sexta-feira, 12 de setembro de 2014
MANCHETÔMETRO DESNUDA A VERGONHOSA REALIDADE DA MÍDIA BRASILEIRA
Desde seu lançamento, o
Manchetômetro tem produzido análises diariamente atualizadas da
cobertura das eleições 2014 na grande mídia. Para tanto,
utilizamos o estudo de valências, isto é, os textos de capa dos
três jornais impressos mais influentes do país (Folha de S. Paulo,
O Globo e Estado de S. Paulo) são codificados levando em conta cada
um dos três candidatos com maior intenção de voto na corrida
presidencial e seus respectivos partidos. Os valores atribuídos são
neutro, favorável, contrário ou ambivalente.
Nota-se claramente que as notícias
contrárias e neutras são predominantes se comparadas às
favoráveis, tanto a candidatos quanto a partidos. No entanto,
identificamos um número significativamente maior de notícias
contrárias à atual presidenta e candidata à reeleição, Dilma
Rousseff, e ao seu partido, o PT, que aos outros candidatos e
partidos, como é possível observar na sessão Análises
2014. Também utilizamos valências para analisar as
notícias relativas à política e à economia, codificando-as como
negativas, positivas, neutras ou ambivalentes. Até agora, é
possível verificar um alto número de notícias negativas sobre
ambos os temas, o que evidencia uma interpretação por parte desses
veículos de que o país estaria enfrentando uma crise em seu regime
democrático e atravessando – ou prestes a atravessar – uma crise
econômica.
A despeito da análise de valências
feita pelo MANCHETÔMETRO revelar um grande viés na cobertura
eleitoral da grande imprensa, esse resultado pode ser colocado em
questão pela hipótese do contrapoder, segundo a qual o papel da
grande mídia em uma sociedade democrática moderna é exatamente
aquele de se contrapor ao poder instituído. Assim, a mídia teria
uma função precipuamente oposicionista. Seguindo esse raciocínio,
o viés que vemos hoje não seria de fato anti-PT, anti-Lula ou
anti-esquerda, mas simplesmente anti-governo.
Pois bem, para testar a hipótese de
que o viés observado pode ser resultado de uma disposição genérica
da mídia à adoção de um posicionamento crítico ao partido que
está no poder, independentemente de qual seja ele, o Manchetômetro
apresenta os resultados da análise de valências das notícias de
capa dos três jornais estudados (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado
de S. Paulo) no que toca os candidatos com maior intenção de votos
na corrida presidencial de 1998: Fernando Henrique Cardoso (PSDB),
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS). O período
analisado vai do primeiro dia oficial de campanha, 06 de julho, até
05 de outubro, dia seguinte ao primeiro turno, quando foram
divulgados os resultados parciais da apuração. A eleição de 1998
foi escolhida porque representa uma situação análoga à eleição
de 2014: o então presidente em exercício pelo PSDB Fernando
Henrique Cardoso tentava a reeleição, tal como Dilma agora o faz, e
os dois dos principais partidos que disputam a eleição daquele ano
também estiveram na frente das pesquisas por boa parte do período
eleitoral de 2014. Para termos parâmetros de comparação,
apresentamos somente os dados do período oficial de campanha de
2014, que teve início no dia 6 de julho ainda está em curso. Esses
dados continuarão a ser atualizados diariamente até o próximo dia
5 de outubro, data do primeiro turno.
Nesta
página encontram-se os gráficos que representam a cobertura dos
três jornais estudados (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S.
Paulo) no que toca os candidatos com maior intenção de votos na
corrida presidencial de 1998. Ao lado, temos os gráficos relativos
aos candidatos de 2014. Primeiro, apresentamos os dados que
correspondem ao somatório de matérias e chamadas de capa de todos
os jornais de acordo com sua valência para cada um dos candidatos.
Em seguida, dois gráficos comparam apenas a cobertura dos candidatos
concorrendo à reeleição. Por fim, apresentamos gráficos
comparando apenas os candidatos da oposição.
Nesta
página encontram-se os gráficos que representam a cobertura dos
principais candidatos das corridas presidenciais de 1998 e 2014
separadas por jornal (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S.
Paulo). O objetivo aqui é que possamos comparar os perfis e notar
semelhanças e diferenças no comportamento de cada meio. Para cada
jornal, apresentamos três comparações diferentes: a primeira
refere-se ao número agregado das manchetes e chamadas de capa
favoráveis, contrárias e neutras a cada um dos candidatos; em
seguida, gráficos comparam apenas a cobertura dos dois candidatos
concorrendo à reeleição; por fim, apresentamos gráficos
comparando apenas os candidatos da oposição.
