segunda-feira, 16 de março de 2026

A POSSÍVEL INGERÊNCIA DA EXTREMA-DIREITA INTERNACIONAL NAS ELEIÇÕES DO BRASIL EM 2026



Por: Odilon de Mattos Filho


O grande escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu que “nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia; nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos”.

Diante das barbáries atualmente cometidas pelo imperialismo do Norte — em especial na América do Sul — é impressionante a contemporaneidade dessa reflexão de Galeano.

Com o fim da chamada Guerra Fria, os Estados Unidos passaram a se comportar como tutores do mundo e, convictos dessa posição, buscaram impô-la à maioria dos países e aos organismos multilaterais, sempre sustentando a narrativa da defesa de seu povo e da democracia mundo afora.

Essa postura está diretamente ligada aos objetivos da Doutrina Monroe, formulada em 1823, cujo propósito declarado era “impedir a recolonização europeia na América”. A doutrina também reforçou a ideia do chamado Destino Manifesto — a crença de que os Estados Unidos teriam sido escolhidos pela providência para liderar o continente. Foi nesse contexto que se difundiu a célebre e presunçosa frase: “América para os americanos”.

Essa doutrina, aparentemente protetiva para as nações do hemisfério ocidental, serviu, na prática, como álibi para a interferência dos Estados Unidos nos países do continente. Tornou-se terreno fértil para consolidar uma cultura expansionista baseada na pilhagem e em mecanismos de espoliação. O restante dessa história — marcada por golpes, invasões e ingerências — é amplamente conhecido.

Sabe-se que o Brasil é o principal país da América do Sul, considerando sua dimensão territorial e populacional — ou seja, um enorme mercado consumidor — além de suas imensas riquezas naturais. Esses fatores, por si só, já despertam a cobiça dos mercados internacionais e das potências imperialistas, em particular dos Estados Unidos.

Partindo dessa premissa, há basicamente duas formas históricas de efetivar essa cobiça internacional sobre nossas riquezas: por meio da intervenção militar ou pela condescendência de governos subalternos. A segunda hipótese, neste momento, parece improvável diante do discurso firme do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania nacional.

No entanto, estamos em um ano eleitoral, e as pesquisas de opinião pública apontam para uma nítida divisão ideológica no país: de um lado, os setores progressistas que apoiam o governo Lula; de outro, uma oposição alinhada à extrema-direita.

É evidente que os Estados Unidos encabeçam essa cobiça pelas riquezas brasileiras. O governo de Donald Trump, atento a esse cenário, teria interesse direto nas eleições brasileiras, dada sua afinidade ideológica com a extrema-direita nacional e com governos alinhados na região.

Não há dúvida de que o Brasil se tornou alvo prioritário de setores da extrema-direita mundial. E, por mais paradoxal que pareça, parte significativa da extrema-direita brasileira encontra-se profundamente comprometida com interesses internacionais, especialmente os dos Estados Unidos. Hoje, já não se percebe qualquer projeto nacionalista consistente por parte dos bolsonaristas, principal facção da extrema-direita no país.

Não se pode esquecer, por exemplo, da continência prestada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro à bandeira dos Estados Unidos, dos apelos para que o governo Trump aumentasse tarifas sobre produtos brasileiros exportados para aquele país e até mesmo de manifestações que chegaram a pedir intervenção estrangeira no Brasil.

Nesse contexto, escreveu o jornalista Jamil Chade que “a extrema-direita latino-americana e o governo de Donald Trump iniciam uma ofensiva contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no que está sendo interpretado como um ensaio geral para uma ingerência nas eleições brasileiras”.

Segundo ele, atos recentes nos Estados Unidos, na Argentina e no Chile acenderam o alerta no Palácio do Planalto e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre uma articulação que poderia buscar desestabilizar o processo eleitoral brasileiro. Nesse cenário, a ascensão de Flávio Bolsonaro em pesquisas de opinião teria sido interpretada por setores ultraconservadores como sinal de que, apesar da condenação de Jair Bolsonaro, a candidatura de seu filho poderia ser considerada viável.

Corroborando essa interpretação, vale lembrar que, passados mais de um ano da posse de Donald Trump, os Estados Unidos ainda não possuem embaixador em Brasília. Isso significa que o governo norte-americano pode buscar interlocuções paralelas, fora dos canais diplomáticos tradicionais.

Aproveitando-se dessa situação atípica, o governo Trump tentou enviar ao Brasil um de seus representantes mais extremistas, Darren Beattie, ideólogo de extrema-direita próximo ao clã Bolsonaro e responsável por supervisionar assuntos relacionados ao Brasil.

Segundo informações divulgadas, esse assessor pretendia visitar, na chamada “Papudinha”, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pela Justiça brasileira, além de manter contatos com autoridades do Judiciário, como o ministro Alexandre de Moraes e o futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cássio Nunes Marques.

Esses movimentos geraram forte mal-estar no governo Lula e no Itamaraty, pois o pedido de visto do referido assessor teria omitido deliberadamente essas intenções de visita. Diante dessa situação, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e em um gesto de afirmação da soberania nacional, cancelou o visto de Darren Beattie.

Esse episódio constitui apenas um pequeno exemplo das possíveis intenções intervencionistas de setores da extrema-direita internacional no processo eleitoral brasileiro de 2026. Caso não consigam eleger um presidente alinhado aos seus interesses, não se pode descartar a tentativa de justificar outras formas de pressão ou intervenção, inclusive sob o pretexto do combate ao terrorismo ou ao narcotráfico.

Por essas e outras razões, todo cuidado é pouco. Não há espaço para descuido. Os sinais de articulação da extrema-direita latino-americana e de setores do governo Trump contra o Brasil exigem vigilância permanente. Cabe ao governo e às instituições republicanas estabelecer como prioridade absoluta a preservação da integridade do processo eleitoral brasileiro, impedindo, com todos os instrumentos legais e institucionais disponíveis, qualquer tentativa de ingerência externa nas eleições de 2026.

O sinal amarelo está aceso..!




























1-Fonte: https://iclnoticias.com.br/brasil-revoga-visto-de-enviado-de-trump-e-fala-em-ma-fe/






















































































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