que fez acusações [contra um padrinho de casamento de Sérgio Moro]. Politicamente não é correto falar denegrir porque o movimento negro do País não gosta!”.

Depois desses dois “nocautes” veio o lamentável episódio da soberba de uma das Procuradoras do MPF. Em um dado momento o presidente Lula respondendo uma pergunta da nobre e judiciosa Procuradora Isabel Cristina Groba Vieira disse sem qualquer maldade e de maneira simplória e até carinhosa: “não sei, querida” e “não tenho, querida”. Pronto! Foi o suficiente para vir à tona o lado vaidoso e pedante dessa casta que se perdeu nos holofotes midiáticos do país: "...pediria que o senhor ex-presidente se referisse ao membro do Ministério Público pelo tratamento protocolar devido". 

Essa desnecessária e repugnante repreensão da procuradora causou inúmeras críticas negativas de jornalistas, sociólogos e de juristas, aliás, essa censura resultou em um Projeto de Lei de autoria do senador Roberto Requião disciplinando o tratamento protocolar escrito e oral, destinado ou referente aos detentores de cargos públicos.

A propósito, na justificativa do Projeto de Lei, com muito brilhantismo, coragem e precisão o senador preleciona: “...o conceito de povo reveste-se, no estado democrático, de uma autoridade superior à do próprio governante, que exerce (ou deveria exercer) um papel, “latu senso”, de servo, ou servidor, desse mesmo povo. [Dessa maneira], verifica-se incabíveis em uma democracia a continuidade de tratamento protocolar herdado da monarquia, derrubada que foi há mais de 120 anos... [Dessa forma] Pergunto, o que há de excelente em um juiz ou parlamentar? Antes de serem autoridades, são seres humanos e, como servidores públicos, são devedores ao povo da obrigação de lhes prestar serviço e com qualidade. E, em suas funções, não têm o direito de reivindicar do povo um tratamento majestoso. Nesse contexto, creio que, quando Lula chamou a procuradora da república de “querida”, deu um bom exemplo de cordialidade e respeito que deveriam permear as relações humanas. É possível, porém, que ela não fosse do tipo de desejasse ser “querida”, mas que fosse do tipo Que prefere ser chamada de excelência. Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade, como afirmava Salomão. Mas a verdadeira excelência de um ser humano revela-se antes de tudo por meio de sua humildade”.

Realmente, esses tratamentos protocolares aos servidores públicos é um exagero, são resquícios dos tempos do Brasil Império. Excelência somos todos nós! 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CONHECENDO O SUBMUNDO DO SISTEMA JUDICIÁRIO BRASILEIRO



Aqui está uma importante, audaciosa e brilhante Tese de Doutorado que desnuda, por completo, o submundo do Sistema de Justiça Paulista, mas que, certamente, aplica-se para o restante dos Estados da Federação. 

A tese defendida pela Doutora Luciana Zafallon denomina-se "Uma espiral elitista de afirmação corporativa: blindagens e criminalizações a partir do imbricamento das disputas do Sistema de Justiça Paulista com as disputas da política convencional". Assista ao vídeo, pois, é de suma importância o seu conteúdo, malgrado o horror e a decepção com a estrutura do Sistema Judiciário brasileiro. 

Parabéns a Doutora Luciana Zafallon pelo corajoso, valioso e imprescindível trabalho..!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ESTAMOS JUNTOS MEU CAMARADA...!

Pela importância do momento e por envolver dois quadros de muita representatividade na esquerda brasileira reproduzimos do sitio conversaafiada.com.br a Carta do ex-deputado João Paulo ao camarada Zé Direceu:

Camarada Zé Dirceu

Vivemos tempos sombrios!

Hoje, mais uma vez, você caminhará na direção de seus algozes.

Provavelmente eles não olharão em seus olhos. As meninas de suas íris terão brilho e encararão a toga amarrotada de vergonha.

Eles, juízes de uma causa só, olharão de esgueiro para as câmeras de TV e disfarçadamente fecharão suas pálpebras avermelhadas pela injustiça. Mas se manterão falsamente firmes.

E você empurrará o cabelo para trás e lembrará da bandeira do Brasil, da estrela do PT e do dia primeiro de janeiro de 2003. Você não abaixará sua cabeça!

Você será culpado por sonhar um Brasil para seu povo. Por organizar um partido que mudou a história do país e por um governo que devolveu aos trabalhadores o lugar de sujeito na história.

Você será declarado perigoso porque foi altivo, estabeleceu relações solidárias e companheiras e soube juntar gente para formar coletivo e andar por caminhos abertos pelas próprias mãos.

Escreverão com caneta vermelha que tu és um transgressor desde muito jovem. Que não respeitou a ordem, que pegou em armas e consolidou um pensamento de solidariedade entre os povos.