Nesta
página encontram-se os gráficos que representam a cobertura
agregada dos três jornais estudados (Folha de S. Paulo, O Globo e
Estado de S. Paulo) no que toca os principais partidos das corridas
presidenciais de 1998 e 2014. Primeiro, apresentamos o dado bruto que
corresponde ao somatório de matérias e chamadas de capa de todos os
jornais de acordo com sua valência para cada um dos partidos. Em
seguida, apresentamos a cobertura de cada um dos jornais
individualmente.
O
estudo de valência das notícias de 2014 relativas ao tema política
mostram uma abundância de notícias negativas sobre as instituições
políticas brasileiras (partidos, congresso, executivo, etc.),
agências, empresas e políticas públicas, e personalidades
políticas, dando grande visibilidade a notícias sobre corrupção,
desgoverno, má administração, mal funcionamento de políticas
públicas, etc., interpretando esses aspectos da política como se a
democracia brasileira estivesse em crise. Para verificar se tal
diagnóstico já estava presente na grande mídia em 1998,
apresentamos gráficos comparando o dado bruto que corresponde ao
somatório de matérias e chamadas de capa de todos os jornais de
acordo com sua valência – positiva, negativa ou neutra – no que
se refere ao tema política em 1998 e em 2014. Em seguida,
apresentamos as coberturas de cada um dos jornais individualmente.
O
estudo de valência das notícias de 2014 relativas ao tema economia
mostram a abundância de um enquadramento que denominamos “Crise
Econômica”, que consiste em privilegiar notícias negativas da
economia do país, interpretando fatos e dados econômicos como
sinais de uma crise, ou em andamento ou prestes a acontecer. Para
verificar se tal diagnóstico já estava presente na grande mídia em
1998, apresentamos gráficos comparando o dado bruto que corresponde
ao somatório de matérias e chamadas de capa de todos os jornais de
acordo com sua valência – positiva, negativa ou neutra – no que
se refere ao tema economia em 1998 e em 2014. Em seguida,
apresentamos as coberturas de cada um dos jornais individualmente.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
MARINA É O FHC DE SAIAS!
É
sabido que Marina Silva só é candidata, como ela mesma gosta de
dizer, graças à “providência divina”, o que convenhamos beira
à soberba e a prepotência, aliás, características dos
fundamentalistas religiosos.
Passada
a comoção e a espetacular cobertura midiática sobre o fatídico
acidente que vitimou Eduardo Campos e seus companheiros, e a gritante
exploração eleitoral do fato, eis que surge a “metamorfose
ambulante”, Marina Silva como a verdadeira salvadora do
neoliberalismo tupiniquim.
A
“mídia nativa” e a oposição conservadora já desesperados com
o cambaleante Aécio Neves, não teve dúvidas e se agarraram à
candidata Marina, para tanto, intensificaram o tiroteio contra Dilma
Rousseff para favorecer a “Fadinha das Florestas”, e parece que
está surtindo efeito.
Marina,
além de suas contradições, tenta se apresentar contra a "velha
política" e como uma candidata da terceira via, no entanto, o
seu discurso aponta, de maneira clara, na direção das ultrapassadas
políticas neoliberais e do fundamentalismo religioso, e tudo isso
alimentado pelos segmentos mais conservadores da sociedade, como por
exemplo: parte dos evangélicos, banqueiros, usineiros, empresários,
a “mídia nativa” e vários políticos neoudenistas, tais como,
Marco Feliciano, José Agripino Maia, Jorge Bornhausen, Heráclito
Fortes, Ronaldo Caiado, José Serra, dentre outros.
No campo dos direitos humanos, Marina em
um primeiro momento se comprometeu com as causas do LGBT, mas depois de um
puxão de orelhas do Pastor Silas Malafaia, teve seu primeiro surto de "metamorfose ambulante", recuando e retirando o seu apoio à aprovação
do PLC 122/06, que dentre outras coisas, equipara os crimes de discriminação de
gênero com os crimes de racismo, elimina os obstáculos para adoção de crianças
por casais homossexuais e tem como proposta o casamento civil gay igualitário,
sem contar à sua ferrenha oposição às pesquisas com célula tronco. Outro
retrocesso da insegura Marina: antes ela escreveu: “A
tortura é crime hediondo, não é ato político nem contingência histórica. Não
lhe cabe o manto da Lei de Anistia”. Agora, em entrevista ao G1 Marina disse ser contra
a revisão dessa lei.
