Respeitem Lula!

"A classe pobre é pobre. A classe média é média. A classe alta é mídia". Murílio Leal Antes que algum apressado diga que o título deste texto é plágio do artigo escrito por Ricardo Noblat (...)

A farsa do "Choque de Gestão" de Aécio "Never"

“Veja” abaixo a farsa que foi o famoso “Choque de Gestão” na administração do ex-governador Aécio “Never" (...)

A MAIS TRADICIONAL E IMPORTANTE FACULDADE DE DIREITO DO BRASIL HOMENAGEIA O MINISTRO LEWANDWSKI

"O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski recebeu um “voto de solidariedade” da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) pela “dedicação, independência e imparcialidade” em sua atuação na corte. (...)

NOVA CLASSE "C"

Tendo em vista a importância do tema, reproduzimos post do sitio "Conversa Afiada" que reproduz trecho da entrevista que Renato Meirelles deu a Kennedy Alencar na RedeTV, que trata da impressionante expansão da classe média brasileira. (...)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A VERDADE SOBRE MARINA SILVA

Transcrevemos abaixo um ótimo texto do jornalista Lino Bocchini, na revista Carta Capital, que desnuda a verdade sobre Marina Silva.

É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede - e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.


3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique:Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.

4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.

5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.

6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.

7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.

Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.

Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.

Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.

De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A MORTE DE EDUARDO CAMPOS PODE INSTAURAR A "TEOCRACIA" NO BRASIL ?

"...a mídia conservadora, a exemplo do mercado, engajou-se na candidatura Marina, mesmo sabendo que ela, num primeiro momento, é um perigo maior para Aécio e para o PSB, já que seu projeto e ideário é retomar seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade..."

No dia 13 de agosto o povo brasileiro foi surpreendido com a notícia da trágica morte do presidenciável Eduardo Campos e de mais cinco pessoas em um acidente aéreo na cidade de Santos.

Ainda no calor da tragédia, a mídia não perdeu tempo, e a pretexto de realizar uma ampla cobertura, instrumentalizou politicamente o acidente, e começou a trabalhar a candidatura de Marina Silva como se fosse à ungida sucessora de Eduardo Campos capaz de levar as eleições para o segundo turno, abrindo assim, a possibilidade de tirar, a qualquer custo, os Trabalhistas do Poder.

A propósito, parece que a ordem é essa mesma: não perder tempo. O “Datafolha”, por exemplo, perpetrando a sordidez, e em total desrespeito à imagem de Eduardo Campos e o sofrimento da família, no mesmo dia de sua morte, realizou uma pesquisa eleitoral com desfecho pra lá de previsível: Marina empata com Aécio. Evidente que esse resultado está contaminado pela comoção popular e não retrata a realidade política. Somente após o inicio das propagandas e dos debates poderemos saber se Marina consolida os números dessa pesquisa.

Com relação ao que vem sendo noticiado a favor de Marina, pensamos diferente, pois, entendemos que a candidata com o seu proselitismo religioso exacerbado, não está nada confortável politica e pragmaticamente, pois, há um hiato muito grande entre o que ela defende e as bandeiras históricas do PSB, como por exemplo: a pesquisa com célula tronca, a união entre homoafetivos, a teoria de Darwin sobre a evolução das espécies, a Política e os Partidos como instrumentos da democracia e da cidadania, as Usinas Hidrelétricas e Atômicas, dentre outras bandeiras.

Aliás, comentando a posição contrária de Maria à Política, vale registrar os sábios comentários da Deputada Luiza Erundina PSB/SP: “...o discurso de Marina entra no senso comum de negar a Política, isso desorienta e deseduca politicamente, pois, não há Política e democracia sem Partido..”.

Já com relação aos resultados da malfadada pesquisa “boca de túmulo” do “Datafolha”, à candidatura de Marina Silva, diferentemente do que os apressados analistas apregoam, coloca em cheque a candidatura de Aécio Neves, e não da Presidenta Dilma, pelos menos essa é a leitura que se faz de tal pesquisa.

Mas malgrado essa constatação técnica, esse novo cenário político nos mostra o seguinte: primeiro, está claro que a oposição e a mídia sabiam que Dilma poderia ganhar as eleições no primeiro turno; segundo, com a entrada de Marina no páreo, essa possibilidade é remota; terceiro, a mídia e a oposição tentarão levar Aécio até o fim, não conseguindo, abraçarão, com "fervor", a candidatura de Marina e jogarão todas as suas fichas para derrotar os trabalhistas; e por último, não uma constatação mas uma pergunta: será que a morte de Eduardo Campos pode resultar na instauração de uma República "Teocrática" no Brasil? 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

AS AUTORIDADES BRASILEIRAS E OS REQUICIOS DA MONARQUIA

Reproduzimos abaixo, o brilhante texto do Promotor de Justiça, Fausto Rodrigues de Lima, publicado no sitio do "Jus Brasil"

Chega de Excelências, senhores!