Será acusado de ter amizade com os sem terra, de formar dirigentes partidários, de ser companheiro dos sindicalistas e defender as mulheres os negros e a comunidade LGBT.

É causador de uma vitória espetacular chamada Lula, de construir um governo com a cara do Brasil real e implantar programas revolucionários para o momento do país.

Será incriminado por gostar da juventude e reconhecer nela o vigor das mudanças.

Camarada Zé Dirceu, és meu companheiro de muitos anos. Carregamos muitas bagagens. Brigamos, divergimos, mas o resultado foi sempre a soma. Fizemos planos, tabelamos e muita coisa deu certo.

Sofremos a solidão da cela, o desterro das ruas, a frieza de quem ficou e a amargura dos dias sem sol. Mas não desanimamos nem nos entregamos.

Nos escoramos uns nos outros.

Agora assisto o seu caminhar para um julgamento já definido e não posso fazer nada. A impotência aflige todos nós. Sei das razões políticas para tal ato, mas a alma entristece em ver você pagar mais uma vez por todos nós.

Fique tranquilo, camarada: seus filhos sentirão orgulho de você!

Seus amigos e companheiros falarão de você com brio e dignidade!

É claro que ainda existem recursos para serem usados. É claro que é possível retardar o processo para fazer justiça.

Mas, consumando a condenação, sei que muita gente gostaria de dividir com você o cumprimento da sentença.

Entendo, não é possível.

Então leve nossas memórias e cultive a esperança. Ainda há tempo.

No mais, com altivez e repetindo a crença no amanhã, digo: vá em frente, camarada Zé Dirceu. Nos encontraremos onde estiver um brasileiro lutando por justiça, solidariedade e igualdade.


Abraços

João Paulo

terça-feira, 12 de setembro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A LAMA PODRE DA REPÚBLICA TOMOU CONTA DO MPF E DO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO

Se for verdade que a operação Lava-jato clareou o submundo da corrupção da República, não é menos verdade, também, que essa operação é mais uma inescrupulosa e engenhosa fase do golpe político/jurídico/midiático que apeou uma presidenta eleita pelo voto popular e que tenta de todas as formas criminalizar o PT e impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja candidato em 2018.


Já opinamos e demonstramos neste espaço todos os malabarismos jurídicos e a clara aplicação do “lawfere”, pela “Força Tarefa” para tentar condenar o presidente Lula. Aliás, essas manobras já foram denunciadas por insuspeitos juristas pátrios, inclusive, foram alvos de denúncias junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Se tudo isso não bastasse para enxovalhar o Poder Judiciário e o MPF, os dois últimos meses foram marcados por hecatombes que abriram crateras profundas nessas duas instituições deixando à mostra suas imundas vísceras.

A primeira bomba detonou as Palestras que, em tese, foram ilegalmente proferidas pelo “judicioso” Procurador da República, Deltan Dallagnol Coordenador da Força Tarefa. Um caso, ainda, sem resposta e que coloca em cheque a reputação do Procurador e da própria instituição. Até o momento o caso continua nebuloso e sem resposta do CNMP.

Após esse ataque outra explosão atinge o coração da operação Lava-jato e leva estilhaços no comandante da operação, o juiz Sérgio Moro.

Foi noticiado pelo jornal Folha de São Paulo que o advogado Rodrigo Tacla Duran denunciou o advogado “Carlos Zucolotto - padrinho de casamento do Juiz Sérgio Moro e ex-sócio de Rosangela Moro em um escritório de advocacia - por supostamente cobrar propina para fechar um acordo de delação com os procuradores de Curitiba1”. Rodrigo Duran é acusado em processo da Lava-jato e hoje reside na Espanha por ter dupla cidadania, inclusive, já foi solicitada a sua extradição, mas, foi negada.

O advogado Tacla Duram teria dito “que a proposta de Zucolotto era alterar o regime de prisão em regime fechado para domiciliar e redução da multa para um terço do valor, ou seja, US$ 5 milhões. A proposta teria sido feita no dia 27 de maio de 20162” e segundo Duram ele tem provas do que está dizendo.

Em Nota o Juiz Sérgio Moro disse que "O advogado Carlos Zucolotto Jr. é advogado sério e competente, atua na área trabalhista e não atua na área criminal. O relato de que o advogado em questão teria tratado com o acusado foragido Rodrigo Tacla Duran sobre acordo de colaboração premiada é absolutamente falso... Lamenta-se o crédito dado pela jornalista ao relato falso de um acusado foragido, tendo ela sido alertada da falsidade por todas as pessoas citadas na matéria..3".

