segunda-feira, 6 de julho de 2026
A FIFA E A COPA DO MUNDO SUBJUGADAS PELO GOVERNO DOS EUA
É sabido por grande parte da população mundial que o futebol internacional é comandado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), fundada em 1904 e sediada em Zurique, na Suíça. A entidade regulamenta e supervisiona o futebol, o futsal e o futebol de areia em todo o mundo, além de ser responsável pela organização do maior evento esportivo do planeta: a Copa do Mundo. Um torneio que deveria representar um momento de congraçamento entre os povos, mas que, no atual "padrão FIFA", tem se transformado cada vez mais em um grande negócio marcado pela exclusão social, interesses econômicos e por conflitos políticos
O mundo acompanha atualmente a 23ª edição da Copa do Mundo da FIFA. A competição é organizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, tendo os Estados Unidos como sede principal, mas, a grande diferença desse Torneio para os demais do passado não está apenas nas três sedes, mas principalmente na postura da FIFA, que, na minha avaliação, tem demonstrado crescente alinhamento aos interesses políticos do presidente Donald Trump.
Aliás, essa afirmação ficou evidente com a criação do chamado "Prêmio da Paz da FIFA", distinção concedida pela primeira vez ao presidente norte-americano. Segundo a justificativa apresentada pela Entidade máxima do Futebol mundial, a homenagem teria sido um reconhecimento ao presidente Trump por suas iniciativas diplomáticas voltadas para a promoção da paz e da cooperação internacional.
Evidente que tal premiação gerou controvérsias e levantou inúmeros questionamentos sobre a crescente proximidade entre a FIFA e o governo estadunidense e suscitou questionamentos sobre a credibilidade do Torneio, o que vai se confirmando com o desenrolar dos acontecimentos.
Como muitos acompanharam, essa Copa do Mundo, em especial na sua principal sede, os EUA, já está marcada de forma abjeta por inúmeros episódios patrocinados pelo governo Trump e com a total omissão e conivência da FIFA, contra delegações, atletas, árbitros e torcedores de países que participam da Copa do Mundo. Os casos foram muitos: primeiro foram os casos envolvendo a seleção do Irã e seus torcedores, depois foi o episódio do árbitro da Somália, Omar Artan escalado para atuar na Copa mas que foi impedido de entrar nos EUA pelas autoridades migratórias e outras seleções com seus jogadores sendo submetidos a longos e violentos interrogatórios ao desembarcar nos EUA e outros episódios já abordados em um texto anterior.
Depois de todos esses abjetos acontecimentos eis que surge mais um deplorável fato que quebra a isonomia esportiva entre as seleções e fulmina a legitimidade da FIFA e da competição.
Na partida entre os EUA 2 X 0 Bósnia e Herzegovina o atacante Folarin Balogun da equipe norte-americana foi expulso com cartão vermelho pelo árbitro brasileiro Raphael Claus. Pelo regulamento da competição o atleta não disputaria a partida seguinte, ou seja, a suspensão é automática.
No entanto, encerrada a partida, quem entrou em campo foi o presidente Donald Trump. Discordando da expulsão, telefonou diretamente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, solicitando que a punição fosse revista por considerá-la injusta.O presidente da FIFA, por sua vez, não pestanejou, manda quem pode, obedece quem tem juízo, atendeu o pedido do presidente estadunidense. Em seguida, o próprio Trump reivindicou publicamente a interferência, afirmando: “Sim, eu pedi uma revisão à Fifa. Falei com um homem que é muito respeitado e, por acaso, seu nível de respeito aumentou dez vezes. Fui eu quem os fez fazer isso [mudar decisão]. Não foi o Biden. O Biden estava dormindo..Obrigado à Fifa por fazer o certo e reverter uma grande injustiça1”,
Para justificar o seu “entendimento” da injusta expulsão do atleta estadunidense, Trump colocou em dúvida a honestidade do árbitro brasileiro, dizendo, que “O árbitro é um pouco suspeito, se você verificar seu passado..Eu não quero dizer isso porque eu não gosto de criar controvérsia, mas ele é muito suspeito. Se você quiser, eu vou te mostrar o passado dele. Ele tomou uma decisão que ninguém acreditou, sabe? Mesmo os adversários. Eles disseram: 'oh, nós tivemos sorte, uau!2”
Evidente que depois dessa irresponsável e absurda decisão da FIFA de rasgar o Regulamento para beneficiar a seleção dos EUA, vieram as inúmeras manifestações contra a FIFA.
Em Nota oficial, a CBF saiu em defesa do nosso árbitro, afirmando: “A CBF refuta qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus. Trata-se de um profissional exemplar, cuja carreira é amplamente respaldada por avaliações técnicas, desempenho consistente e confiança das principais competições nacionais e internacionais3”
A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), por sua vez, elevou o tom contra a FIFA afirmando: “Uma suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer decisão de um órgão competente para entrar em vigor. A UEFA acrescente que “esse princípio não pode ser submetido a exceções, muito menos no meio de um torneio em que vários outros jogadores estiveram na mesma situação e cumpriram normalmente suas suspensões...Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus guardiões, a integridade do jogo está em risco e a credibilidade de uma competição é comprometida. Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável4”
Já o Técnico da Bélgica, Rudi Garcia que vai enfrentar os EUA na partida do dia 06/07/2026, com ironia e firmeza, disse: "Eu não sabia que 5 de julho era igual 1º de abril na FIFA. É necessário lembrar sobre nosso comunicado. Muito do que sinto está lá. Não estamos defendendo a seleção ou a confederação da Bélgica, nós estamos defendendo o futebol, sua ética e história. É a primeira vez na história da Copa do Mundo que uma decisão como essa é tomada5".
Para finalizar vale o registro histórico do grande jornalista Jamil Chade que disse que a única lembrança histórica de uma interferência política dessa natureza remete à Copa de 1934, realizada na Itália fascista de Benito Mussolini. Naquele torneio, a influência do regime sobre a arbitragem comprometeu a credibilidade da competição e marcou negativamente a história do futebol mundial.
Esses episódios revelam semelhanças que merecem reflexão sobre o modo como governos autoritários procuram utilizar grandes eventos esportivos para fins políticos, pois quando uma competição esportiva deixa de ser decidida exclusivamente dentro das quatro linhas e passa a sofrer interferências externas que relativizam a aplicação de seu próprio regulamento, deixa de representar plenamente os princípios da igualdade esportiva. Se decisões administrativas podem ser revistas em função da vontade política do governante do país-sede, a independência institucional da FIFA passa a ser questionada. Independentemente das preferências ideológicas de cada torcedor, preservar a autonomia das regras é condição indispensável para que a Copa do Mundo continue sendo reconhecida como a maior e mais respeitada competição do futebol mundial.
1Fonte:https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/07/06/trump-caso-balogun-claus-fifa-copa.ghtm
2Fonte: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/07/06/trump-caso-balogun-claus-fifa-copa.ghtm
3Fonte:https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/07/06/trump-caso-balogun-claus-fifa-copa.ghtm
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