Fausto Rodrigues de Lima - Promotor de Justiça do Distrito Federal.


"Em 13/6, um juiz do Paraná desmarcou uma audiência porque um trabalhador rural compareceu ao fórum de chinelos, conduta considerada "incompatível com a dignidade do Poder Judiciário".

Não muito antes, policiais do Distrito Federal fizeram requerimento para que fossem tratados por "Excelência", tal qual promotores e juízes.
Há alguns meses, foi noticiado que outro juiz, este do Rio de Janeiro, entrou com uma ação judicial para obrigar o porteiro de seu condomínio residencial a tratar-lhe por "doutor".

Tais fatos poderiam apenas soar como anedotas ridículas da necessidade humana de criar (e pertencer a) castas privilegiadas.

No entanto, os palácios de mármore e vidro da Justiça, os altares erguidos nas salas de audiência para juízes e promotores e o tratamento "Excelentíssimo" dispensado às altas autoridades são resquícios diretos da mal resolvida proclamação da República brasileira, que manteve privilégios monárquicos aos detentores do poder.

Com efeito, os nobres do Império compravam títulos nobiliárquicos a peso de ouro para que, na qualidade de barões e duques, pudessem se aproximar da majestade imperial e divina da família real.

Com a extinção da monarquia, a tradição foi mantida por lei, impondo-se diferenciado tratamento aos "escolhidos", como se a respeitabilidade dos cargos públicos pudesse, numa república, ser medida pela "excelência" do pronome de tratamento.

Os demais, que deveriam só ser cidadãos, mantiveram a única qualidade que sempre lhes coube: a de súditos (não poderia ser diferente, já que a proclamação não passou de um movimento da elite, sem nenhuma influência ou participação popular). Por isso, muitas Excelências exigem tratamento diferenciado também em sua vida privada, no estilo das famosas "carteiradas", sempre precedidas da intimidatória pergunta: "Você sabe com quem está falando?".

É fato que a arrogância humana não seduz apenas os mandarins estatais.
A seleta casta universitária e religiosa mantém igualmente a tradição monárquica das magnificências, santidades, eminências e reverências. Tem até o "Vossa Excelência Reverendíssima" (esse é o cara!). Somos, assim, uma República com espírito monárquico.

As Excelências, para se diferenciarem dos mortais, ornam-se com imponentes becas e togas, cujo figurino é baseado nas majestáticas vestimentas reais do passado. Para comparecer à sua presença, o súdito deve se vestir convenientemente. Se não tiver dinheiro para isso, que coma brioches, como sugeriu a rainha Maria Antonieta aos esfomeados que não podiam comprar pão na França do século 18.

Enquanto isso, barões sangram os cofres públicos impunemente.

Caso flagrados, por acaso ou por alguma investigação corajosa, trata a Justiça de soltá-los imediatamente, pois pertencem ao mesmo clã nobre (não raro, magistrados da alta cúpula judiciária são nomeados pelo baronato).

Os sapatos caros dos corruptos têm livre trânsito nos palácios judiciais, com seus advogados persuasivos (muitos deles são filhos dos próprios julgadores, garantindo-lhes uma promiscuidade hereditária), enquanto os chinelos dos trabalhadores honestos são barrados. Eles, os chinelos, são apenas súditos. O único estabelecimento estatal digno deles é a prisão, local em que proliferam.

A tradição monárquica ainda está longe de sucumbir, pois é respaldada pelo estilo contemporâneo do liberal-consumismo, que valoriza as pessoas pelo que têm, e não pelo que são.

Por isso, após quase 120 anos da proclamação da República, ainda é tão difícil perceber que o respeito devido às autoridades devia ser apenas conseqüência do equilíbrio e bom senso dos que exercem o poder; que as honrarias oficiais só servem para esconder os ineptos; que, quanto mais incompetente, mais se busca reconhecimentos artificiais etc.

Numa verdadeira República, que o Brasil ainda há de um dia fundar, o único tratamento formal possível, desde o presidente da nação ao mais humilde trabalhador (ou desempregado), será o de "senhor", da nossa tradição popular.
Os detentores do poder, em vez de ostentar títulos ridículos, terão o tratamento respeitoso de servidor público, que o são. E que sejam exonerados se não forem excelentes!

Seus verdadeiros chefes, cidadãos com ou sem chinelos, legítimos financiadores de seus salários, terão a dignidade promovida com respeito e reverência, como determina o contrato firmado pela sociedade na Constituição da República.

Abaixo as Excelências!"



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

WIKIPÉDIA: A MAIS NOVA BOLINHA DE PAPEL

"O grave, no episódio, é a geo-política" Paulo Moreira Leite 

Certamente, muitos se lembram da famosa bolinha de papel jogada na cabeça de José Serra durante a campanha eleitoral em 2012, e a tentativa da Rede Globo de transformar o episódio em um “atentado” praticado contra Serra, por militantes Petistas.