Neste nebuloso caso dois detalhes chamam atenção: será que o nobre magistrado se esqueceu de que sua sentença condenando Lula foi amparada em depoimento do condenado Leo Pinheiro que como sentenciado estava desobrigado a falar a verdade como acontece com as testemunhas? Por que o Juiz de “piso” deu “crédito” a um condenado e não as 73 testemunhas de defesa e acusação que inocentaram o presidente Lula? Outro detalhe: segundo documentos da Receita Federal a esposa de Sérgio Moro a Dra. Rosângela Moro recebeu honorários do Escritório de Tacla Duram quando trabalhava no escritório do amiguinho Carlos Zucolotto, e o mais grave, a Força Tarefa sabia disso a mais de dois anos. Sendo assim, perguntamos: não deveria o Juiz Sérgio Moro arguir a sua suspeição para julgar o caso de Tacla Duram e da empresa Odebrecht da qual Duram fora advogado? 

Não temos dúvidas de que essa história envolvendo o padrinho do Juiz Sérgio Moro é muito comprometedora e precisa ser esclarecida o mais breve possível, sob pena de colocar sob suspeita toda a operação Lava-jato, inclusive, o nobre magistrado e os "meninos" Procuradores.

A terceira bomba caiu no colo do Chefe da Procuradoria-geral da República abalando a sua reputação e colocando em pavorosa toda a instituição do MPF e o STF.

Foi amplamente noticiado o flagrante dos áudios de uma conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saul na qual se fala de sexo, bebida e tramoias envolvendo ministros do STF, Procuradores, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardoso e o então “procurador da República Marcello Miller, esse último sendo apontado como um auxiliar na confecção de propostas de colaboração para serem fechadas com a Procuradoria-Geral da República. Tal conduta configuraria, em tese, crime e ato de improbidade administrativa4”.

Noticiado esse escândalo dos áudios com enorme repercussão negativa para o Poder Judiciário, para o MPF e outras autoridades, o Procurador-geral não perdeu tempo e imediatamente fez com que a mídia mudasse o foco de suas reportagens, para tanto, presenteou a imprensa com que ela mais gosta de noticiar: denúncias contra o PT e os presidentes Lula e Dilma.

E passados três dias destas denúncias do Procurador-geral mais um ataque: “concidentemente” o ex-ministro Palocci muda o seu depoimento de quatro meses atrás e faz graves, falsas e contraditórias acusações, ao PT e aos presidentes Lula e Dilma, e "curiosamente" não faz as denúncias que sabe sobre os casos de corrupção envolvendo banqueiros, empresários e a poderosa Rede Globo, fato que nos força perguntar: por que Palocci mudou de ideia? Por que o Juiz de “piso” Sérgio Moro e os Procuradores não cobraram essas denúncias de Palocci? Estranho? Claro que não, Palocci aceitou a falar as palavrinhas chaves que validam e homologam qualquer delação no âmbito da lava-jato: PT, Dilma e Lula, o resto "não vem ao caso!” 

Concomitantemente a essas denúncias contra Lula e Dilma no dia 7 de setembro foi lançado o filme "Polícia Federal - A Lei é para todos". Uma película cercada de mistérios financeiros, com flagrantes atentados à dignidade humana, ilegal participação da PF e um claro instrumento de propaganda política contra o presidente Lula.

E por fim mais uma esdruxula denúncia contra Lula! Desta feita ele é acusado pelo MPF na operação Zelote de beneficiar a indústria automobilística por reeditar uma MP que foi aprovada por unanimidade do Congresso Nacional e que foi editada por FHC, ou seja, FHC que é o pai da criança não cometeu crime, mas, Lula sim! Realmente, o jornalista Fernando Brito tem razão quando afirma que Lula inaugura uma nova figura no Direito Penal, “o réu automático5”!  

Frente a todas essas denúncias a imprensa tem nas mãos um vasto material bélico para disparar contra o PT e os presidentes Lula e Dilma e ao mesmo tempo, colocar um ponto final nos gravíssimos escândalos das Palestras do Procurador Deltan Dallagnol e dos casos envolvendo Carlos Zucolotto amiguinho do Juiz Sérgio Moro, dos Ministros da Corte Superior e dos membros do MPF. E sem essas manchetes, ou melhor, sem a fiscalização da imprensa, certamente, esses escândalos não serão investigados e tudo será jogado por debaixo dos tapetes vermelhos, afinal, já sabemos que a lama podre da república tomou conta, também, das entranhas do MPF e do Poder Judiciário brasileiro. 

Realmente assiste razão ao jornalista Paulo Henrique Amorim quando diz que o Brasil se transformou na "República da Cloaca...!"










