Respeitem Lula!

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A farsa do "Choque de Gestão" de Aécio "Never"

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A MAIS TRADICIONAL E IMPORTANTE FACULDADE DE DIREITO DO BRASIL HOMENAGEIA O MINISTRO LEWANDWSKI

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NOVA CLASSE "C"

Tendo em vista a importância do tema, reproduzimos post do sitio "Conversa Afiada" que reproduz trecho da entrevista que Renato Meirelles deu a Kennedy Alencar na RedeTV, que trata da impressionante expansão da classe média brasileira. (...)

terça-feira, 24 de março de 2026

ELEIÇÕES 2026: A TEMPORADA DE ATAQUES CONTRA O GOVERNO LULA ESTÁ ABERTA

 


Por: Odilon de Mattos Filho

Hoje já não há mais dúvidas — como bem explica o professor João Cezar de Castro Rocha — de que o bolsonarismo se consolidou como um movimento político de massas, com viés fascista e forte tendência autoritária.

A base, ou melhor, o motor desse movimento, encontra-se nas igrejas evangélicas — sobretudo entre pentecostais e neopentecostais — além de setores da Igreja Católica, em especial o conservador Movimento Carismático. A chamada “pauta de costumes” foi a principal narrativa responsável por aproximar e unificar esse campo religioso e político.

As igrejas evangélicas somam hoje mais de 130 mil templos espalhados por todo o território nacional e atingem, segundo o IBGE, cerca de 48 milhões de pessoas — o que representa aproximadamente 23% da população brasileira. É razoável afirmar que uma parcela significativa desses fiéis atua como base militante desse movimento, muitas vezes mobilizada por um fenômeno de dissonância cognitiva coletiva.

Sabe-se que, atualmente, setores do pentecostalismo e do neopentecostalismo utilizam a chamada Teologia da Prosperidade como instrumento para a consolidação de uma outra concepção: a Teologia do Domínio, que visa à ocupação de espaços de poder político e institucional. A chamada “bancada da Bíblia”, com cerca de 100 parlamentares, e o governo Bolsonaro corroboram essa análise.

Aliás, o saudoso governador Leonel Brizola já alertava: “Se os evangélicos entrarem na política, o Brasil irá para o fundo do poço; o país retrocederá vergonhosamente e matarão em nome de Deus.”

A força dessas igrejas é imensurável. Reportagem da Revista Fórum informa que a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo, pretende realizar, na Sexta-feira da Paixão, eventos simultâneos em nove estádios de futebol pelo Brasil. Trata-se de uma demonstração de força com evidente dimensão política e alvo definido: o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. O evento foi descrito por Renato Cardoso, genro de Macedo, em tom irônico, como uma “grande lata de conservas da família1”, em referência crítica a manifestações culturais que confrontam o conservadorismo.

Segundo o jornalista Zé Barbosa, autor da matéria, a escolha da Sexta-feira da Paixão amplia o impacto emocional do evento, enquanto o discurso em defesa da “família” se conecta diretamente às pautas conservadoras que mobilizam essa base. Ao mesmo tempo, críticas indiretas ao governo transformam o ato em um verdadeiro movimento político de massa, com potencial de influenciar o cenário eleitoral — inclusive em benefício de lideranças como Flávio Bolsonaro.

Esse será, ao que tudo indica, apenas o primeiro de uma série de ataques organizados por setores das igrejas evangélicas alinhados à extrema-direita contra o presidente Lula e seu governo.

Além desse expressivo contingente de “soldados de Deus”, que sustenta a extrema-direita no Brasil nos últimos anos, retorna à cena político-eleitoral a velha e conservadora imprensa brasileira — historicamente vinculada aos interesses das elites econômicas do país.

Sabe-se que a sustentação das políticas alinhadas ao imperialismo internacional só tem sido possível graças a essa retaguarda estratégica, responsável pela difusão massiva de ideias, pela formação de opinião pública e pela neutralização de qualquer reação que possa ameaçar seus interesses. Trata-se, também, de um instrumento importante na desorganização do movimento popular e na despolitização da sociedade.

A atuação dessa mídia e seu modus operandi ficaram evidentes recentemente, em uma matéria veiculada pela GloboNews, de conteúdo claramente manipulador. O episódio já figura como um dos mais graves escândalos jornalísticos da mídia brasileira contemporânea.

No dia 6 de março de 2026, a jornalista Andréia Sadi apresentou, em seu programa, um PowerPoint que remete diretamente ao método utilizado pelo ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol. Na peça, de forma simplista, deliberada e tendenciosa, foram apresentados supostos envolvidos no escândalo financeiro relacionado ao Banco Master e ao seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro.

De maneira premeditada e irresponsável, o material incluiu o presidente Lula, o PT e ministros do governo entre os supostos envolvidos, enquanto nomes efetivamente ligados ao caso — de conhecimento público — foram simplesmente omitidos. A repercussão foi imediata: a matéria foi duramente criticada nas redes sociais e por diversos jornalistas independentes.