Mesmo sendo desmascarados posteriormente, esse caso e a famosa edição do debate entre Collor e Lula para favorecer o primeiro, fazem parte do amplo leque de factoides montados pela Globo contra Políticos contrários aos seus interesses.

Mas parece que a TV Prateada e suas irmãs siamesas ignoram o dito popular de que a “mentira tem pernas curtas”, ou então, estão adotando velhas estratégias. A primeira é aquela que mesmo sabendo que a farsa será desmentida, ainda assim, vale a pena porque vai minando o seu adversário político. A outra, é criar factoides para tirar de cena alguma denúncia contra o seu candidato, é o caso, por exemplo, dos escândalos dos aeroportos das cidades de Cláudio e Montezuma que tiveram efeito de bombas na campanha de Aécio Neves, e que necessitam ser abafados rapidamente, antes que tenham desdobramentos mais comprometedores.

E realmente a Globo é expert em factoides. Para proteger o seu candidato Aécio Neves, a TV Prateada não hesitou e plantou uma denúncia contra o governo, porém, dessa vez, ela subestimou a inteligência do povo brasileiro, e tudo indica que a pantomina, mesmo barulhenta, já nasceu morta.

Em maio de 2013, alguém utilizando o IP de um dos computadores do Planalto, acessou a enciclopédia eletrônica Wikipédia e fez algumas alterações nos currículos dos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardemberg, com a intenção de difamá-los. 

Depois de passados quinze meses das alterações, e “coincidentemente” a três meses das eleições, os “nobres” jornalistas resolveram denunciar o dantesco caso. Miriam Leitão, por exemplo, teve o desplante de dizer que a “ordem veio de cima”, insinuando que fora a Presidenta Dilma que ordenou as alterações nas informações dos dois jornalistas.   

Malgrado não concordarmos com esse tipo de atitude contra os jornalistas ou contra qualquer outra pessoa, está claro que não justifica todo esse chororô. Mesmo não tendo tanto conhecimento em informática, sabemos que qualquer pessoa com um Celular, por exemplo, pode acessar a internet em locais com rede Wi-Fi, é o que acontece no prédio do Planalto e na maioria dos prédios de órgãos públicos. Assim, e frente a esse dantesco factoide criado pela Globo é forçoso algumas ponderações. Primeiro, há que se registrar que são raríssimos os acessos sobre os perfis de Miriam Leitão e Alberto Sardemberg na Wikipédia; segundo, qual o alcance da Wikipédia na corrida eleitoral? O que levaria alguém da campanha da Dilma ou ela própria realizar esse tipo de alteração em um sitio de pesquisa? O que representa esses dois jornalistas na corrida presidencial? E mesmo considerando que fossem pessoas estratégicas na campanha oposicionista, não seria mais plausível realizar tais alterações partindo de um computador de uma lan house, por exemplo? E finalmente, por que Miriam e Sardemberg esperaram mais de um ano, e somente agora, faltando três meses para as eleições, resolveram denunciar esse caso? 

Sem dúvidas, que se trata de uma sórdida armação alimentada com uma irresponsável, injusta e leviana acusação contra a Presidenta Dilma. Esse patético caso da Wikipédia, não obstante ser mais uma bolinha de papel na corrida presidencial, é também, uma pequena amostra do que são capazes a direita conservadora e a mídia partidarizada para retornar ao Poder. Estamos de olho!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ISRAEL: DE VÍTIMA A ALGOZ - II

Por: Odilon de Mattos Filho

"..O Estado palestino não pode ser um subproduto do Estado judeu, apenas para conservar a pureza judaica de Israel. A discriminação racial de Israel é a vida diária da maioria dos palestinos..." 
Nelson Mandela

Sabemos que um dos capítulos mais triste de nossa história contemporânea foi a cruel perseguição e a tentativa de genocídio do Povo Judeu pela doutrina racista e a política antissemita do III Reich. Aliás, vale registrar que os povos Ciganos passaram pelo mesmo holocausto, ou melhor, “Poraimos”, porém, os “historialistas” de plantão, escondem essa verdade, talvez, pelo fato do povo Cigano não possuir o grande poder econômico do povo Judeu.

No entanto, embora Israel tenha sido vítima das atrocidades Nazista, hoje se tornou um impiedoso algoz dos Palestinos, utilizando métodos semelhantes de subjugar e submeter o povo Palestino às mesmas barbáries. A Faixa de Gaza demonstra tal afirmação, pois, se assemelha muito a um “campo de concentração”.

A propósito, Nelson Mandela, escreveu:”...o Estado Palestino não pode ser um subproduto do Estado Judeu, apenas para conservar a pureza judaica de Israel....Os judeus privaram milhões de Palestinos de sua liberdade e propriedade. Tem perpetuado um sistema brutal de discriminação racial e desigualdade. Sistematicamente tem prendido e torturado milhares de Palestinos, violando as normas do Direito Internacional. Tem, em particular, empreendido uma guerra contra a população civil, em especial as crianças”.