1 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/08/1913355-advogado-acusa-amigo-de-moro-de-intervir-em-acordo.shtml
2 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/08/1913355-advogado-acusa-amigo-de-moro-de-intervir-em-acordo.shtml
3 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/08/1913355-advogado-acusa-amigo-de-moro-de-intervir-em-acordo.shtml
4Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/conversa-gravada-acidentalmente-de-joesley-e-ricardo-saud-leva-janot-a-abrir-investigacao/
5Fonte:www.brasil247.com/pt/247/midiatech/316621/Tijolaço-diz-que-Lula-se-tornou-“réu-automático”-basta-acusar-e-está-feito.htm

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A MÃO ASSASSINA DOS EUA...

domingo, 27 de agosto de 2017

DIRIA O “MAQUIAVÉLICO” SÉRGIO MORO: “AOS AMIGOS OS FAVORES, AOS INIMIGOS A LEI”

Reproduzimos abaixo uma certeira postagem do sítio "Conversa Afiada" 
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/moro-merece-a-presuncao-de-inocencia

Moro merece a presunção de inocência?

Um dia, ele provará de seu próprio veneno...

Conversa Afiada publica excelente análise do brilhante Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay sobre uma "reportagem" provavelmente leviana da Fel-lha: uma "ficha falsa" do Moro.

Porém, as considerações do Kakay merecem profunda reflexão: ou o que o Kakay diz, Dr Moro, não vem ao caso?

É claro que temos que dar ao Moro e aos Procuradores a presunção de inocência, o que este juiz e estes procuradores não fariam, mas é interessante notar e anotar algumas questões:

1- O juiz diz que não se deve dar valor à palavra de um "acusado", opa, isto é rigorosamente o que ele faz ao longo de toda a operação!

2- O juiz confirma que sua esposa participou de um escritorio com o seu amigo Zucolotto, mas sem "comunhão de trabalho ou de honorários". Este fato seria certamente usado pelo juiz da 13 vara como forte indício suficiente para uma prisão contra um investigado qualquer. Seria presumida a responsabilidade, e o juiz iria ridicularizar esta linha de defesa.

3- A afirmação de que 2 procuradores enviaram por email uma proposta nos mesmos termos da que o advogado, padrinho de casamento do juiz e sócio da esposa do juiz, seria certamente aceita como mais do que indício, mas como uma prova contundente da relação do advogado com a força tarefa.

4- O fato do juiz ter entrado em contato diretamente com o advogado Zucolatto, seu padrinho de casamento, para enviar uma resposta à Folha, ou seja combinar uma resposta a jornalista, seria interpretado como obstrução de justiça, com prisão preventiva decretada com certeza.

5- A negativa do tal procurador Carlos Fernando de que o advogado Zucolatto , embora conste na procuração, não é seu advogado mas sim um outro nome da procuração, seria ridicularizada e aceita como motivo para uma busca e apreensão no escritório de advocacia.

6- O tal Zucolatto diz que trabalha com a banca Tacla Duran, mas que conhece só Flavia e nem sabia que Rodrigo seria sócio, o que, se fosse analisada tal afirmação pelo juiz da 13 vara certamente daria ensejo a condução coercitiva.

7- E o fato simples da advogada ser também advogada da Odebrecth seria usado como indício de participação na operação.

8- A foto apresentada, claro, seria usada como prova.

9-A negativa de Zucolatto que afirma não ter o aplicativo no seu celular seria fundamento para busca e apreensão do aparelho .
10- Enfim , a afirmação de que o pagamento deveria ser em espécie, não precisaria ter prova, pois o próprio juiz admitiu ontem numa palestra, que a condenação pode ser feita sem sequer precisar do ato de ofício, sem nenhuma comprovação.

Conclusão: Ou seja, embora exista, em tese, a hipótese destes fatos serem falsos o que nos resta perguntar é como eles seriam usados pela República do Parana? Se o tal Dalagnol não usaria a imprensa e a rede social para expor estes fortes "indícios" que se entrelaçam na visão punitiva. Devemos continuar dando a eles a presunção de inocência, mesmo sabendo que eles agiriam de outra forma.
Como diz o poeta "a vida dá, nega e tira", um dia os arbitrários provarão do seu próprio veneno.

Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

DA “PRIVATARIA TUCANA” A “PRIVATIFARIA” DOS GOLPISTAS

Já escrevemos em outra oportunidade, que não obstante toda a resistência dos setores conservadores do Brasil, não há como negar que as “privatarias” ocorridas nos governos “Tucanos” foram, inegavelmente, danosas ao interesse público. 


A propósito, quem se interessar sobre o “submundo” das privatizações no governo FHC, aconselhamos as leituras dos livros “O Brasil Privatizado” do saudoso jornalista Aloysio Biondi e a importante obra/denúncia do jornalista Aumary Ribeiro Júnior, intitulada “Privataria Tucana”. 