O analista Jeferson Miola afirmou que “a Globo retomou a construção de narrativas típicas do período da Lava Jato, utilizando recursos gráficos de forte apelo simbólico para influenciar a opinião pública. Destacou ainda a ausência, na apresentação, de nomes relevantes como Jair Bolsonaro, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro, representantes do mercado financeiro e até mesmo a própria Globo, que teria mantido relações com o empresário investigado...2

No mesmo sentido, o jornalista Florestan Fernandes Jr. avaliou que “a emissora volta a exercer um “jornalismo de resultado”, com o objetivo de tutelar o processo eleitoral. Segundo ele, caso não consiga viabilizar uma candidatura de “terceira via”, como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Júnior, a Globo pode voltar a flertar com o bolsonarismo3”.

Diante da repercussão negativa, a jornalista apresentou um pedido de desculpas que, longe de reparar os danos, agravou ainda mais a situação. A retratação foi considerada insuficiente e evasiva e também recebeu inúmeras críticas.

O jornalista Bernardo Cotrim do ICL, escreveu que “...um pedido de desculpas é uma expressão sincera de arrependimento e tentativa de mitigar o dano produzido, assumindo a responsabilidade pelo ato, mesmo que não exista a intenção; já uma errata é a correção de uma obra, assinalando cada um dos erros cometidos e apontando a forma correta..O texto apresentado no Estúdio i não é nem uma coisa, nem outra. O parágrafo claudicante não estabelece de quem foi a responsabilidade pela exibição de algo tão aberrante, não cita os nomes de quem devia figurar na “arte”, não informa quem apareceu na peça por engano. Ficou explícito que a “autocrítica” capenga visa única e exclusivamente minimizar o dano causado à imagem da própria emissora. Uma ação tardia de “vacina”, tão patética quanto desonesta4”.

Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de uma reação política e institucional firme por parte do governo. Está em curso um processo articulado por setores das elites financeiras nacional e internacional que visa prostituir e influenciar o processo e o resultado das eleições de 2026.

Parte da burguesia aposta na construção de uma “terceira via” (Eduardo Leite ex-governador do RS), No entanto, caso essa alternativa não se viabilize, não há dúvidas de que esses setores poderão novamente se alinhar à extrema-direita.

Se a esquerda não retomar o debate ideológico, não ganhar as ruas e fortalecer o diálogo com os movimentos sociais, sindicais e com a sociedade em geral, não entender o bolsonarismo como movimento de massas,  e por fim, não enxergar o peso das Igrejas Evangélicas na política e na transformação da sociedade brasileira contemporânea, a reeleição do presidente Lula corre sério risco.

Toda atenção é pouco, o ovo da serpente está prestes a se romper e se isso ocorrer, o Brasi será, docilmente recolonizado e a sociedade poderá mergulhar em um novo ciclo de retrocessos político, econômico, social e cultural semelhante aos anos de chumbo.










1Fonte: https://revistaforum.com.br/brasil/familia-ao-pe-da-cruz-edir-marcedo-fara-ato-contra-lula-e-alugou-9-estadios-de-futebol-pra-isso/

4Fonte: https://iclnoticias.com.br/entre-a-errata-e-o-pedido-de-desculpas-a-globo-escolheu-o-caminho-do-meio/

ttps://revistaforum.com.br/brasil/familia-ao-pe-da-cruz-edir-marcedo-fara-ato-contra-lula-e-alugou-9-estadios-de-futebol-pra-isso/

segunda-feira, 16 de março de 2026

O PAPEL DA EXTREMA-DIREITA INTERNACIONAL NAS ELEIÇÕES DE 2026



Por: Odilon de Mattos Filho

O grande escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu que “nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia; nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos”.

Diante das barbáries cometidas pelo imperialismo do Norte — em especial na América do Sul — impressiona a atualidade dessa reflexão de Galeano.

É sabido que essa postura beligerante e esse falso comportamento de tutores do mundo dos EUA está diretamente ligada aos objetivos da Doutrina Monroe, formulada em 1823. Essa doutrina, aparentemente protetiva para as nações do hemisfério ocidental, serviu, na prática, como álibi para a interferência dos Estados Unidos nos países do continente. Tornou-se terreno fértil para consolidar uma cultura expansionista baseada na pilhagem e em mecanismos de espoliação. E essa conduta ganha mais visibilidade com o segundo governo de Donald Trump e suas incursões mundo afora, em especial na América do Sul.

Sabe-se que o Brasil é o principal país Sul-americano, considerando sua dimensão territorial e populacional — ou seja, um enorme mercado consumidor — além de suas vastas riquezas naturais. Esses fatores, por si só, despertam a cobiça dos mercados internacionais e das potências imperialistas, em particular dos Estados Unidos.

Partindo dessa premissa, há basicamente duas formas históricas de efetivar essa cobiça sobre nossas riquezas: por meio da intervenção militar ou pela condescendência de governos subalternos. A segunda hipótese, neste momento, parece improvável diante do discurso firme do governo Lula em defesa da soberania nacional.