Na área econômico as propostas são
claramente neoliberais, a começar pelos os seus gurus: Eduardo Giannetti, André
Lara Resende, ex-assessor e ex-presidente do BNDES de FHC, Neca
Setubal uma das donas do Banco Itaú, dentre outros.
Todos estes gurus, bem como Marina são,
declaradamente, defensores das políticas neoliberais, tais como: autonomia do
Banco Central, que significa que os banqueiros é que vão mandar no Brasil e na
política de juros; Pré-sal não é prioridade, isso é renunciar a maior riqueza
produzida no Brasil, a maior fonte financeira para saúde e educação e o fim dos
estaleiros e dos empregos; terceirização no setor privado, não passa da
precarização das relações de trabalho; não intervenção do Estado na economia,
pode ser o fim do apoio dos bancos públicos e do BNDES para as indústrias,
comércio, etc; diminuição dos gastos públicos, que significa fim das obras
estruturais e fim dos empregos; mudança na política de reajuste do salário
mínimo, que nada mais é do que o arrocho nos salários da classe trabalhadora; diminuição do papel do Estado na solução dos conflitos trabalhistas coletivos, isso pode limitar a Justiça do Trabalho que terá, apenas, uma função de arbitragem pública. Dentre outras execráveis medidas neoliberais.
Aliás, sobre os projetos de Marina o mais respeitado intelectual e Teólogo do Brasil, Leonardo Boff, concedeu uma contundente entrevista da
qual pinçamos essa parte sobre a autonomia do Banco Central: ”...Renunciar à
soberania monetária do país é entregá-la ao jogo do mercado, dos bancos e do
sistema financeiro capitalista...Um presidente/a é eleito para governar seu
povo e um dos instrumentos principais é o controle monetário que assim lhe é
subtraído. Isso é absolutamente antidemocrático e comporta submissão à tirania
das finanças que são cada vez mais vorazes...Os pobres perderam
uma aliada e os opulentos ganharam uma legitimadora".
Na
área agrícola, que é o grande responsável pelo crescimento do PIB, a
insegurança, a manipulação e as contradições de Marina são gritantes. A
candidata, coerente com os seus princípios, cansou de discursar contra uso de
sementes transgênicas, porém, assim que Marina assumiu sua candidatura, teve o
desplante de dizer: “Há uma lenda de que eu sou contra transgênicos, mas isso
não é verdade”.
Aliás, sobre essa falsidade de Marina,
o renomado ambientalista, Dener Giovanini, escreveu:”.... Ao afirmar que “há uma lenda de que eu sou contra os
transgênicos, mas isso não é verdade”, a ex-ministra Marina incorporou
definitivamente o que de mais podre existe no que ela define como a “velha
política”: tentar manipular o passado para garantir uns votinhos no presente.
Naquele exato momento, na bancada do JN, Marina Silva perdeu de vez a noção da
realidade. Apequenou-se”.
Diante de tudo isso, chegamos a duas conclusões: a primeira é
que Marina não entendeu que o Brasil é um Estado laico e não teocrático ou
confessional; e segundo, fica claro que Marina Silva recepcionou o receituário
neoliberal, o mesmo que outrora quebrou o Brasil. Por essas razões que
afirmamos: realmente, Marina não passa de um FHC de saias, inclusive, já vem
dizendo: “esqueçam tudo que eu escrevi”!
sábado, 30 de agosto de 2014
PROFESSOR DA UFJF DESMASCARA MARINA SILVA
Reproduzimos ótimo texto do Professor Gustavo Castañon postado Viomundo:
Ilustração: conversafiada.com.br
por Gustavo Castañon
Candidata Marina Silva, meu nome é Gustavo Castañon. Sou, entre outras coisas, filiado há mais de dez anos ao PSB, partido que hoje a senhora usa para se candidatar, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora e um cristão convicto, como acredito que a Senhora também seja, do seu jeito.
Investida de seu eterno papel de vítima, sua campanha lançou um site na internet chamado “Marina de Verdade”(com V maiúsculo mesmo) para combater supostas “mentiras” espalhadas contra a senhora na internet. Vou aqui responder uma a uma as afirmações de seus marqueteiros no site citado, oferecendo os links de fontes das minhas afirmações.
1 – Não Marina, você não sofre preconceito por ser evangélica.