É sabido que o ímpeto desta política entreguista por parte dos Governos do PSDB/DEM veio do alinhamento com o chamado “Consenso de Washington” que tinha como meta impor aos países em desenvolvimento medidas básicas para um profundo ajuste macroeconômico, e para tal, uma das receitas foi o desmonte do Estado com a entrega de nossas riquezas à iniciativa privada. 

Passados, aproximadamente, 27 anos das primeiras privatizações “tucanas”, estamos assistindo, uma vez mais, a nossa soberania ser subjugada e o que sobrou do patrimônio do povo brasileiro ser, irresponsavelmente, dilapidado por um governo ilegítimo e, comprovadamente, corrupto. 

Vale lembrar que um dos álibis utilizados para derrubar a presidenta Dilma foi o discurso da necessidade de se recuperar a credibilidade do país junto à comunidade internacional. Realizado o golpe o que estamos assistindo é o Brasil sendo achincalhado por outras Nações e a instalação de um claro governo cleptocrata. 

Neste contexto, Michel Temer assume o Poder e começa a sua segunda fase de trairagem, desta feita, contra o povo brasileiro que tinha optado pelo Projeto de continuidade das políticas públicas de inclusão social e do fortalecimento do Estado como indutor do crescimento e da geração de renda e emprego.

Aliás, nesse sentido o magnifico historiador Luiz Felipe Alencastro professor emérito da Sorbonne, em Paris, e da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, diise: “...esse governo, de competência derivada, porque decorreu da eleição de Dilma Rousseff, está aplicando uma reforma oposta ao programa de governo que o Temer assinou quando aceitou ser vice. Esse governo não tem legitimidade para virar a mesa, acabar com a CLT, privatizar ou reduzir reserva indígena. A reforma da CLT é feita às escondidas. O [Emmanuel] Macron está fazendo reformas na França, mas foi eleito com essa plataforma e discute com sindicatos...1

Nessa nova fase, diferentemente, da época de FHC que estava alinhado ao “Consenso de Washington”, Michel Temer e seu bando ocuparam o Poder e começaram a colocar em prática a política de desmonte do Estado Social e por consequência, o cumprimento dos acordos firmados com os rentistas, banqueiros, os grandes ruralistas e com os mercados nacional e internacional. 

E nessa esteira iniciou-se uma política fiscal e econômica suicida que criou um rombo nas contas públicas jamais vista no país, levando o Brasil a uma total bancarrota. E para tentar salvar o que já morreu, Michel Temer propõe uma saída que aparentemente pode ajudar a tapar esse rombo, mas que na verdade, tem o objetivo de agradar o “Deus Mercado”. Estamos falando da volta das privatizações à toque de caixa, ou melhor, as “privatifarias”, como diz Paulo Henrique Amorim. 

Para iniciar a liquidação de ativos estratégicos do Brasil, Michel Temer, cumprindo acordo pela ajuda no golpe, entrega o Pré-sal, nosso maior tesouro, as empresas estadunidenses. E dando continuidade ao projeto entreguista o governo promete doar à iniciativa privada mais e mais patrimônio do povo brasileiro, brevemente, será a Petrobras . 

O Brasil possui 50 satélites que monitoram o país, todos eles foram privatizados por FHC. Considerando esse dano incalculável para a soberania do país, a presidenta Dilma celebrou um acordo com a França para construção de um satélite 100% nacional e que tem como objetivos contribuir para a segurança do país, para encarar a guerra cibernética, como instrumento para as políticas de saúde, educação e para outros interesses do povo brasileiro e de nossa soberania. No entanto, antes mesmo deste satélite operar 100%, o atual governo vai vendê-lo, no dia 27/08/2017, aos carniceiros privados. As favas o povo brasileiro e a soberania do país, diria Michel Temer e seu bando! 

Dando continuidade à sanha das “privatifarias” o governo anuncia mais um golpe lesa-pátria: a entrega de terras da Amazonas à iniciativa privada e as privatizações da Eletrobrás, da Casa da Moeda, dos aeroportos, da Base de Alcântara e tantos outros bens estratégicos da nossa Nação. 

O Brasil vai entregar à iniciativa privada 40 mil km2 de terras da Amazonas com nove unidades de conservação ambiental, todas revogadas para facilitar a entrega desse patrimônio ecológico às mineradoras internacionais. O volume de terra que será "doado" à iniciativa privada é igual ao tamanho territorial de vários países. 

