terça-feira, 26 de maio de 2015

“O ÓDIO CEGA. O ÓDIO DESUMANIZA!”

A Constituição Federal garantiu a todos nós direitos que são pilares da democracia e substanciais à manifestação humana, como, por exemplo, a liberdade de pensamento e de expressão. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, esses direitos possuem limites. Aliás, nesse sentido o ilustre Promotor de Justiça, Clever Vasconcelos nos ensina: “...a liberdade de pensamento é um direito inerente à pessoa humana, reconhecido e assegurado na ordem constitucional vigente...Todavia, assim como tantos outros direitos fundamentais, a liberdade de pensamento não constitui direito absoluto. Ao contrário, encontra limites nos demais direitos da personalidade consagrados pela CF/88l como a dignidade da pessoa humana, a honra, a imagem, entre outros...”, conforme consagrado na jurisprudência pátria e na boa doutrina.

Mas malgrado esses ensinamentos, lamentavelmente, o que estamos assistindo nesses últimos meses, especialmente, após a vitória da Presidenta Dilma na eleição de 2014, é um acinte a esses direitos constitucionais.

Uma parcela da sociedade, composta pela elite conservadora e incentivada pela mídia, resolveu a sair do armário, ou seja, assumiu o seu papel de uma direita reacionária e fascista. Evidente que não estamos falando das manifestações de ruas, mas sim da intolerância, do ódio e da vingança pessoal contra a Presidenta Dilma, o ex-presidente Lula, o PT, seus filiados, simpatizantes, e até mesmo contra pessoas que  são pegas lendo revistas independentes, como, por exemplo, a “Carta Capital”, ou simplesmente, que estejam utilizando alguma peça de roupa na cor vermelha.

Em fevereiro deste ano o ex-ministro Guido Mantega levou sua esposa ao Hospital Albert Einstein onde está fazendo tratamento contra um câncer, quando chegaram à cafetaria do Hospital o Ministro foi xingado por um grupo de pessoas que estava no recinto, inclusive, por uma médica que gritou: “vai para o SUS...vai para Cuba seu FDP”.

 Depois deste episódio o agredido foi o ex-ministro da saúde, Alexandre Padilha que se encontrava em um restaurante na cidade de São Paulo e fora provocado por um empresário falido e picareta que além de demonstrar o seu ódio mostrou total desconhecimento sobre a saúde pública do Brasil e sobre o Programa “Mais Médico”. Aliás, também em um restaurante de São Paulo, o Ministro Jaques Wagner, que é judeu foi vítima de intolerância religiosa. 

Poucos meses depois, mais uma vez o ex-ministro Guido Mantega foi hostilizado, desta feita em um restaurante paulista, nessa ocasião o Ministro tentou se defender, mas os agressores não o deixaram falar e começaram a vaiá-lo. 

Outros exemplos de intolerância, lamentavelmente, já estão se tornando rotineiros, até mesmo contra simples cidadãos. No dia 27/05/2015, o comerciante Elbio de Freitas Flores viajava de Porto de Alegre para Brasília. Quando o avião aterrissou na Capital do país, ainda dentro da aeronave, um grupo de pessoas do Movimento fascista “Brasil Livre” interpelou o comerciante chamando-o de bolivariano pelo simples fato de está lendo a revista “Carta Capital”, dizendo ainda, que a “revista é idiota e lida somente por idiotas”.    

Outro caso dessa baixaria patrocinada pela elite fascista do Brasil, envolveu, por ironia do destino, um membro da família do colunista global Ricardo Noblat, que, aliás, é um dos semeadores desse ódio. No dia 17/03/2015, seu filho Guga Noblat estava passando próximo ao MASP juntamente com a filha de colo e sua esposa, quando foi surpreendido por um grupo de manifestante anti-PT que o agrediu porque estava usando uma camisa vermelha com o símbolo da marca “All Star” que é uma estrela.

O que chama atenção nesse episódio, além da ironia do destino e por se tratar de mais uma agressão que rechaçamos, foi o comentário de Ricardo Noblat: “...infelizmente, [meu filho] está provando na pele o quanto dura e arriscada pode ser a vida de um jornalista”. Realmente, é de impressionar a conduta partidarizada de certos jornalistas. Ricardo Noblat perdeu a grande chance de denunciar essa violência partidarizada que vem tomando conta da elite conservadora. Falou bobagem! Aliás, quem falou com sabedoria foi o Deputado do PSOL, Jean Wyllys que disse:”...O ódio cega. O ódio desumaniza. O ódio tira o senso do ridículo. O ódio transforma o que poderia ser uma crítica construtiva ou uma manifestação pacífica num espetáculo fascista assustador!”. 

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