Você é que acredita que todos aqueles que não compartilham de suas crenças queimarão eternamente no fogo do inferno. É o que está claramente descrito no credo (credo 14) de sua agremiação religiosa. Que nome podemos dar a isso? Certamente é um nome mais assustador do que intolerância ou preconceito. Talvez essa seja a origem de seu maniqueísmo, já que separa o mundo entre os bons, que apoiarão seu possível governo, e os maus, que lhe fariam oposição, como eu. O seu problema não é ser protestante. É ser da Assembleia de Deus, associação pentecostal de vários ramos que interpreta literalmente o Antigo Testamento, e que tem entre seus pastores Marcos Feliciano, que vende curas a paraplégicos, e Silas Malafaia, este homem que hoje defende da “cura gay” à teologia da prosperidade e vende bênçãos de Deus. Eu me pergunto: o que alguém que faz parte de uma organização que faz comércio com a palavra de Cristo é capaz de fazer na vida política? Qual o nível de inteligência que pode possuir alguém que faz interpretações tão rasteiras do significado da Bíblia? Essas são perguntas legítimas que as pessoas se fazem, e não por preconceito, mas por conceito.
2 – Não Marina, o Estado Laico deve intervir nas práticas religiosas quando são fora da lei.
Se uma religião resolve reinstituir o sacrifício de virgens dos Astecas ou a amputação de clitóris comum em alguns países muçulmanos hoje, o estado tem que observar inerte essas práticas em nome da liberdade religiosa e do laicismo? Não, candidata. Nenhuma organização está acima da lei num Estado Laico.
3 – Não Marina, você não é moderna, você é uma fundamentalista mesmo.
O fundamentalismo religioso não é a negação do Estado Laico, essa é só uma espécie de fundamentalismo, o teocrático. O fundamentalismo se caracteriza pela crença de que algum texto ou preceito religioso seja infalível, e deva ser interpretado literalmente, tanto em suas afirmações históricas como comportamentais ou doutrinárias. E o ataque ao Estado Laico pode vir também pela incorporação de leis, que desrespeitem as minorias religiosas ou não religiosas, impondo um valor comportamental de determinada religião a todos os cidadãos. Isso faz da senhora uma fundamentalista (Assembleista) que compartilha das crenças de Feliciano e Malafaia, e uma adversária, se não do Estado Laico, do laicismo que deveria orientar todas as nossas leis, pois defende plebiscitos sobre esses temas para impor a vontade das maiorias religiosas sobre as minorias em questões comportamentais.
4 – Não Marina, você é, sim, contra o casamento gay.
Você agora diz que está sofrendo ataques mentirosos na internet sobre o tema, mas sempre se colocou abertamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, defendendo somente a união civil nesse caso. E não adianta simular que o que o movimento gay está reivindicando casamento religioso. O casamento é também uma instituição civil. Você só defende união de bens, sem todos os outros direitos que o casamento confere às pessoas. O vídeo acima e mais esse vídeo aqui provam esse fato de conhecimento público.
PS: Hoje, dia 29/08/2014, ao lançar seu programa de governo, a candidata mudou uma posição defendida por toda vida, faltando um mês para a eleição. Por que?
5 – Realmente Marina, você não é petista.
Você abandonou o partido que ajudou inestimavelmente a construir sua vida política, ao qual você deve todos os mandatos e o único cargo que ocupou até hoje, porque não tinha espaço para sua candidatura à presidência. Hoje, você busca se associar, sem qualquer pudor ou remorso, a inimigos ideológicos históricos do partido, repetindo as práticas que supostamente condena no PT e chama de “velha política”. Só que faz isso somente para chegar ao poder e construindo um projeto oposto àquilo a que defendeu toda a vida.
6 – Realmente Marina, você não é tucana. Mas sua equipe econômica é.
Sua equipe econômica conta com André Lara Resende e Eduardo Giannetti, ex-integrantes da equipe econômica do governo FHC, além de seu coordenador Walter Feldman, que fez toda sua história no PSDB. Suas propostas econômicas são as mesmas do PSDB. Agora, de fato, o que nem o PSDB jamais teve coragem de ter é uma banqueira como porta voz de sua política econômica… Você não quer alianças com governos atuais de nenhuma agremiação, como o de Alckmin, exatamente para manter sua imagem de anti-tudo-o-que-está-aí. Mas não se sente constrangida em ter o vice de Alckmin na coordenação financeira de sua campanha, nem de convidar o “bom” representante de sua “nova política” José Serra para seu governo…
7 – Não Marina. Você defendeu, sim, Marcos Feliciano.