E Mandela está correto! Estamos assistindo, nesses últimos dias, mais um covarde e desproporcional ataque de Israel à Faixa de Gaza, vitimando mais 1.400 e ferindo mais 7.300 Palestinos, e tudo isso, com a costumeira complacência dos organismos internacionais, especialmente, dos EUA que se auto-intitulam tutores do mundo, mas que só agem dessa forma quando os interesses financeiros lhe convêm.

Aliás, nesse sentido, vale registrar a posição firme do Teólogo Leonardo Boff, que disse: ”...eu acho que grande parte da culpa é do Obama, que é um criminoso. Porque nenhum ataque com drones (avião não tripulado) pode ser feito sem licença pessoal dele... Os Estados Unidos apoiam, porque todos os seus presidentes são vítimas do grande lobby judeu, que tem dois braços: o braço dos grandes bancos e o braço da mídia. Eles têm um poder enorme em cima dos presidentes, que não querem se indispor e seguem o que dizem esses judeus radicais, extremistas e que se uniram à direita religiosa cristã...”

Várias autoridades afirmam que o mundo não pode ficar impassível diante dessa covardia cometida contra os Palestinos e parece que o governo brasileiro compartilha dessa posição. O Brasil como uma Nação soberana e democrática, teve, nesse caso, um papel de vanguarda ao condenar de maneira firme o uso desproporcional da força por parte de Israel, tanto, que convocou o seu Embaixador em Tel-Aviv para prestar informações sobre mais essa barbárie.

No entanto, a atitude do governo brasileiro teve reflexos surpreendentes. O governo de Israel, em um gesto dantesco e chulo reagiu a essa posição. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel chamou o Brasil de “anão diplomático” e depois disse que “desproporcional é perder de 7 x 1” da Alemanha. Uma atitude infantil para uma Diplomacia e uma clara demonstração de desconhecimento da história sobre a importância do Brasil no campo diplomático, especialmente, para o povo de Israel. Afinal, foi o Chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha que presidiu a Assembleia Geral das Nações Unidas em 1947, que deu reconhecimento internacional ao Estado de Israel, sendo um dos principais articuladores para aprovação da Resolução. A importância do embaixador é tamanha, que em Tel-Aviv tem uma rua com o seu nome.

Ademais, é sempre bom lembrar, que foi Israel que invadiu, em 1948, as terras dos Palestinos para ampliar o seu Estado, expulsando mais de 750 mil Palestinos e incendiando suas casas. É esse projeto colonial europeu, em aliança com os EUA e os Sionistas, que a imprensa, de forma dissimulada, procura esconder do mundo em benefício de Israel. 

Assim, e frente a toda essa barbárie, o que se espera da ONU é uma dura ação contra Israel exigindo, por Direito e Justiça, o fim da ocupação militar israelense, a imediata derrubada do muro do apartheid, o reconhecimento dos direitos dos cidadãos Palestinos à autodeterminação, à soberania e à igualdade, e por fim, impor que seja assegurado o direito de retorno dos refugiados Palestinos às suas terras e propriedades. Fora isso, a ONU ficará marcada como uma organização fraca e a serviço dos interesses das Nações poderosas em detrimento aos Povos da Periferia, sem vez e sem voz.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

NAS ASAS "DOS NEVES"

"O silêncio sobre Minas foi rompido. O silêncio,agora, é Aécio". (Fernando Brito)

Estamos assistindo nessas últimas semanas uma das mais graves e comprovadas denúncia contra um candidato a Presidente da República. Trata-se do envolvimento do ex-governador Aécio Neves, nas polêmicas e suspeitas construções de Aeroportos com dinheiro público em cidades que não justificam tais obras.

A primeira denúncia, por incrível que pareça, foi veiculada pelo Jornal “Folha de São Paulo” (FSP), declaradamente, “Tucano”. A matéria assinada pelo jornalista Lucas Ferraz, afirma que Aécio Neves, no fim do seu segundo mandato como Governador, gastou quase R$ 14 milhões para construir um aeroporto na Fazenda de Múcio Tolentino, tio do ex-governador. A propriedade, já desapropriada, está localizada na cidade de Cláudio/MG, mas, o aeródromo é administrado por familiares de Aécio.

Segundo se noticiou, além do custo final de R$ 14 milhões do aeroporto, o Estado pretendia indenizar Múcio Tolentino com o valor de R$ 1,0 milhão pela desapropriação do terreno, porém, esse valor foi recusado por Múcio, talvez por achar que fosse irrisório, e parece que ele acertou, pois, consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2015, pag. 215, a seguinte previsão: “Ação n.º0166.08.0188732– Ação de desapropriação para implantação do aeródromo do Município de Cláudio: R$ 20.587.174,50 - Probabilidade de perda: Possível - Forma de Pagamento: Precatório”.