O governo golpista pretende, também, vender uma das maiores empresas do Setor Elétrico do mundo, a estatal Eletrobrás. Essa empresa foi projetada pelo governo de Getúlio Vargas e criada em 1961. A Eletrobrás tem como atribuições a promoção de estudos, projetos de construção e operação de usinas geradoras, linhas de transmissão e subestações destinadas ao suprimento de energia elétrica do país. A empresa tem um papel decisivo para a expansão da oferta de energia elétrica e o desenvolvimento do país. Hoje a Eletrobrás possui 16 empresas, gera 1/3 da energia instalada no país, é líder em transmissão de energia elétrica no Brasil, teve um lucro de R$ 3,4 bilhões em 2016 e tem investimentos previstos para 2017 e 2021 na ordem de R$ 35,8 bilhões​. Essa é a empresa que Temer quer doar à iniciativa privada e que, certamente, causará danos incalculáveis aos cofres públicos e grandes sacrifícios financeiros ao povo brasileiro. 

Por fim, a privatização da Casa da Moeda. Uma empresa pública fundada em 1694 pelo Rei de Portugal D. Pedro II, com o objetivo de atender a demanda de fabricação de moedas no país. Hoje essa empresa com mais de três séculos é a responsável pela produção do meio circulante brasileiro e de outros produtos de segurança, como passaportes com chips e selos fiscais. O complexo industrial da Casa da Moeda é um dos maiores do gênero no mundo. A empresa teve um faturamento bruto em 2016 na ordem de R$ 2.411.505.407,37. É essa empresa, um dos símbolos da soberania nacional que os golpistas querem entregar na bacia das almas. 

A propósito, Gilberto Bercovici, Professor Titular de Direito Econômico e Economia Política da USP​, escreveu: “...A privatização dessas empresas estatais significa a desestruturação do sistema energético integrado, fundamental para a manutenção de um mercado interno de dimensões continentais, como o brasileiro, e uma inserção internacional competitiva, não subordinada. A fragmentação das empresas estatais de infraestrutura substitui, na maior parte dos casos, o monopólio estatal pelo monopólio ou oligopólio privados, além de romper com o planejamento estratégico e integrado da rede de serviços básicos e com um sistema interligado de tarifas cruzadas. O desmonte do setor elétrico brasileiro, com a anunciada privatização da Eletrobrás, compromete de forma definitiva nossa soberania energética. A soberania energética é um componente essencial da soberania econômica nacional, pois abrange um setor chave da economia do país...2

Aqui está um pequeno retrato do que esses canalhas, canalhas e canalhas estão fazendo com o Brasil, e como bem afirmou o grande nacionalista, ex-governador do Rio de Janeiro, Saturnino Braga “...[os golpistas] venderam estradas e aeroportos. E querem vender a nossa Casa da Moeda. Pois agora chega a nova que faltava, desfaçatez que nos deixa sem palavras: querem vender a irmã da Petrobras, vender a luz e a força do Brasil. Querem vender, vender, privatizar. Que vendam, pois, a p... que os pariu!3” 














1 Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/politica/alencastro-sepulta-o-parlamentarismo-do-gilmar 
2Fonte:https://www.conversaafiada.com.br/economia/bercovici-quanto-privatizarem-tanto-reestatizaremos 
3 Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/economia/saturnino-que-vendam-a-p-que-os-pariu 





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

HÁ SALVAÇÃO SEM A POLÍTICA?

Nos períodos de ditadura o Partido Político e os políticos sempre foram vistos como inimigos dos governos e dos governantes.

Hoje, malgrado o golpe político/jurídico/midiático, podemos, ainda, afirmar que vivemos em uma democracia, pelo menos, sob o ponto de vista do funcionamento das instituições. Porém, paradoxalmente, uma grande parcela da sociedade tem agido de forma contrária à democracia.

Já escrevemos que as manifestações de 2013, não obstante aparentarem meros atos democráticos no quais o povo se rebelou contra a corrupção, a verdade é que essas manifestações resultaram no afloramento do ódio, do preconceito e da intolerância, e sob o ponto de vista político/governamental, o resultado foi outro desastre: o poder central caiu nas mãos de um governante ilegítimo, corrupto, sem respaldo popular e executor, tão somente, dos projetos e dos interesses de uma minoria da casta nacional, em detrimento aos interesses do povo brasileiro e da nossa Nação.

Hoje, a despeito dessas manifestações e da Operação Lava-jato, sabemos pelas pesquisas de opinião pública que a eleição para presidente da república em 2018 deverá ser vencida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, o maniqueísmo que está tomando conta da sociedade e o sentimento coletivo de rejeição aos políticos pode mudar, por completo, esse panorama. 