Você afirmou que ele era perseguido na CDH não por causa de suas posições políticas, mas por ser evangélico. Disse que isso era insuflar o preconceito religioso. Não, candidata. Você está falando de seu companheiro de Assembleia de Deus, um homem processado por estelionato, que pede senha de cartão de crédito de seus fiéis, que defende que os gays são doentes e os descendentes de africanos amaldiçoados. Recentemente, esse homem que você afirma ser vítima do mesmo preconceito que você sofreria, afirmou à revista Veja: “Eu não disse que os africanos são todos amaldiçoados. Até porque o continente africano é grande demais. Não tem só negros. A África do Sul tem brancos”. Ao usar essa estratégia de defesa pra ele e para você, você reforça os preconceitos da sociedade e o comportamento de grande parte dos pentecostais de blindar qualquer satanás que clame “Senhor, Senhor” em suas Igrejas.
8 – Não Marina. Você não é só financiada por banqueiros. Eles coordenam seu programa!
Neca Setúbal, herdeira do Itaú, não é só sua doadora como pessoa física. Ela é a coordenadora de seu programa de governo e sua porta-voz, e já declarou que você se comprometeu a dar “independência” (do povo e do governo) ao Banco Central, que fixa os juros que remuneram os rendimentos dela. Da mesma forma, o banqueiro André Lara Resende, um dos responsáveis pelo confisco da poupança na era Collor e assessor especial de FHC, é o formulador de sua política econômica.
9 – Não Marina, você é desagregadora e vilipendia a classe política. Seu governo será o caos.
Você é divisionista e maniqueísta e implodiu meu partido em uma semana de candidatura. Vai deixar seus escombros para trás quando chegar ao poder, como sabemos e já anunciou, para delírio daqueles que criminalizam a política. Seu partido é nanico, e se não o criar com distribuição de cargos, continuará nanico. Com a oposição certa do PT, terá que governar com a mídia e os bancos, que cobrarão o apoio com juros. Precisará do PMDB, que você acusa de fisiologismo, e do PSDB e o DEM, que lhe exigirão não só cargos, empresas públicas e ministérios, mas também a volta das privatizações. A única base congressual que lhe será fiel é a bancada evangélica, que cobrará seu preço com sua pauta de controle dos costumes e seu fisiologismo extremo. Resultado, você vai entregar a alguém o trabalho sujo do fisiologismo ou mergulhará o país no caos.
10 – Não Marina, seu marido foi sim acusado de contrabando de madeira.
E não só isso, foi acusado pelo TCU de doação de madeira clandestina. A senhora usou sua força política de Ministra para impedir que o caso fosse investigado, como sempre fazem na “velha política”. Mais tarde o MP arquivou, como fazem com todas as denúncias contra membros da oposição. Mais uma vez, fato bem comum na “velha política”. Nada é investigado.
11 – Não Marina, Chico Mendes não era da elite. A elite é que o matou.
Em mais uma tergiversação semântica demagógica, num vilipêndio à memória de seu companheiro, a senhora tomou o termo “elite” pelo sentido de elite moral, para acusar de “divisionismo” os que lutam contra a elite econômica brasileira. Essa mesma elite que mantém o Brasil como um dos dez países mais desiguais do mundo e que hoje está acastelada no seu programa de governo e campanha. Seu discurso despolitizante busca mascarar a terrível e perversa divisão de classes no Brasil e é um insulto aos seus ex companheiros de luta. Seu uso demonstra bem à qual elite você serve hoje, e nós dois sabemos que não é à elite moral. A elite moral desse país está lutando contra a elite econômica para diminuir nossa terrível e cruel desigualdade social. E você, Marina, não é mais parte dela.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
HÁ ALGO DE PODRE NO AR
Transcrevemos abaixo ótimo texto do jornalista Fernando Brito
postado no blog “Tijolaço”:
Marina acaba de se associar a um crime eleitoral
Independente
do resultado “marquetológico” da entrevista de Marina Silva ao Jornal Nacional
– e eu acho que foi desastroso – há um elemento gravíssimo nas declarações da
nova candidata do PSB.
Marina confessou o conhecimento de
um crime eleitoral e a participação nos benefícios desta transgressão.
Ela confessou saber que o avião era
produto de um “empréstimo de boca” que seria “ressarcido” – se é ressarcido,
tem preço – ao final da campanha.
Poderia, se fosse o caso, dizer que
não sabia dos detalhes da contratação do serviço, feita por Eduardo Campos. Mas
está amarrada de tal forma no assunto que teve de se acorrentar à fantasiosa
versão do PSB.
Que é uma aberração jurídica e
contábil, que não pode prevalecer – e não prevalece – em qualquer controle de
contas eleitorais.
Até no Acre de Marina Silva, o TRE distribui um formulário onde o dono de um veículo, mesmo que
seja um Fusca 82, tem de assinar a cessão e atribuir o valor em dinheiro do
bem.