No entanto, estamos em um ano eleitoral, e as pesquisas de opinião apontam para uma nítida divisão ideológica no país: de um lado, setores progressistas que apoiam o governo Lula; de outro, uma oposição alinhada à extrema-direita.

É evidente que os Estados Unidos encabeçam essa cobiça pelas riquezas brasileiras. O governo de Donald Trump, atento a esse cenário, teria interesse direto nas eleições brasileiras, dada sua afinidade ideológica com a extrema-direita nacional e com governos alinhados na região.

Não há dúvida de que o Brasil se tornou alvo prioritário de setores da extrema-direita mundial. E, por mais paradoxal que pareça, parte significativa da extrema-direita brasileira encontra-se profundamente comprometida com interesses internacionais, especialmente os dos Estados Unidos. Hoje, já não se percebe qualquer projeto nacional consistente por parte do bolsonarismo, principal vertente da extrema-direita.

Nesse contexto, chama atenção o grau de ousadia desses setores. Informações veiculadas pela imprensa indicam que os Estados Unidos, por meio da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, estariam organizando eventos em São Paulo, sem a participação do governo federal, para discutir minerais críticos em território brasileiro. Há também relatos de que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, teria firmado entendimentos com representantes norte-americanos sobre a exploração de terras raras no estado.

Tais iniciativas, se confirmadas, afrontam diretamente a Constituição Federal (artigos 20, 21 e 176), que estabelece o controle estratégico desses recursos pela União. Ainda assim, como aponta o deputado federal Glauber Braga, a estratégia adotada seria a da “política do fato consumado”: avançar na apropriação e, posteriormente, transferir a disputa para o campo jurídico, quando os efeitos já estiverem consolidados, e aí, "Inês é morta". Trata-se de uma velha e conhecida política de pressão.

Não se pode ignorar, também, que a extrema-direita brasileira tem utilizado de maneira muito eficaz a chamada guerra cultural e nossa herança maniqueísta para impor suas narrativas, levando milhões de brasileiros a uma dissonância cognitiva coletiva sem precedentes na história do país.

Nesse sentido, não se pode esquecer, por exemplo, da continência prestada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro à bandeira dos Estados Unidos, dos apelos para que o governo Trump elevasse tarifas sobre produtos brasileiros exportados para aquele país e até mesmo de manifestações que chegaram a pedir intervenção militar estrangeira no Brasil.

Nesse contexto, escreveu o jornalista Jamil Chade que “a extrema-direita latino-americana e o governo de Donald Trump iniciam uma ofensiva contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no que está sendo interpretado como um ensaio geral para uma ingerência nas eleições brasileiras".

Segundo Jamil Chade, atos recentes nos Estados Unidos, na Argentina e no Chile acenderam o alerta no Palácio do Planalto e no Ministério das Relações Exteriores sobre uma articulação que poderia buscar desestabilizar o processo eleitoral brasileiro. Nesse cenário, a ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas teria sido interpretada por setores ultraconservadores como um sinal de viabilidade eleitoral, mesmo diante da condenação de Jair Bolsonaro.

Corroborando essa interpretação — e talvez como parte de uma estratégia —, vale lembrar que, passados mais de um ano da posse de Donald Trump, os Estados Unidos ainda não possuem embaixador em Brasília. Isso abre espaço para interlocuções paralelas, fora dos canais diplomáticos tradicionais.

Aproveitando-se dessa situação atípica, o governo Trump tentou enviar ao Brasil um de seus representantes mais extremistas, Darren Beattie, ideólogo de extrema-direita próximo ao clã Bolsonaro e responsável por supervisionar assuntos relacionados ao país.

Segundo informações divulgadas, esse assessor pretendia visitar, na chamada “Papudinha”, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF, além de manter contatos com autoridades do Judiciário, como o futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Cássio Nunes Marques.

Esses movimentos geraram forte mal-estar no governo Lula e no Itamaraty, uma vez que o pedido de visto teria omitido deliberadamente essas intenções. Diante disso, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores e em um gesto de afirmação da soberania nacional, cancelou o visto de Darren Beattie.

Esse episódio constitui apenas um exemplo das possíveis intenções intervencionistas de setores da extrema-direita internacional no processo eleitoral brasileiro de 2026. Caso não consigam eleger um presidente alinhado aos seus interesses, não se pode descartar a tentativa de justificar outras formas de pressão ou intervenção, inclusive sob o pretexto do combate ao terrorismo ou ao narcotráfico.

Por essas razões, todo cuidado é pouco. Não há espaço para descuido. Os sinais de articulação da extrema-direita latino-americana e de setores do governo Trump contra o Brasil exigem vigilância permanente. Cabe ao governo e às instituições republicanas estabelecer como prioridade absoluta a preservação da integridade do processo eleitoral brasileiro, impedindo, com todos os instrumentos legais e institucionais disponíveis, qualquer tentativa de ingerência externa nas eleições de 2026.

O sinal amarelo está aceso!























































1-Fonte: https://iclnoticias.com.br/brasil-revoga-visto-de-enviado-de-trump-e-fala-em-ma-fe/