Não obstante todos os retrocessos pós-manifestações de 2013, há um movimento muito mais perigoso, rasteiro e silencioso que pode ganhar espaço e colocar em cheque a nossa democracia. Ganha força no país, com ajuda da mídia, o discurso da negação da política, ou, o negacionismo, termo que remete a um fenômeno específico que tem lugar após a Segunda Guerra Mundial. E esse discurso já começou a surtir efeito. Vários Prefeitos, valendo-se da insatisfação, da frustração e do desgosto da população com a política, utilizaram esse álibi do “apolítico” para conseguirem seus feitos. É o caso, por exemplo, de Dória em São Paulo e Alexandre Kalil em Belo Horizonte,  dois dos maiores colégios eleitorais do Brasil. E somado a isso tivemos, também, nas eleições de 2016 um alto índice de abstenção de votos, com eleitores que votaram branco, nulo ou que simplesmente não compareceram para votar.

Não temos dúvidas de que todos esses fatores corroboram, sobremaneira, para a tese do negacionismo em curso no Brasil, um fenômeno sociológico perigoso e muito próximo do fascismo.

A propósito, o Economista, André Calixtre asseverou: “..O fascismo, no Brasil, assim como em qualquer outro lugar do mundo, nasce do sentimento de negação da política, seja ela tradicional, seja ela a política futura. É a ideia de que a política não serve como instrumento de melhoria das condições sociais e que é preciso substituir esse espaço. Quando se nega esse instrumento da política — a política no grande sentido do termo —, aparece o discurso do fascismo...Esse discurso é muito difícil de ser interpretado, porque ele é, ao mesmo tempo, conservador e progressista, social e individualista, ou seja, é tudo junto porque, na verdade, ele é um sistema de destruição do sistema político, que aparece no momento em que o sistema político democrático se deteriora. Ao mesmo tempo, o fascismo não é um movimento que está fora de nós, o fascismo está à espreita, é uma forma de regime totalitário que avança na deterioração da democracia e não na superação dela...1
 E é dentro deste contexto, que as forças dominantes do país vão agir no ano de 2018. Podemos afirmar, categoricamente, que essas forças, apoiadas pela “mídia nativa”, já estão preparando seus candidatos “apolíticos”, que usarão a Operação Lava-jato como carro-chefe e núcleo deste discurso.

Não temos aqui a pretensão de profetizar, mas, certamente, três fariseus serão apontados pela direita conservadora como os “apolíticos” salvadores da pátria: o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, o Batman brasileiro, o apresentador de TV, Luciano Huck, o bom mocinho ou o ex-treinador da seleção de vôlei do Brasil, Bernadinho, o homem de sucesso e vencedor.

Eis aqui na nossa humilde opinião o quadro que se avizinha para 2108. Resta para nós, esperar que o povo brasileiro tenha memória, sabedoria e amadurecimento político suficiente para não se deixar levar por esse discurso fácil, aparentemente ético, porém, falso e sorrateiro. Não podemos esquecer que o fascismo é exemplo emblemático desse “negacionismo” da política. A história está repleta desses falsos moralistas!




1 Fonte: http://jornalggn.com.br/fora-pauta/o-discurso-fascista-e-a-negacao-da-politica

O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO NA BERLINDA...!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

OS REFLEXOS DE JUNHO DE 2013

A liberdade de manifestação é uma garantia constitucional para todo cidadão, aliás, é cláusula pétrea da Magna Carta de 1988.

Neste contexto acompanhamos em junho de 2013, a maior manifestação do povo brasileiro, depois da campanha pelas Diretas Já. Esse ato teve como pauta o impeachment da presidenta Dilma, o apoio à Operação Lava-jato e os protestos contra a corrupção.

Não obstante sabermos que essa manifestação contou com a manipulação da “mídia nativa” e das redes sociais, por meio de robôs bancados pelo empresariado nacional, por banqueiros e por Partidos do campo conservador, há que se reconhecer que a direita soube trabalhar e organizar, com sucesso, os protestos de 2013. Não é por menos que estão conseguindo seus objetivos!

Aliás, nesse sentido José Dirceu aponta: “...não podemos e não devemos subestimar a direita ou desconhecer as mudanças no seu modo de agir e atuar...[Um exemplo] é o ódio que os movem para nos derrotar e nos destruir como força política e social, como partido e consciência política, memória histórica e, principalmente, como legado e conquista de direitos sociais e políticos pelo povo trabalhador e o resgate da dignidade e soberania nacional..1

No entanto, o que nos chama atenção nessa denominada “festa democrática” é o paradoxo que se estabeleceu. A literatura nos mostra que qualquer ato democrático tem como objetivo colher resultados positivos, esse ato, porém, culminou em um retrocesso, político, social, econômico e judicial só visto nos meses que antecederam golpe militar de sessenta e quatro.

Hoje sabemos que essas manifestações foram o estopim para o golpe contra o povo brasileiro e contra a incipiente democracia do país.