O que dirá para um jato de R$ 20
milhões!
Não há um contrato sequer, não há
preço estabelecido e, sobretudo, as empresas (ou o laranjal) que tinham o
controle do avião não se dedicam à locação de transporte aéreo.
É um escândalo de proporções
amazônicas.
Só menor do que o escândalo que é,
depois de tantas confissões, o silêncio do Ministério Público.
Todos se lembram da Procuradora
Sandra Cureau, que por um nada partia para cima do Presidente Lula e da
candidata Dilma Rousseff.
Está mudo, quieto, silente.
Acovardado diante dos novos santos
da mídia.
A partir de agora, prevalecendo
isso, se podem emprestar prédios, frotas, aviões, até uma nave espacial para
Marina ir conversar com Deus.
De boca, sem recibo, sem contrato,
sem papel.
Na
fé.
A VERDADE SOBRE MARINA SILVA
Transcrevemos abaixo um ótimo texto do
jornalista Lino Bocchini, na revista Carta Capital, que desnuda a verdade sobre
Marina Silva.
É comum eleitores justificarem o voto em Marina
Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma
“nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação
não faz sentido:
1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede - e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.
2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.
3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique:Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.
4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.
5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.
6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.
7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.
Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.
Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.
Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.
De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até
agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente:
política.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
A MORTE DE EDUARDO CAMPOS PODE INSTAURAR A "TEOCRACIA" NO BRASIL ?
"...a mídia conservadora,
a exemplo do mercado, engajou-se na candidatura Marina, mesmo sabendo que ela,
num primeiro momento, é um perigo maior para Aécio e para o PSB, já que seu
projeto e ideário é retomar seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade..."
No dia 13 de agosto o povo brasileiro foi surpreendido com a notícia da trágica morte do presidenciável Eduardo Campos e de mais cinco pessoas em um acidente aéreo na cidade de Santos.
Ainda
no calor da tragédia, a mídia não perdeu tempo, e a pretexto de realizar
uma ampla cobertura, instrumentalizou politicamente o acidente, e começou a
trabalhar a candidatura de Marina Silva como se fosse à ungida sucessora de
Eduardo Campos capaz de levar as eleições para o segundo turno, abrindo assim,
a possibilidade de tirar, a qualquer custo, os Trabalhistas do Poder.
A
propósito, parece que a ordem é essa mesma: não perder tempo. O “Datafolha”,
por exemplo, perpetrando a sordidez, e
em total desrespeito à imagem de Eduardo Campos e o sofrimento da família, no
mesmo dia de sua morte, realizou uma pesquisa eleitoral com desfecho pra lá de
previsível: Marina empata com Aécio. Evidente que esse resultado está
contaminado pela comoção popular e não retrata a realidade política. Somente
após o inicio das propagandas e dos debates poderemos saber se Marina consolida
os números dessa pesquisa.
Com
relação ao que vem sendo noticiado a favor de Marina, pensamos diferente, pois,
entendemos que a candidata com o seu proselitismo religioso exacerbado, não
está nada confortável politica e pragmaticamente, pois, há um hiato muito
grande entre o que ela defende e as bandeiras históricas do PSB, como por
exemplo: a pesquisa com célula tronca, a união entre homoafetivos, a teoria de
Darwin sobre a evolução das espécies, a Política e os Partidos como
instrumentos da democracia e da cidadania, as Usinas Hidrelétricas e Atômicas,
dentre outras bandeiras.
Aliás,
comentando a posição contrária de Maria à Política, vale registrar os sábios
comentários da Deputada Luiza Erundina PSB/SP: “...o discurso de Marina entra
no senso comum de negar a Política, isso desorienta e deseduca politicamente,
pois, não há Política e democracia sem Partido..”.
Já
com relação aos resultados da malfadada pesquisa “boca de túmulo” do
“Datafolha”, à candidatura de Marina Silva, diferentemente do que os apressados
analistas apregoam, coloca em cheque a candidatura de Aécio Neves, e não da
Presidenta Dilma, pelos menos essa é a leitura que se faz de tal pesquisa.
Mas malgrado essa
constatação técnica, esse novo cenário político nos mostra o seguinte: primeiro, está
claro que a oposição e a mídia sabiam que Dilma poderia ganhar as eleições no
primeiro turno; segundo, com a entrada de Marina no páreo, essa possibilidade é
remota; terceiro, a mídia e a oposição tentarão levar Aécio até o fim, não conseguindo,
abraçarão, com "fervor", a candidatura de Marina e jogarão todas as suas fichas para derrotar os
trabalhistas; e por último, não uma constatação mas uma pergunta: será que a morte de Eduardo Campos pode resultar na instauração
de uma República "Teocrática" no Brasil?
