segunda-feira, 27 de abril de 2026

A LUTA DA BURGUESIA CONTRA O FIM DA ESCALA 6 X 1

 


Por: Odilon de Mattos Filho


Segundo a literatura, trabalho é uma atividade desenvolvida para alcançar um objetivo final, podendo ser realizada de forma individual ou coletiva.

A palavra trabalho, conforme explica o professor Thiago Souza, deriva do latim tripalium, que significa “três paus”, instrumento de tortura formado por três estacas de madeira cruzadas. A origem do termo revela, simbolicamente, o caráter penoso que historicamente marcou o trabalho humano.

Ao longo da história, a humanidade vivenciou diferentes formas de organização do trabalho: trabalho primitivo, escravo, feudal, capitalista e socialista.

Além disso, destaca-se a Divisão Internacional do Trabalho (DIT), que descreve como os diferentes países se inserem no sistema produtivo global, especialmente no capitalismo, estabelecendo relações desiguais entre nações centrais e periféricas.

Com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, consolida-se o poder econômico e político da burguesia. Esse período marca a transição da produção artesanal para a maquinofatura e aprofunda a divisão entre os detentores dos meios de produção (burguesia) e aqueles que vendem sua força de trabalho (proletariado), dando origem também à divisão social do trabalho.

Apesar de seu impacto no desenvolvimento das forças produtivas, a Revolução Industrial ficou marcada pela intensa exploração da classe trabalhadora, sobretudo por jornadas exaustivas e condições precárias de trabalho.

Ao longo do tempo, por meio de intensa organização e luta — especialmente via sindicatos e movimentos operários — os trabalhadores conquistaram direitos fundamentais, entre eles a redução da jornada de trabalho. Essas conquistas não foram concessões espontâneas, mas resultado de uma luta histórica contra os interesses da classe dominante.

Atualmente, os trabalhadores brasileiros enfrentam mais uma importante batalha: o fim da escala 6x1. Trata-se de uma reivindicação histórica, que encontra forte resistência da burguesia nacional.

Tramita na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe não apenas o fim da escala 6x1, mas também a implementação de uma jornada de quatro dias semanais (escala 4x3), com possibilidade de compensação por meio de negociação coletiva. Posteriormente, surgiu uma proposta alternativa do governo Lula, que prevê o fim da escala 6x1 sem redução salarial, garantindo cinco dias de trabalho e dois de descanso.

Como em outras pautas sociais, a reação da burguesia tem sido imediata, baseada na disseminação de um suposto “pânico econômico”: aumento de custos, risco de inflação e redução de salários. Em essência, trata-se da defesa da manutenção das taxas de lucro — ou seja, da preservação da mais-valia.

Entretanto, experiências internacionais demonstram que jornadas reduzidas não comprometem a economia. Em diversos países europeus, a jornada de cinco dias semanais já é realidade há décadas, sem prejuízos estruturais. Pelo contrário, estudos indicam que jornadas mais equilibradas melhoram a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzem afastamentos, aumentam a produtividade e diminuem a rotatividade.

Diante desse cenário, torna-se fundamental a mobilização da classe trabalhadora. O 1º de Maio deve ser um momento de unidade e luta, com manifestações em todo o país para pressionar o Congresso inimigo do povo a aprovar o fim da escala 6x1.

É urgente recolocar a classe trabalhadora no centro do debate político e manter a ofensiva nas ruas, afirmando que o tempo de vida, o lazer e a saúde não podem estar subordinados à lógica da exploração. Como bem sintetizou o sociólogo Antonio Candido: “Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo.”

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