O “campo de aviação” – como nós mineiros falamos - tem o nome de "Aeroporto 
Deputado Oswaldo Tolentino”, tio-avô do candidato Tucano. Esse aeroporto, por mera “coincidência”, fica distante apenas 6 Km da Fazenda de 200 hectares, que o próprio Aécio Neves, chama de  “Palácio de Versalhes”. 

Aliás, outra coincidência nesse caso: segundo o jornal "Estadão" a empresa "Vilasa Construções Ltda", que construiu o aeroporto em Cláudio, fez doações de campanha eleitoral para Aécio Neves e Anastasia, somando um total de R$ 87 mil reais.  

A propósito, parece que esse negócio de misturar o público com o privado, especialmente, quando se trata de construções de aeroportos é hereditário. De acordo com outras matérias, Tancredo Neves, avô de Aécio, quando Governador de Minas, liberou verba do Estado para o próprio Múcio Tolontino, então Prefeito de Cláudio, construir, em suas terras um aeroporto de terra batida. O valor da obra, corrigido pelo IGP-DI de hoje, custou aos cofres públicos R$ 745 mil o que, convenhamos, é um absurdo para uma simples pista de terra.

Mas se não bastasse à escandalosa construção do aeroporto de Cláudio, Aécio Neves construiu um aeroporto com pista asfáltica na bucólica cidade de Montezuma, com apenas 7.500 habitantes, localizada no Norte de Minas. Essa é outra obra que leva os contribuintes mineiros a perguntar: Por que o ex-governador construiu esse aeroporto? Foi o potencial econômico ou turístico dessa cidadezinha? Claro que não! Aqui mais uma vez parece que o interesse particular prevaleceu sobre o público, pois, coincidentemente, Aécio é dono de uma propriedade rural denominada “Perfil Agropecuária”, localizada nesse município. Portanto, essa deve ser a provável justificativa para tal empreendimento.

A propósito, foi divulgado, também,  que dos 14 aeroportos previstos no Programa "ProAero", criado por Aécio, somente dois saíram do papel: o Regional da Zona da Mata e o de Cláudio.

Sem dúvida são casos gravíssimos! Porém, outro fato nos intriga: o que levou a FSP a divulgar essa matéria? No nosso modesto entendimento o intuito do jornal foi ganhar credibilidade e tentar mostrar sua independência, para na hora certa, detonar a candidata Dilma Rousseff com factoides de difíceis defesas junto à população. Afora isso, só há outra explicação: fogo amigo!

Assim, e mesmo entendendo que essa notícia pode mesmo fazer parte de uma estratégia da oposição/mídia, não há como negar que a sacrossanta imagem de Aécio Neves foi terrivelmente abalada, podendo, inclusive, colocar fim à sua candidatura caso os órgãos competentes cumprirem suas atribuições de investigar de forma firme esse verdadeiro surrupio aos cofres públicos. É esperar para ver! 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

BRICS E A NOVA ORDEM MUNDIAL


"A política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva buscou diversificar suas parcerias. Buscou manter diálogo mais intenso com países em desenvolvimento, como Rússia, Índia e China. Nesse sentido, o Brasil engajou-se na construção do mecanismo inter-regional, incentivando, a formalização do diálogo entre os quatro Estados" (Antouan Matheus Monteiro Pereira da Silva)

Com a economia globalizada o mundo capitalista acreditou que a formação de blocos econômicos seria uma saída para facilitar e otimizar o comércio entre os países. Um dos primeiros Blocos surgiu em 1944, o chamado BENELUX, formado pela Bélgica, Holanda e Luxemburgo. E após 1944, surgiram mais de 30 Blocos Econômicos, dentre eles destacamos: UE, NAFTA, MERCOSUL, PACTO ANDINO, dentro outros.

No entanto, mesmo com a formação dos blocos, há ainda, uma hegemonia dos EUA e de parte da Europa que controlam, com mão de ferro, os anacrônicos organismos multilaterais com legitimidade duvidosa, e que volta e meia, interveem na economia e na política de muitas Nações, numa clara afronta à soberania dos países.  

Mas esses pretensos tutores do mundo menosprezaram o conceito de que a política e a economia são dinâmicos, e a história mostra que o Poder é efêmero. E nesse sentido, em 2001 o economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O’Neil formulou um estudo intitulado “Building Better Global Economic BRICs”, que  apontava o grande potencial econômico do Brasil, Rússia, Índia e China como Países que poderiam superar as grande potências mundiais em um curto período de tempo.   

E foi diante dessa renitente postura mandatária dos EUA, e aproveitando-se dos estudos de Jim O’Neil, que o Brasil, Rússia, Índia e China decidiram em 2006, dar um caráter diplomático à expressão cunhada pelo economista O’Neil, e criou o BRIC, hoje BRIC’S, com a incorporação da África do Sul.   