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
AS AUTORIDADES BRASILEIRAS E OS REQUICIOS DA MONARQUIA
Reproduzimos abaixo, o brilhante texto do Promotor de Justiça, Fausto Rodrigues de Lima, publicado no sitio do "Jus Brasil"
Chega de Excelências, senhores!
Fausto Rodrigues de Lima - Promotor de Justiça do Distrito Federal.
"Em
13/6, um juiz do Paraná desmarcou uma audiência porque um
trabalhador rural compareceu ao fórum de chinelos, conduta
considerada "incompatível com a dignidade do Poder Judiciário".
Não muito antes,
policiais do Distrito Federal fizeram requerimento para que fossem
tratados por "Excelência", tal qual promotores e juízes.
Há alguns meses, foi
noticiado que outro juiz, este do Rio de Janeiro, entrou com uma ação
judicial para obrigar o porteiro de seu condomínio residencial a
tratar-lhe por "doutor".
Tais fatos poderiam
apenas soar como anedotas ridículas da necessidade humana de criar
(e pertencer a) castas privilegiadas.
No entanto, os palácios
de mármore e vidro da Justiça, os altares erguidos nas salas de
audiência para juízes e promotores e o tratamento "Excelentíssimo"
dispensado às altas autoridades são resquícios diretos da mal
resolvida proclamação da República brasileira, que manteve
privilégios monárquicos aos detentores do poder.
Com efeito, os nobres
do Império compravam títulos nobiliárquicos a peso de ouro para
que, na qualidade de barões e duques, pudessem se aproximar da
majestade imperial e divina da família real.
Com a extinção da
monarquia, a tradição foi mantida por lei, impondo-se diferenciado
tratamento aos "escolhidos", como se a respeitabilidade dos
cargos públicos pudesse, numa república, ser medida pela
"excelência" do pronome de tratamento.
Os demais, que deveriam
só ser cidadãos, mantiveram a única qualidade que sempre lhes
coube: a de súditos (não poderia ser diferente, já que a
proclamação não passou de um movimento da elite, sem nenhuma
influência ou participação popular). Por isso, muitas Excelências
exigem tratamento diferenciado também em sua vida privada, no estilo
das famosas "carteiradas", sempre precedidas da
intimidatória pergunta: "Você sabe com quem está falando?".
É fato que a
arrogância humana não seduz apenas os mandarins estatais.
A seleta casta
universitária e religiosa mantém igualmente a tradição monárquica
das magnificências, santidades, eminências e reverências. Tem até
o "Vossa Excelência Reverendíssima" (esse é o cara!).
Somos, assim, uma República com espírito monárquico.
As Excelências, para
se diferenciarem dos mortais, ornam-se com imponentes becas e togas,
cujo figurino é baseado nas majestáticas vestimentas reais do
passado. Para comparecer à sua presença, o súdito deve se vestir
convenientemente. Se não tiver dinheiro para isso, que coma
brioches, como sugeriu a rainha Maria Antonieta aos esfomeados que
não podiam comprar pão na França do século 18.
Enquanto isso, barões
sangram os cofres públicos impunemente.
Caso flagrados, por
acaso ou por alguma investigação corajosa, trata a Justiça de
soltá-los imediatamente, pois pertencem ao mesmo clã nobre (não
raro, magistrados da alta cúpula judiciária são nomeados pelo
baronato).
Os sapatos caros dos
corruptos têm livre trânsito nos palácios judiciais, com seus
advogados persuasivos (muitos deles são filhos dos próprios
julgadores, garantindo-lhes uma promiscuidade hereditária), enquanto
os chinelos dos trabalhadores honestos são barrados. Eles, os
chinelos, são apenas súditos. O único estabelecimento estatal
digno deles é a prisão, local em que proliferam.
A tradição monárquica
ainda está longe de sucumbir, pois é respaldada pelo estilo
contemporâneo do liberal-consumismo, que valoriza as pessoas pelo
que têm, e não pelo que são.
Por isso, após quase
120 anos da proclamação da República, ainda é tão difícil
perceber que o respeito devido às autoridades devia ser apenas
conseqüência do equilíbrio e bom senso dos que exercem o poder;
que as honrarias oficiais só servem para esconder os ineptos; que,
quanto mais incompetente, mais se busca reconhecimentos artificiais
etc.