No campo midiático, político, social, econômico e judicial, tivemos vários episódios que, certamente, entrarão para a história do país como o pior momento da República Federativa do Brasil.

Não há como negar que a “imprensa familiar” foi, junto com as redes sociais, os principais artífices do movimento de ódio, preconceito e intolerância que se espalhou Brasil afora e que resultou no fortalecimento da direita reacionária e o despertar dos fascistas tupiniquins comandados pelo nefasto pensamento do ignóbil Deputado Jair Bolssonaro.

Aliás, neste sentido Conceição Oliveira preleciona:”...A disseminação do ódio não restringe à personalidades públicas [militante e políticos de esquerda]. Ele é recorrente aos grupos sociais que historicamente sempre ocuparam o lugar de submissão social, daí o ódio aos estudantes cotistas negros que passaram a enegrecer as tradicionalmente arianas universidades brasileiras, e o ódio aos programas como Prouni e Fies, bem como aos programas de renda mínima que combatem a desigualdade histórica..2

No campo político e aproveitando-se da onda de ódio e intolerância que assolou o país, os parlamentares deram o primeiro golpe: o impeachment da presidenta Dilma, uma manobra rasteira que resultou em um falso processo para retirar do Poder uma mandatária sabidamente proba e comprovadamente honesta.

Após esse golpe, assume o Planalto Central o vice Michel Temer o presidente mais rejeitado da história do Brasil e o primeiro presidente no poder a se tornar réu em processos penais. E é com esse presidente ilegítimo que começa o golpe contra o povo e as manobras para proteger os golpistas que o colocaram no Poder.

Neste contexto, presenciamos incrédulos, as tentativas dos golpistas de se livrarem das investigações contra suas pessoas em inúmeros casos de corrupção.

Já o golpe contra a classe trabalhadora veio com as reformas trabalhista e previdenciária. Agora assistimos a nefasta reforma política com as tentativas de se implantar no país o parlamentarismo e o voto distrital. O primeiro, tira do povo o direito de escolher o presidente da república, e o voto distrital tem como meta eleger os mais ricos ou aqueles com maior influência junto ao poder financeiro do país. É uma clara tentativa de implantar no Brasil um governo da plutocracia e da cleptocracia.

No campo social/conômico, vivenciamos o maior desemprego das últimas décadas e o fim das políticas sociais. Ainda na área econômica, mais retrocessos: política fiscal suicida, estagnação da economia com reflexos perversos na indústria e no comércio e claros projetos de lesa pátria, como a entrega do Pré-sal às empresas internacionais, a autorização para que estrangeiros adquirem terras no Brasil, privatizações a toca de caixa e uma política econômica que está levando o país para o fundo do poço.

No campo jurídico, assistimos a conivência e a complacência do Poder Judiciário/MPF com o Estado de Exceção implantado no Brasil. A Operação Lava-jato é emblemática para essa afirmação, pois, estamos vivenciando reiteradas violações aos direitos e garantias fundamentais e o flagrante descumprimento de leis infraconstitucionais. Essa conduta, além de nefasta para a Justiça contamina a sociedade levando-a para uma completa despolitização. Mas não obstante esses aspectos, essa operação que deveria ser um divisor de águas no combate à corrupção, foi transformada em instrumento político, partidário e ideológico contra as forças progressistas, em especial, contra o presidente mais popular da história do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. A persecução penal, a condenação de Lula e a “inimputabilidade” de tucanos são as fezes que faltavam na vala de esgoto do Poder Judiciário.

Mas não obstante, todos esses nefastos efeitos das manifestações de junho de 2013, o que mais chama atenção é o poder anestésico que se abateu sobre o povo brasileiro, os movimentos sociais e a esquerda do país que não conseguem se articular para um contragolpe.

A propósito, o Deputado constituinte de 1988 Aldo Arantes sustenta que “sem o povo nas ruas ficará difícil reconstruir a hegemonia política com a criação de bases sociais amplas e sólidas que permitam conter a onda da direita e avançar na reconquista da democracia e dos direitos do povo, criando condições para as reformas estruturais do estado brasileiro...3”  
   
E realmente, se não sairmos desse estado letárgico o mais rápido possível não temos dúvidas de que o golpe se completará em 2018 e veremos, como consequências, retrocessos muito mais profundos e comprometedores para a sociedade brasileira. Trabalhadores, uni-vos, o firmamento é do condor e a rua é do povo ...!





1 Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/brasil/dirceu-responde-a-o-que-fazer
2 Fonte: Golpe16 – Texto de Conceição Oliveira – pag. 45
3 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/aldoarantes/311694/Por-que-o-povo-n%C3%A3o-est%C3%A1-nas-ruas.htm