Os BRIC”S quando de sua formação deixou claro ao mundo, que os objetivos desses países é “avançar na reforma das instituições financeiras internacionais para refletir as mudanças na economia mundial, pois, as economias emergentes e em desenvolvimento devem ter mais voz e representação nessas instituições, e seus líderes e diretores devem ser designados por meio de processos seletivos, abertos, transparentes e baseados no mérito”. Defendendo ainda, que a "segurança alimentar deve ser realizada a partir da transferência de tecnologia para a produção de biocombustíveis e o desenvolvimento técnico da produção agrícola".

Com o desenrolar do tempo, os BRIC’S se constituíram em um poderoso e atuante bloco que já está transformando a geopolítica mundial e colocando em cheque as velhas instituições multilaterais. Afinal, os países do bloco detém 42% da população mundial, 20% da economia do planeta, 15% do comércio internacional, 75% das reservas monetárias internacional, além do que, os BRIC”S foram responsáveis por 36% do crescimento da economia mundial nesses últimos 10 anos, hoje já está em 50%.
   
E o passo mais importante para a consolidação desse bloco, e talvez impensável para a maioria dos estudiosos, se transformou em realidade. No dia 15/07, durante a VI Cúpula do BRIC”S em Fortaleza, os Presidentes dos países que compõe o Bloco, oficializaram a criação do “Novo Banco de Desenvolvimento”, cujo objetivo será o financiamento de projetos de infraestrutura em países emergentes, mesmo fora dos BRIC’S. O Banco já nasceu com capital inicial de US$50 bilhões, podendo chegar a US$ 100 bilhões em breve.

Aliás, com relação à criação desse Banco, Marcelo Zero, escreveu: ”...esse Banco não surgiu por acaso ou por mera afirmação de status econômico. Ele surgiu de uma necessidade: as velhas instituições multilaterais surgidas no longínquo ano de 1944, em Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial, já não conseguem lidar com os desafios postos pela nova geoeconomia mundial. Trata-se de instituições esclerosadas, cuja governança não incorpora os interesses e os anseios dos novos atores globais. Elas continuam nas velhas mãos das antigas potências, agora fortemente atingidas pela crise mundial.

Já a Presidenta Dilma Rousseff, disse que “...o  banco representa uma alternativa para as necessidades de financiamento de infraestrutura dos países em desenvolvimento, compreendendo e compensando a insuficiência de crédito nas principais instituições financeiras internacionais”.


Portanto, realmente estamos diante de um poderoso bloco que, certamente, terá um papel de protagonismo para o surgimento de uma nova ordem mundial que seja mais justa, democrática, simétrica e multipolar. E aqui vale registrar o papel decisivo do Presidente Lula e agora da Presidenta Dilma na confecção e consolidação desse Bloco.  


quarta-feira, 9 de julho de 2014

COPA DO MUNDO 7 X 1 MÍDIA/OPOSIÇÃO

Chamem o "Sobrenatural de Almeida"!

Muitos ao lerem este texto dirão que estamos politizando a discussão sobre a Copa do Mundo de 2014. E estarão corretos! Porém, temos que considerar que foi a mídia e a oposição neolacerdistas que deram o pontapé inicial na politização do mundial realizado no Brasil.

Não podemos nos esquecer que antes e no início da Copa do Mundo a oposição raivosa e a imprensa golpista, bateram forte com falsos argumentos de que o evento da FIFA no Brasil seria um total fracasso por incompetência do governo federal, porém, com o decorrer do tempo os falsos argumentos foram se desfazendo diante da realidade que saltava aos olhos: tudo funcionou dentro da normalidade e o povo brasileiro mostrou ao mundo que é capaz de realizar qualquer evento da magnitude de uma Copa do Mundo.

A única coisa que sobrou nos pérfidos discursos da oposição e da elite branca que "tem a ética dos black blocs", foram as dantescas e patéticas cenas da abertura e encerramento da Copa do Mundo quando começaram a xingar a Presidenta Dilma descendo ao mais baixo da podridão. Aliás, essa pecha de mal educada essa grei vai carregar por resto de suas vidas.

Terminada a Copa do Mundo faz-se necessário um balanço do que representou esse evento para o Brasil.

Um dos pontos negativos dessa Copa, sem dúvida, ficou por conta da mídia e da oposição. Durante esse evento foi fácil constatar como a grande imprensa jogou contra a Copa do Mundo partidarizando a discussão. Tivemos de tudo na imprensa, mas nada se comparou ao esquema montado pela Globo para detonar a imagem do Brasil, teve desde atores palpiteiros até comediantes raivosos e decadentes. 

O canal fechado SporTV, por exemplo, preparou um lixo de programa denominado “Extra Ordinários” que teve em seu comando a preconceituosa Maitê Proença, e como convidados humoristas, escritores e jornalistas “vira-latas”, e dentre eles o Escritor gaúcho Eduardo Bueno, conhecido como “Peninha”, um dos responsáveis por um dos momentos mais fétidos do programa. Peninha, que quer ser engraçado, mas está longe disso, no dia 19/07 se referindo à produção açucareira dos holandeses no nordeste, acionou a língua e carregado de preconceito disse alto e bom som que o nordeste é uma bosta.  