Numa verdadeira
República, que o Brasil ainda há de um dia fundar, o único
tratamento formal possível, desde o presidente da nação ao mais
humilde trabalhador (ou desempregado), será o de "senhor",
da nossa tradição popular.
Os detentores do poder,
em vez de ostentar títulos ridículos, terão o tratamento
respeitoso de servidor público, que o são. E que sejam exonerados
se não forem excelentes!
Seus
verdadeiros chefes, cidadãos com ou sem chinelos, legítimos
financiadores de seus salários, terão a dignidade promovida com
respeito e reverência, como determina o contrato firmado pela
sociedade na Constituição da República.
Abaixo as Excelências!"
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
WIKIPÉDIA: A MAIS NOVA BOLINHA DE PAPEL
"O grave, no episódio,
é a geo-política" Paulo Moreira Leite
Certamente,
muitos se lembram da famosa bolinha de papel jogada na cabeça de José Serra
durante a campanha eleitoral em 2012, e a tentativa da Rede Globo de transformar o episódio em um “atentado” praticado contra
Serra, por militantes Petistas.
Mesmo sendo desmascarados
posteriormente, esse caso e a famosa edição do debate entre Collor e Lula para
favorecer o primeiro, fazem parte do amplo leque de factoides montados pela
Globo contra Políticos contrários aos seus interesses.
Mas parece que a TV Prateada e suas irmãs siamesas ignoram o dito popular de que a “mentira tem pernas curtas”, ou então,
estão adotando velhas estratégias. A primeira é aquela que mesmo sabendo que a
farsa será desmentida, ainda assim, vale a pena porque vai minando o seu
adversário político. A outra, é criar factoides para tirar de
cena alguma denúncia contra o seu candidato, é o caso, por exemplo, dos
escândalos dos aeroportos das cidades de Cláudio e Montezuma que tiveram efeito
de bombas na campanha de Aécio Neves, e que necessitam ser abafados
rapidamente, antes que tenham desdobramentos mais comprometedores.
E realmente a Globo é
expert em factoides. Para proteger o seu candidato Aécio Neves, a TV Prateada não
hesitou e plantou uma denúncia contra o governo, porém, dessa vez, ela
subestimou a inteligência do povo brasileiro, e tudo indica que a pantomina,
mesmo barulhenta, já nasceu morta.
Em maio de 2013, alguém
utilizando o IP de um dos computadores do Planalto, acessou a enciclopédia
eletrônica Wikipédia e fez algumas alterações nos currículos dos jornalistas
Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardemberg, com a intenção de difamá-los.
Depois de passados
quinze meses das alterações, e “coincidentemente” a três meses das eleições, os
“nobres” jornalistas resolveram denunciar o dantesco caso. Miriam Leitão, por
exemplo, teve o desplante de dizer que a “ordem veio de cima”, insinuando que
fora a Presidenta Dilma que ordenou as alterações nas informações dos dois jornalistas.
Malgrado não
concordarmos com esse tipo de atitude contra os jornalistas ou contra qualquer
outra pessoa, está claro que não justifica todo esse chororô. Mesmo não tendo tanto conhecimento em informática,
sabemos que qualquer pessoa com um Celular, por exemplo, pode acessar a internet
em locais com rede Wi-Fi, é o que acontece no prédio do Planalto e na maioria dos
prédios de órgãos públicos. Assim, e frente a esse dantesco factoide criado
pela Globo é forçoso algumas ponderações. Primeiro, há que se registrar que são raríssimos os
acessos sobre os perfis de Miriam Leitão e Alberto Sardemberg na Wikipédia;
segundo, qual o alcance da Wikipédia na corrida eleitoral? O que levaria
alguém da campanha da Dilma ou ela própria realizar esse tipo de alteração em
um sitio de pesquisa? O que representa esses dois jornalistas na corrida
presidencial? E mesmo considerando que fossem pessoas estratégicas na campanha
oposicionista, não seria mais plausível realizar tais alterações partindo de um
computador de uma lan house, por exemplo? E finalmente, por que Miriam
e Sardemberg esperaram mais de um ano, e somente agora, faltando três
meses para as eleições, resolveram denunciar esse caso?
Sem dúvidas, que se trata
de uma sórdida armação alimentada com uma irresponsável, injusta e leviana acusação
contra a Presidenta Dilma. Esse patético caso da Wikipédia,
não obstante ser mais uma bolinha de papel na corrida presidencial, é também, uma
pequena amostra do que são capazes a direita conservadora e a mídia partidarizada
para retornar ao Poder. Estamos de olho!
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