Nesta mesma linha da matilha de "vira-latas”, o apresentador Luciano Huck foi mais longe e protagonizou também um “show” de canalhice. O apresentador lançou um quadro denominado, “Namorada para gringo”. Nesse programa Luciano vende a falsa ideia de um príncipe encantado estrangeiro, e ao mesmo tempo, fez apologia ao turismo sexual, o que além de vergonhoso, pode caracterizar crime nos termos da Lei 12.015/2009, além de ser um claro confronto com a intensa propaganda do governo para combater esse grande mal que assola o Brasil e o mundo inteiro.

E não nos enganemos, pois, a mídia na sombra do desencanto do povo, vai continuar o seu bombardeio politiqueiro e tentará creditar a derrota do Brasil na conta da Presidenta Dilma.
  
Já o lado positivo da Copa do Mundo foi o legado para os brasileiros. São inúmeras e importantíssimas obras de infraestrutura, mais de R$ 30 bilhões somados à economia brasileira, geração de mais de 1,0 milhão de empregos, faturamento das micros e pequenas empresas, chegando a mais de R$ 600 milhões, e a demonstração a 1 milhão de turistas de 202 países de nossa hospitalidade, alegria civilidade, o jeito de “ser misturados, tolerantes, sincréticos”, e a comprovação da nossa imensa capacidade de organizar qualquer grandioso evento como a “Copa das Copas” do Brasil. A propósito, segundo pesquisa do Datafolha 83% dos estrangeiros aprovaram a organização da Copa.

Quanto aos pessimistas da oposição e da “mídia nativa” que profetizaram o caos, fica o fracasso de suas previsões e o repúdio da grande massa. 


Já com relação à desclassificação da Seleção Brasileira, os motivos são variados: falta de planejamento, aberrações da Lei Pelé, treinadores ultrapassados, falta de trabalho de base, CBF e Clubes sitiados por corruptos, e tantos outros problemas estruturais. Quanto ao vexame do Brasil, especialmente, contra a Alemanha, somente o “Sobrenatural de Almeida” de Nélson Rodrigues para tentar explicar esse inexplicável resultado.

sábado, 5 de julho de 2014

BRASIL X MÍDIA/BURGUESIA

Uma precisa  análise do jornalsita Maurícias Dias, na Revista CartaCapital

"A burguesia rejeita Dilma?

Um possível clima de ódio, nascido de decisões da presidenta, rejeitadas por parte do empresariado, é refletido na mídia.

Em longo e consistente artigo para a revista trimestral Inteligência, em circulação na próxima semana, o historiador João Bettencourt e o jornalista Luiz Cesar Faro tentam decifrar o que identificaram como “indiscreto ódio da burguesia” à presidenta Dilma Rousseff. 

O esforço inédito joga luz forte sobre esse “desamor” entre as partes. Os articulistas mergulham fundo nas relações conflitadas entre um lado e o outro e emergem com uma pergunta: “Tem culpa ela?” A resposta é não, dizem os autores do estudo.

Dilma, segundo eles, “deslulou a governança”, embora tenha mantido e aprofundado os ganhos sociais promovidos pelo antecessor. Esta seria a origem, ou uma delas, dessa desavença. Consideram que a burguesia, preconceituosamente, odiaria Dilma “devido ao seu intervencionismo, sua inaptidão ao diálogo e, quiçá, seu simples jeito de ser”.

“A redução na marra das tarifas cobradas pelo suprimento de energia elétrica é emblemática”, apontam Bettencourt e Faro, entre tantos outros exemplos recolhidos ao longo da pesquisa sobre o confronto.

Há, no entanto, fatores que deveriam contrabalançar eventuais desgostos provocados por decisões monocráticas da presidenta. Eis um deles que também figura em rol imenso. Dados recentíssimos da Fipecafi, fundação ligada à Universidade de São Paulo, por exemplo, mostram que, entre 2012 e 2013, os lucros das 500 maiores empresas do País cresceram 39,3 bilhões de dólares. Isso traduz alta de 24% em relação ao ano anterior.

Mas a história desse conflito estaria agora se preparando para desembarcar nas urnas. Dúvida? O ex-ministro Delfim Netto, em variadas ocasiões, tem reafirmado a certeza “de que o ambiente econômico é um grande eleitor”. “Delfim não chega a concordar com a hipótese de um ‘golpe branco pela economia’, mas afirma que o humor da burguesia conta, sim, nas eleições”, dizem os autores. 

Como isso se dá? De acordo com Delfim, forma-se “um clima de hostilidade, um ambiente de negócios que o governo se esforça em negar, mas que existe e que influiu de forma importante para a redução nos investimentos e agora impacta também o consumo”.

Bettencourt e Faro se remetem a uma frase de Lula: “O mau humor do empresariado não está deixando a economia andar”.

Impulsionaria esse mau humor um projetado confronto eleitoral: “Se o PT tem a sua militância e o voto da inclusão social, a burguesia tem o controle absoluto da mídia”, deduzem os analistas. E apontam:

“A cólera burguesa é mais visível estampada nas bancas de jornal e vocalizada nos programas de tevê. Em jornais e revistas analisados nos últimos 573 dias, somente 9% do noticiário econômico foi favorável, mesmo assim ligeiramente, ao governo Dilma – nessa contabilidade não foram levados em consideração os artigos do corpo editorial ou de articulistas convidados”.

Para João Bettencourt e Luiz Cesar Faro não há dúvidas: “A mídia comprou um lado e está sitiando, sim, a presidenta, o PT e o seu entorno. E é no cerne da imprensa que o ódio viceja; porque, se por um lado não são reconhecidos avanços, por outro são exacerbadas as críticas. O oligopólio da mídia não gosta de Dilma, e ponto final”.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A DIREITA RAIVOSA

Reproduzimos, abaixo, o preciso texto do brilhante jornalista, Paulo Nogueira:

"ELIO GASPARI ERROU: NADA SE EQUIPARA AO ÓDIO DA DIREITA

Um vídeo em que uma senhora septuagenária profere insultos copiosos ao comunobolivarianismo do PT me remeteu a um assunto sobre o qual eu queria falar já faz alguns dias.

O tema é o ódio político.

Num artigo, Elio Gaspari disse que o PT não tinha moral para falar em ódio. Elio estava respondendo a Lula, que dissera que o PT, nestas eleições, levaria a esperança a vencer o ódio.

O ponto de Elio é que o PT tem, ele também, um histórico de raiva.

Na internet, o assunto foi intensamente debatido. Gostei de ver meu antigo chefe da Veja e na Exame, Antonio Machado, um dos melhores jornalistas com quem trabalhei, se manifestar.

Não lia nada dele fazia muito tempo. Foi como rever um velho amigo.

Machado contestou Elio, a quem chamou, ironicamente, de Doutor. Foi um contraponto divertido ao fato de que Elio chama Dilma de “Doutora”.

Machado, e aí acho um exagero, quase que igualou Elio a Reinaldo de Azevedo.

Elio não é Azevedo, a começar pela diferença de que é um genuíno jornalista, e dos brilhantes.

É, sim, um colunista de centro. Talvez gostasse de se movimentar um pouco mais para a esquerda, mas ele deve saber que não duraria muito nem na Folha e nem no Globo se fizesse isso.

Barbara Gancia, e é um caso exemplar, fez este movimento. Começou a falar em Casa Grande – um lugar comum que me enfastia, aliás – e logo perdeu a coluna na Folha.

Mas o ponto central sobre o qual eu queria falar é o ódio. Nisso, estou inteiramente com Machado e contra Elio.

Nada, rigorosamente, nada se iguala ao ódio da direita. As raízes são profundas e distantes: ao longo de toda a ditadura militar os brasileiros foram submetidos a constantes propagandas anticomunistas.

O “comunismo ateu” era apresentado, sempre, como a quintessência da maldade, do horror.

No plano internacional, Stálin era o demônio supremo. No plano nacional, este papel era atribuído a nomes como Lamarca e Marighella.

Neste ambiente, surgiram e floresceram entidades como o Comando de Caça ao Comunismo e a Tradição, Família e Propriedade – dedicadas a semear ódio patológico na sociedade.

Com o fim da União Soviética, e do comunismo, o ódio da direita não cessou. Apenas foi remanejado para a esquerda em geral.

Na Venezuela, Chávez foi alvo de campanhas de fúria inacreditável. Até sua mãe era insultada cotidianamente pela mídia e pela direita venezuelana.

No Brasil, o anticomunismo de antes se transformaria em antipetismo. Mudou o nome, mas não o ódio, ou mesmo sua intensidade.

Em suas manifestações mais vis, a raiva nos últimos anos se traduziu em pragas para que o câncer se abatesse novamente sobre Lula e Dilma.

Não é, ao contrário do que Elio afirmou, um ódio que encontre contrapartida na esquerda.

Não que a esquerda aprecie e admire a direita. Mas não é a mesma coisa. Historicamente, não é. Definitivamente, não é.

Até por questões culturais. Faz parte da cultura da esquerda endereçar o melhor de sua raiva às correntes rivais dentro da própria esquerda.

Marx abominava Bakunin. Os bolcheviques viam os mencheviques como seu maior obstáculo. No Brasil, integrantes do PC e do PC do B mutuamente se abominavam.

No Brasil de hoje, repare como os petistas enxergam grupos de esquerda por trás de protestos e como estes vêem o que chamam, desdenhosamente, de “governistas”.

O ódio da esquerda como que se dispersa. O da direita se concentra.

Nada se compara ao ódio da direita – e meu velho chefe Machado, nisso, não poderia estar mais certo".